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Como os smartphones e as redes sociais afetam o cibercrime?

A tecnologia muda o comportamento das pessoas e há um pressuposto de que, se alguém tem o seu e-mail, essa pessoa conhece você.

JR Smith, especial para PC WORLD*

18/02/2010 às 11h36

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Foto:

smartphones_150Em dezembro passado tive a oportunidade de conversar em Londres [Inglaterra] com algumas pessoas realmente brilhantes: Roger Thompson e Michael Foreman, ambos da AVG; Craig Heath, da  Symbian Foundation; Hurley Richard, da Credit Industry Fraud Avoidance System (CIFAS); Danny Brogan, da Mobile Choice; Dan Worth, da VNUNET; e  Diana Greek, da ComputerActive.

A tecnologia usada em dispositivos móveis de comunicação aumentou dramaticamente desde que carregávamos ‘tijolos’ na cintura. Chamar os celulares de hoje de "telefones inteligentes" é na verdade um desserviço. Na realidade, são computadores pequenos e poderosos, também são capazes de realizar chamadas telefônicas.

Os fabricantes estão furiosamente tentando ultrapassar-se no quesito tecnologia e o Droid [no Brasil o aparelho foi lançado como Milestone, pela Motorola] é apenas o mais recente de uma longa linha desses telefones inteligentes.

Muitos exemplares da mais recente geração de smartphones executam aplicativos simultaneamente, assim como seus irmãos maiores, os netbooks. As redes sociais também têm se expandido de forma exponencial, entregando novos aplicativos a cada dia.

O Facebook tem agora mais de 350 milhões de usuários, sendo que mais de um milhão deles vem desenvolvendo aplicativos, muitos podendo ser utilizados em um telefone móvel, de acordo com Danny Brogan. E mesmo sem ser matemático, Roger Thompson entende que certa porcentagem dessas pessoas não tem boas intenções.

Enquanto os aplicativos "bons" são ótimos para as pessoas se comunicarem, fazerem compras, reservas, realizar transações financeiras a qualquer momento e em qualquer lugar, há muitas oportunidades para o abuso de confiança que as pessoas têm nas redes sociais, dando mais uma oportunidade para os cibercriminosos.

Thompson salientou que a segurança e a funcionalidade existem em uma relação inversa - quanto mais funcionalidade o dispositivo tem, mais inseguro ele se torna. Com base nisso, é claramente esperado que os smartphones não devem substituir os computadores, pelo menos no curto prazo.

Mas para minha surpresa, Craig Heath, da Symbian Foundation, acredita que os smartphones podem ser atualmente a forma mais segura de navegar na web. Segundo ele, a arquitetura Symbian foi completamente redesenhada nos últimos nove anos com ênfase na segurança e as aplicações escritas para os smartphones com esse sistema operacional são rigidamente controladas. Isso, afirma Heath, combinado ao fato de as operadoras móveis usarem filtros para impedir a propagação de malware, fornece um sólido nível de proteção.

Apesar disso, a questão permanece: como deixar o usuário usufruir a conectividade e a produtividade com o máximo de segurança?  Temos uma proliferação de novas tecnologias e mais pensamentos estão sendo colocados em projetos de segurança. Empresas estão trabalhando para se certificar de que proteção segurança está disponível para proteger os usuários de smartphones.

Mas os criminosos não desistem facilmente e podemos ter certeza de que eles vão querer o dinheiro de transações bancárias e compras on-line realizadas a partir de dispositivos móveis.

Estudo intitulado “Wi-Fi Hotspots: celulares e dispositivos portáteis, o renascimento de um mercado", divulgado recentemente pela In-Stat, constatou que, do número total de conexões realizadas em hotspots, a participação de handhelds aumentou 20% em 2008, e 35% em 2009. A In-Stat prevê que, até 2011, tais dispositivos respondam por metade deste tipo de conexão.

Assim, manter os proprietários de smartphones seguros será crítico. Creio que, quando se trata de telefone inteligentes, os fraudadores se concentram primeiro na plataforma BlackBerry, afinal estes dispositivos contêm informações de negócio dos seus utilizadores.

Roger Thompson avalia que veremos o surgimento de muitos malwares ao longo de 2010, e que ataques phishing e a engenharia social também aumentarão. E a enorme onda de redes sociais, que promove a aproximação das pessoas, também as torna mais vulneráveis.

Segundo Craig Heath, é preciso manter um alto nível de suspeita sobre o que aparece no seu telefone. Richard Hurley também enfatiza isso, ressaltando que a tecnologia muda o comportamento e atitudes das pessoas; para ele, há um crescente pressuposto de que, se alguém tem o seu endereço de e-mail, então essa pessoa conhece você.

Hurley Richard diz que muito do que acontecer em 2010 vai depender da economia, e que será necessária uma maior ênfase na prevenção, em vez da investigação.

As pessoas estão utilizando mais a internet para simplificar suas atividades como comprar e pagar contas. Cada vez mais, essas atividades serão realizadas a partir de um smartphone. Consequentemente, a proteção terá de ser em tempo real, independentemente do dispositivo utilizado. Merece atenção também a segurança da computação em nuvem para permitir isso.

Como exemplos, podemos citar o sistema financeiro e bancário do Reino Unido e dos Estados Unidos, que estão monitorando os níveis de segurança em tempo real para ajudar as pessoas a perceber se a sua identidade está sendo usada por outros. Tal tipo de providência irá reduzir a probabilidade de fraudes serem bem sucedidas.

As fabricantes de smartphones estão prontas para enfrentar o desafio e os fornecedores de sistemas de segurança também estão fazendo sua parte. Todos devemos fazer mais para educar os usuários e aqueles que adquiriram conhecimentos estão construindo fóruns e comunidades para ajudar a ensinar os consumidores a como ficarem seguros. Se os cibercriminosos são inteligentes, precisamos ser mais espertos e rápidos.

*JR Smith é, desde 2007, Chief Executive Officer (CEO) da AVG Technologies.

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