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Como será o seu navegador em cinco anos?

A próxima grande plataforma de computação não será um Mac OS, Android ou Windows. Ela já está aqui – e atende pelo nome de Web.

PC World (E.U.A.)

17/06/2010 às 17h43

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Qual será o seu navegador na Internet em 2015? Cinco anos não trarão mudanças dramáticas em algumas tecnologias – desktops, por exemplo, não mudaram muito desde 2005 – mas os browsers estão prestes a sofrer grandes mudanças, que irão alterar nossas vidas no que se refere à computação no dia-a-dia.

Os navegadores se tornarão comuns em carros, mas também vão incorporar reconhecimento de voz, de texto, além de gestos, que substituirão recursos onde teclados e até mesmo displays touchscreen podem ser inconvenientes e, até mesmo, perigosos durante a condução do veículo. Os browsers transmitirão programas de rádio via Internet e, talvez, até mesmo adotar uam interface 3D – mas sem os vidros metálicos.

“Você vai ber uma inovação tremenda nos browsers nos próximos anos”, diz Linus Upson, vice-presidente de engenharia do Google. “Nós realmente queremos a Web como uma plataforma em que você poderá fazer qualquer coisa, como se faz no Windows, em um Mac ou no iPhone”.

O Google prevê um futuro onde o navegador executará todas as suas aplicações – incluindo até mesmo jogos em 3D, traduções e até mesmo correções gramaticais. Embora alguns destes recursos já existam de forma rudimentar, em cinco anos eles serão muito mais precisos.

Já em fase de testes em diversos laboratórios mainstream pelo mundo afora, o navegador irá assumir um novo “look and feel”. O AMD Fusion Media Explorer, por exemplo, é um browser 3D criado para mostrar as capacidades dos processadores da AMD, como funções de “arrastar e soltar”, uploads para o Facebook e outras redes sociais, e ainda a rotação de uma interface tridimensional para execução de arquivos de mídia.

E uma startup de Israel chamada EyeSight Mobile Technologies está desenvolvendo controles de gesto touchless para smartphones Android: passe a mão sobre uma câmera frontal, por exemplo, e você poderá navegar pela sua galeria de fotos. Enquanto isso, o Google está construindo uma funcionalidade de reconhecimento de voz e text-to-speech para o seu browser. E o Opera Software’s também suporta controle por gestos através da sua webcam. Não é surpresa que as grandes montadoras, incluindo Audi, BMW, Ford, General Motors e Mercedes, estão testando maneiras de adicionar navegadores para carros e caminhões.

Web em todo lugar

Os browsers estão ultrapassando a barreira dos computadores e smartphones e começam a ser integrados em televisores,  impressoras e outros gadgets . Ao que tudo indica, a vela dos navegadores rumando em sentido a essa nova variedade de dispositivos tende a inflar. Tecnologias como o Google TV, criadas para incluir a web na tela, até então limitada ao repertório da programação de televisões a cabo ou ao desesperador horário nobre, se unem ao segmento de impressoras prontas para a web. É o caso da HP Photosmart Premium TouchSmart Web all-in-one printer, munida de um display colorido de 4.33 polegadas com acesso à Internet . A variedade vem seguida por um segmento em plena expansão liderado pelo debutante iPad.

No vácuo dessa eclosão tecnológica, os canais de distribuição do sinal que garante a entrada na Internet - como é o caso do sinal 4G que pode ser fragmentado em LTE e WiMax e o já retrô WiFi - escancaram as portas para a navegação com esses dispositivos. Quem sabe, até o refrigerador com conexão internet apresentado pela LG em 2003 saia da geladeira. Na verdade, a LG jamais abandonou a ideia; seu modelo mais recente de wired fridges traz um display LCD e um teclado integrados.

Muitos desses aparelhos não são munidos com algo que possa ser chamado de navegador. Os programas não chegam a exibir páginas de web como são conhecidas. No lugar disso, os aplicativos se conectam a repositórios de arquivos armazenados com segurança. O Google, na fila da maternidade, e prestes a lançar o Chrome OS, pode ser encarado dessa maneira. O sistema operacional baseado em um browser deve ganhar os discos rígidos de netbooks e de alguns tablets ainda esse ano. No Chrome OS, o browser não é apenas mais um programa; ele é o centro nervoso do dispositivo das operações do usuário, muitas destas baseadas em aplicativos web.

