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Como o Google tem superado a Siri na batalha dos assistentes de voz

A próxima versão do Google Assistente tem levado a privacidade a sério. E será difícil para a Apple alcançar o concorrente

Michael Simon, da Macworld (EUA)

13/05/2019 às 19h00

Foto: Shutterstock

Durante a conferência Google I/O 2019 para desenvolvedores, realizada na última terça-feira (7), o Google fez uma demonstração ao vivo da próxima geração do Google Assistente rodando em um smartphone Pixel. Trata-se de uma mudança dramática em como o software interage com você pelo telefone, que passará a exibir sua interface em qualquer espaço da tela. Com um simples "E aí, Google", a companhia foi capaz de executar doze ações em apenas 40 segundos, incluindo o início e busca de aplicativos pelos seguintes comandos:

  • Abrir Calendário
  • Abrir Calculadora
  • Abrir Fotos
  • Definir cronômetro para daqui 10 minutos
  • Qual a previsão do tempo para hoje?
  • E para amanhã?
  • Mostre-me John Legend no Twitter
  • Chame um carro do Lift para meu hotel
  • Ligue a lanterna
  • Desligue a lanterna
  • Tire uma selfie

Tudo isso levou somente 40 segundos, mas não é apenas a velocidade que impressiona. O Google Assistente só precisou ser aberto uma única vez, e continuou ouvindo, entendendo o contexto do que estava sendo perguntado e não exigiu nenhuma assistência, de fato. Ao ser perguntado sobre o aluguel de um carro no Lift até o "meu hotel", ele sabia onde o usuário ficaria hospedado. Mostrou também o perfil de John Legend no app do Twitter. Fez até uma contagem regressiva ao abrir a câmera frontal para fazer um autorretrato.

Eu tentei fazer as mesmas ações com a Siri e não obtive tanto sucesso. Tive de pressionar o botão toda vez, já que a Siri não aguarda em segundo plano após completar uma tarefa (para ser justo, o Google Assistente também não faz isso ainda). A Siri conseguiu analisar "isso" como uma lanterna quando pedi para desligá-la, mas não traçou uma rota no Lyft e apenas mostrou tweets recentes de John Legend. Eu ainda tive que pressionar o obturador quando a câmera abriu para uma selfie. E demorou mais de 50 segundos para acatar comandos mais básicos.

O Google Assistente está muito, muito à frente, e não estou certo se a Apple poderá alcançá-lo. A próxima geração do Assistente tem previsão de lançamento para o segundo semestre deste ano nos smartphones da linha Pixel. E, sinceramente, a Siri ainda não é tão boa nesta geração. Para onde a Apple seguirá daqui em diante?

Se desligando da nuvem

Para chegar ao tremendo aumento de velocidade, o Google moveu todo o modelo de inteligência artificial para o próprio dispositivo, reduzindo o tamanho exigido de 100 GB para 50 MB. Isso significa que as solicitações não precisam ser encaminhadas pelos servidores do Google, e o Assistente pode funcionar mesmo sem uma conexão à internet. Não está claro exatamente quanto você poderá fazer sem estar online, mas ações gerais, como verificar seus compromissos do calendário e ativar a lanterna, poderão ser feitas localmente em seu telefone.

Isso pode soar familiar. A Apple fez um grande avanço sobre o processamento no dispositivo e aprendizado de máquina como parte de sua iniciativa de privacidade, e existem especulações persistentes de que está desenvolvendo uma versão da Siri que funciona offline. Para esse fim, a Apple tem anonimizado e criptografado os dados da assistente há anos e usando a privacidade como um diferencial para analisar os dados sem coletá-los. Tem sido uma linha tênue entre Apple e Google. Porém, com o Assistente de segunda geração, o Google está provando que pode coletar e proteger seus dados.

É claro que o Google ainda acessa muito mais dados do que a Apple - na verdade, um dos principais recursos novos do Assistente, chamado Referências Pessoais, busca suas mensagens e entradas no calendário para aprender mais sobre as pessoas em sua vida, mas o Google está repensando sobre o quão necessários são esses dados . Você pode creditar a Apple com essa mudança na metodologia, mas o Google parece estar fazendo muito mais. Da interface discreta ao aumento de velocidade, o Google entende o que as pessoas querem de um assistente, e isso inclui manter as coisas privadas.

Em um editorial para o New York Times no início da última semana, o CEO do Google, Sundar Pichai, definiu uma nova abordagem para IA chamada "aprendizagem federada", que soa muito como o diferencial da privacidade da Apple: "Também estamos trabalhando duro para desafiar a suposição que os produtos precisam de mais dados para serem mais úteis. A minimização de dados é um princípio de privacidade importante para nós e estamos encorajados pelos avanços desenvolvidos pelos nossos pesquisadores de inteligência artificial. Isso permite que os produtos do Google funcionem melhor para todos, sem coletar dados brutos do seu dispositivo".

Os céticos vão zombar das asserções e reivindicações de privacidade do Google aqui, mas o fato é que a gigante das buscas está fazendo coisas incríveis com um assistente totalmente no dispositivo e offline. Não importa quantas ferramentas eles construam no Android: problemas de privacidade sempre afetarão o Google. E para muitos fãs da Apple, seus esforços nunca serão suficientes. Mas o Assistente está agindo de maneiras que a Siri ainda está pensando. O fato é que o Google tem travado esse embate com a Apple em grande estilo. A Apple tem batido o tambor de privacidade por um tempo, mas ainda está para mostrar como ele pode manter os dados locais e agilizar a utilidade do Siri. Com o Assistente de próxima geração, o Google está fazendo as duas coisas, deixando a Siri em segundo plano.

E como a Apple responde? Com o início da WWDC em apenas algumas semanas, todos os olhos estarão voltados para Siri e para o novo vice-presidente sênior de Aprendizado de Máquina e Estratégia de IA da Apple, John Giannandrea, que saiu do Google no ano passado. Já se passaram anos desde que a Apple delineou sua posição sobre o uso de dados para reforçar a inteligência da Siri, e agora é hora de nos mostrar tudo o que ela pode fazer. Porque, muito em breve, pode ser tarde demais.

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