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Como gravar, editar e compartilhar vídeos feitos com seu smartphone

Não está satisfeito com a qualidade das suas produções de bolso? Veja como evitar o tremor da câmera, editar vídeos de graça e conseguir mais audiência no YouTube.

Lincoln Spector, PCWorld EUA

06/07/2011 às 18h43

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Poucas décadas atrás, mesmo um curta-metragem amador custaria centenas, talvez milhares, de dólares para ser produzido. E seus amigos não poderiam assistí-lo a não ser que você combinasse um encontro com todos eles e levasse seu projetor de 16mm junto. Mas hoje em dia o smartphone no seu bolso, o PC na sua mesa e sua conexão à internet lhe dão a oportunidade de se revelar como o próximo Tim Burton... ou o próximo Ed Wood.

Não importa se você está gravando uma versão moderna de “Oedipus Rex” ou simplesmente editando seus filmes de férias: há alguns truques pode ajudá-lo a evitar que sua produção seja tão ruim quanto “Plano 9 do Espaço Sideral” (1959). Primeiro vou lhe mostrar como evitar a “câmera tremida” que torna tantos vídeos impossíveis de assistir. Depois, irei recomendar alguns programas para edição de sua obra-prima, e por fim vou lhe ensinar como publicar seu trabalho no YouTube e atrair visitas. Pronto? Luzes, câmera, ação!

Veja também
» Como preparar um vídeo para o YouTube e conseguir mais visualizações
» Como NÃO gravar vídeos para o YouTube

Mantenha seu smartphone estável

O diretor Paul Greengrass usou o tremor da câmera como um efeito dramático nos filmes da série Bourne, mas a técnica também causou enjôos em alguns espectadores. E você não quer que sua família e amigos passem mal. Infelizmente, os smartphones não foram projetados com estabilidade em mente. Eles não tem empunhaduras que ajudariam a segurá-los com firmeza, nem os soquetes necessários para que sejam encaixados em tripés.

Ainda assim, a postura correta e um pouco de prática podem lhe ajudar a reduzir a tremedeira. A primeira dica é ficar em pé, com os pés separados na distância dos ombros, e manter os joelhos ligeiramente dobrados, para que ajam como amortecedores. Mantenha os braços e cotovelos colados ao corpo.

Se você quer gravar uma panorâmica, posicione os pés corretamente: se vai mover a câmera para a direita, aponte o pé esquerdo na direção para onde a câmera estará apontando no começo do movimento, e o pé direito na direção para onde ela estará apontando no final. Enquanto grava, gire o corpo lentamente da esquerda para a direita.

Mas para deixar a imagem realmente estável, você precisará de um tripé. E como seu smartphone não tem um encaixe para um, você precisará de um adaptador. Com um pouco de engenhosidade você pode improvisar um adaptador usando uma capa para seu smartphone, peças encontradas em casa ou em lojas de ferragens e instruções disponíveis na internet (http://goo.gl/t98ar). Se não estiver a fim de sujar as mãos, pode também comprar um adaptador pronto: em lojas de acessórios (ou na internet) não é difícil encontrar modelos para os smartphones populares como o iPhone 4 ou Nexus S. 

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O SnapMount permite encaixar o iPhone 4 em um tripé de duas formas diferentes

Se for comprar um adaptador pronto, preste atenção ao design: muitos deles posicionam o encaixe de modo que o smartphone fica “em pé”, o que é bom para fotografar retratos mas inútil para vídeo. O ideal é que o smartphone fique “deitado”. Se você tem um iPhone uma boa opção é o SnapMount, que custa US$ 19,90 e permite encaixar o aparelho no tripé dos dois jeitos.

Uma vez que você tenha o adaptador, poderá montar seu smartphone em qualquer tripé, já que o encaixe é universal. Uma opção portátil é o GorillaPod, da Joby, ou um de seus muitos similares: leve e flexível, ele não só mantém a câmera estável como pode ser “moldado” para obter ângulos bastante criativos.

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GorillaPod: flexibilidade para posicionar o smartphone (ou câmera) como quiser

Encontre e use as ferramentas certas

Steven Spielberg achava que “Tubarão” iria destruir sua iniciante carreira como diretor. O filme já tinha estourado o orçamento e não parecia lá grande coisa. Mas sua editora, Verna Fields, tinha mais experiência e soube como transformar o maior problema do filme - as poucas cenas em que o tubarão aparece - em seu maior trunfo: o que você não pode ver pode ser muito assustador.

Mas você não precisa ter o talento e experiência de Fields para melhorar seus filmes durante a edição. Você só precisa do software, e do hardware, adequado. Um smartphone não é o bastante. Sim, você pode baixar um software de edição no Android Market, ou o iMovie para iPhone na App Store, mas um smartphone não é a ferramenta ideal para o trabalho. Você precisa de um processador rápido, um HD espaçoso e, principalmente, um monitor grande: quanto maior o monitor, mais fácil será o trabalho de edição. Ou seja, você precisa de um computador.

Todos os softwares de edição funcionam basicamente da mesma forma: primeiro você importa os vídeos, fotos e músicas que deseja usar para a biblioteca do programa. Você então arrasta estes itens e os organiza na sequência desejada, cortando o que achar necessário. Depois adiciona transições entre as cenas, e talvez uma música. O trabalho é salvo como um “projeto”, que não contém audio ou vídeo, apenas instruções para que o programa possa reconstruir as operações. Por fim, quando estiver satisfeito você poderá exportar o resultado para um DVD ou em um formato de vídeo como .AVI.

