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Como funciona a estratégia da Apple para seduzir usuários e “monopolizar” a mídia

Um executivo capaz de convencer a plateia de que claro é escuro, uma marca que faz muita gente pensar que é melhor que os outros e uma política rígida de sigilo fazem parte da estratégia da empresa

Steven J. Vaughan-Nichols - InfoWorld/EUA

15/06/2010 às 13h39

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No começo de abril, a Apple concentrou as atenções da mídia especializada (e boa parte da imprensa em geral), com o lançamento do iPad. Dois meses depois, repetiu a dose, durante a Conferência anual da Apple, a WWDC 2010. Nós já sabíamos o que ele iria anunciar: o iPhone 4.

E, graças a reportagem do Gizmodo sobre um protótipo “perdido” do aparelho,  já tínhamos uma boa ideia sobre como seria o novo modelo. Então, por que existiam na última semana mais de 1.100 novas notícias e mais de 696.000 posts de blogs sobre o anúncio da WWDC, segundo o Google? E isso não é por falta de assunto. A  Microsoft, por exemplo, anunciou que o beta para o Windows 7 SP 1 sairá em julho.

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Jobs durante a apresentação do novo iPhone, na WWDC 2010, realizada na semana passada nos EUA.

O que está acontecendo aqui? Por que Steve Jobs recebe atenção até de pessoas que não gostam da Apple? Segue abaixo, minha lista de razões pelas quais a companhia capta a atenção de jornalistas e leitores.

1. Os produtos da Apple tendem a ser bons
Você pode odiar os altos preços da companhia; você pode odiar sua maneira sem tato de lidar com padrões (veja a novela da tecnologia Flashe) e com rivais, mas o mais importante que é que seus produtos costumam funcionam melhor do que os de outros fabricantes (o que não quer dizer que não haja iMacs de 27 polegadas com telas rachadas ou iPods shuffle que não funcionam direito).

2. Estilo, facilidade e o visual da Apple
Há décadas os produtos de Steve Jobs simplesmente possuem  visual e facilidade de uso melhores do que seus concorrentes. O iPod, por exemplo, não foi o primeiro tocador de MP3. No entanto, foi simplesmente o melhor tocador portátil, quando lançado, em 2001. Pegue o MacBook Pro. É o melhor laptop? Não, eu acho que não. Eu ainda gosto dos ThinkPads da Lenovo e existem muitos notebooks da Dell, como o Inspiron 15n, com Ubuntu Linux, que eu colocaria acima de um MacBook Pro.

E eu preciso mencionar que todos eles são produtos mais acessíveis do que o MacBook Pro? Mas não posso deixar de notar que muitas pessoas, mesmo fãs do Linux, por exemplo, carregam um notebook da Apple se puderem arcar. Por que? Simplesmente, porque ele possui um ótimo design e facilidade de uso.

3. Carisma de Steve Jobs
Muitas pessoas adoram Jobs. Eu o conheço, ainda que não muito bem, há mais de 20 anos, e já vi seu “reality distortion Field” (algo “Campo de distorção da realidade”, termo usado para definir o carisma de Jobs e seus efeitos nos desenvolvedores do projeto Mac, em 1981).

Coloque o homem em um palco e ele pode convencer qualquer público de que claro é escuro, alto é baixo e que os produtos da Apple são os melhores do mundo. Mesmo quando ele critica as pessoas da maneira errada, elas não conseguem parar de prestar atenção nele. Nenhuma outra pessoa no mundo da tecnologia, seja, Gates, Ellison, Torvalds ou Ballmer, possui algo parecido com esse efeito sobre as pessoas.

4. Você é melhor do que os outros...
Há algum tempo surgiram rumores de que a Apple iria entrar no mercado de netbooks. Eu respondi que não existia chance de a empresa vender notebooks, netbooks ou produtos de baixo custo. Disse isso porque a marca  Apple tem sido há muito tempo algo como a "Rolls-Royce da computação". Os aparelhos da companhia são para os usuários com maior poder aquisitivo. A Apple quer que você pense, e muitas pessoas pensam, que ao carregar um iPhone ou iPad, você é melhor do que as pessoas “comuns”.

5. A Apple mantém seus segredos
A maioria das companhias clama por atenção. A Microsoft, em particular, vai te dizer o quão ótimo serão os seus produtos anos antes deles realmente serem lançados. Arrancar informação da Apple até que ela esteja boa e pronta para mostrar o produto final é quase impossível. Apesar disso deixar os repórteres e blogueiros loucos, também alimenta rumores intermináveis. Por exemplo, a Apple vai anunciar um iPhone com a Verizon (operadora de telefonia móvel dos EUA)?

Então aí está, pegue uma parte de mistério, uma parte de carisma, uma parte de estigma da marca e duas partes de excelente design e engenharia, asse no quartel da Apple em Cupertino, nos Estados Unidos, de seis meses a um ano, e então lance com muito barulho. Tem funcionado bem.

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