De que forma se dará a interação entre os humanos e esse segmento nos próximos anos? A empresa de webdesign Adaptive Path, forte no desenvolvimento de interfaces de usuários, elaborou modelos conceituais para apresentação do Firefox em 2008. Batizado de Aurora, o projeto apresenta um sistema solar cujo centro é a web. De acordo com esse modelo, todo o conteúdo e aplicativos são exibidos dentro de uma moldura (ou frame, se preferir) do navegador. Em um vídeo demonstrativo, o personagem, um homem de nome Tim, gesticula para interagir com o Aurora projetado em uma parede. O display inclui uma câmera capaz de interpretar os movimentos dos braços e das pernas de Tim. Áreas de trabalho individuais, semelhantes aos “favoritos” são exibidos na forma de grandes ícones. Tim consegue organizar a área de trabalho ao arrastar e mover os ícones (sem encostar no display).

Ok. O Aurora pode jamais vir a ser uma interface de usuário final, mas ele oferece uma amostra do que está por vir, nas formas mais inusitadas possíveis.

Aplicativos de navegação fora da área de trabalho.

A probabilidade de aplicativos usados em desktops, principalmente aqueles de aplicação comercial como o Office desaparecerem até 2015, é mínima. O surgimento de aplicativos baseados na web, como o Google Docs e os Microsoft Office Web Apps, podem acelerar o demorado processo de boot dos sistemas operacionais como Windows e o primo rico Mac OS X. Pelo menos essa é a esperança do Google. “Estamos observando uma tremenda aceleração no desenvolvimento desses aplicativos que podem ser integrados aos navegadores”, comemora Upson, do Google.

Para essa computação na estratosfera se concretizar, os fornecedores têm de concordar na adoção de padrões que viabilizem esse mundo novo. Se isso vai acontecer permanece a grande dúvida. Será que a Apple, que alcançou um enorme sucesso com a AppStore, onde são vendidos aplicativos que rodam exclusivamente em aparelhos da linha iPhone, iPad e iPod Touch, e quem tem a política de segregação de usuários em dois grupos: o mortal e o iMortal, abrirá a plataforma? E a Microsoft? Famosa por ignorar os padrões de navegadores em detrimento de tecnologias próprias, irá se comportar?

Ainda é cedo. Demasiadamente cedo para saber. Mas evidencias são encorajadoras. A Microsoft, por exemplo, declarou estar comprometida com os padrões web emergentes, liderados pelo HTML5, linguagem que fortalece qualquer browser sem força ou tecnologia para interpretar o Flash, QuickTime ou o Silverlight.

Steve Jobs, defensor do HTML5 e arqui-inimgo da plataforma Flash argumenta justamente que o .swf é um monstro consumidor de recursos e de bateria. Apesar de o smartphone da Apple não conseguir interpretar a linguagem da Adobe, os gadgets móveis munidos com o sistema operacional Android 2.2, do Google, conseguem. Exemplos precoces da aplicação do HTML5 oferecem uma visão do futuro. O Flickr Explorer, por exemplo, permite ao usuário ampliar as imagens na tela e navegar pelos álbuns de maneira mais veloz que o possível na atualidade.

O HTML5 permitirá que jogos complexos sejam rodados nos browsers

Com base em soluções como WebGL, os navegadores serão capazes de fornecer aplicações 3D com base em interfaces de programação  sem a instalação de qualquer plug-in.

“É clicar, e pimba! Você estará se divertindo com um jogo 3D”, diz Upson, que compara o jogo na web à instalação de um sistema ou programa, sem usar uma mídia. Um exemplo de como poderá ser a experiência pode ser vista no YouTube, acessando o vídeo SplitSecond, um jogo com ares de arcade, sendo executado em um browser capaz de interpretar HTML5. A experiência do usuário é semelhante a observada em jogos de console ou de PC 3D.

Uma coisa é certa: o navegador do ano 2015 vai ter um papel muito mais importante no cotidiano do que tem hoje. E isso quer dizer muito. “Todos devem apoiar a web”, diz Upson, que emenda “ a web tem milhões de usuários”.

Isso sem contar os milhões que ainda estão por vir.

 

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