Vamos começar falando de um software gratuito: o Windows XP e o Vista vinham com um editor de vídeo básico e fácil de usar chamado Windows Movie Maker. Ele não é parte do Windows 7, mas a Microsoft distribui gratuitamente uma nova versão chamada Windows Live Movie Maker, que também funciona no Vista, mas não no XP. 

O programa é excepcionalmente simples e intuitivo: mesmo que você nunca tenha editado um vídeo antes, irá “pegar o jeito” deste editor de primeira. A biblioteca para onde os vídeos são importados também funciona como storyboard onde as sequências são arranjadas. Uma série de “Ribbons”, como no Office 2010, permite importar arquivos, sincronizar imagens e música, adicionar transições e créditos e exportar o resultado.

Editores mais experientes, entretanto, irão achar o Windows Live Movie Maker um tanto limitado. Ele não tem recursos como uma linha do tempo (timeline, uma representação gráfica de seus vídeos ao longo do tempo), nem a capacidade de editar imagem e som separadamente. Novatos não irão sentir a falta destes recursos, mas editores experientes irão querer eles de volta. Curiosamente eles estavam disponíveis em versões anteriores do Movie Maker, mas para simplificar o programa a Microsoft acabou o tornando menos poderoso.

Se você quer levar a edição de vídeo mais a sério, dê uma olhada no CyberLink PowerDirector. Ele tem uma linha do tempo com duas trilhas para vídeo (permitindo que você alterne facilmente entre as imagens de duas câmeras, por exemplo), três trilhas para áudio e trilhas adicionais para narração, títulos e efeitos. Ele normalmente custa US$ 70, mas às vezes é possível encontrá-lo por US$ 50.

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CyberLink PowerDirector: mais poderoso, e mais complexo, que o Windows Live Movie Maker

O ruim, além do preço, é que o PowerDirector tem uma curva de aprendizado considerável. Você tem de consultar o menu de ajuda, por exemplo, para entender a diferença entre ligar dois objetos e agrupá-los. Mas depois que você aprender a lidar com o programa, o trabalho de edição será muito mais fácil. 

Seja visto

Charles Burnett completou o filme “Killer of Sheep” em 1977. E apesar de ter vencido um prêmio no Festival Internacional de Cinema de Berlin em 1981, o filme só foi distribuído em larga escala em 2007. Mas isto não precisa acontecer com você. Você pode gravar sua obra em DVD e distribuí-la para os amigos, mandá-la de vola para o smartphone ou publicá-la na internet para que todo o mundo possa assistir. E tanto o Windows Live Movie Maker quanto o CyberLink PowerDirector tem a capacidade de enviar vídeos diretamente para o YouTube.

No Windows Live Movie Maker, basta clicar no ícone do YouTube na barra de ferramentas. Mas antes de fazer login em sua conta do YouTube o programa exige que você faça login em sua conta do Windows Live (Windows Live ID), o que não deveria ser realmente necessário. Você pode usar seu login do MSN ou do Hotmail para esse passo. Se não tiver um Windows Live ID, clique no link “Inscreva-se” para criar um, é grátis. Só aí o programa lhe dará a opção de se logar no YouTube (ou criar uma conta, se você não tem uma) para publicar o vídeo. Basta seguir as instruções na tela.

Já no PowerDirector a opção de upload está mais escondida: clique no botão Produce no topo da janela e então selecione a aba “YouTube Ready”. Preencha o formulário, incluindo seu nome de usuário e senha do YouTube, e clique em Start. 

Em ambos os casos, o tempo necessário para “subir” o vídeo depende da duração dele e da velocidade de sua conexão à internet. Tenha paciência. E mesmo depois que o upload for concluído pode demorar alguns minutos para que o vídeo esteja disponível no YouTube, já que o site precisa processá-lo antes de torná-lo acessível ao público. Mas depois que o vídeo estiver no ar, ele se tornará um “viral”, será visto por milhares de pessoas e fará de você um diretor famoso!

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Edite com cuidado a descrição e palavras-chave do vídeo para atrair mais espectadores

OK, provavelmente não. Simplesmente publicar um vídeo no YouTube não é uma garantia de audiência. Você precisa fazer com que as pessoas encontrem seu vídeo e tenham vontade de assistí-lo. Divulgar sua obra entre os amigos é fácil: mande pra eles um e-mail com o endereço do vídeo, ou publique ele no Twitter, Facebook, Orkut ou outra rede social. O YouTube tem um botão “Share” na página com seu vídeo que é um bom ponto de partida.

Mas para atrair estranhos, o segredo é aumentar as chances de que seu vídeo apareça como resultado de uma busca. Para fazer isso, clique no botão “Editar Detalhes do vídeo” no canto superior direito da página dele. Coloque palavras-chave populares no título e descrições (procure vídeos sobre o mesmo tema e veja que palavras eles estão usando), e use o recurso de “anotações” do YouTube para ligar um video a outro. Aprenda a usar os recursos sociais do YouTube, e sua audiência irá aumentar consideravelmente.

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