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Como seu iPhone sabe onde você está

A localização de pontos de acesso Wi-Fi e torres celulares permite que a Apple acompanhar os seus passos, e isso é uma informação que vale muito; veja como a tecnologia funciona

Macworld / Reino Unido

28/04/2011 às 15h41

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A experiência dos usuários de iPhone com GPS é tão rápida e instantânea que a resposta publicada esta semana pela Apple sobre o rastreamento de localização no iOS, que causou queixas relacionadas à privacidade no iPhone, parece estranha: "Calcular a localização de um telefone usando apenas os dados do GPS pode levar alguns minutos. O iPhone pode reduzir esse tempo para apenas alguns segundos ao usar informações de pontos de acesso WI-Fi e de torres celulares para encontrar rapidamente satélites GPS."

Vários minutos? Mas o iPhone não leva apenas alguns segundos para descobrir onde eu estou?

Bem, sim... mas apenas quando ele usa alguns "truques" para evitar um processo lento, que era normal quando os receptores GPS surgiram no mercado. Simplificando as coisas, a Apple não está sendo inteiramente precisa sobre como tudo isso funciona e o que ela está fazendo. Por isso, vamos explicar onde as torres celulares e os pontos de Wi-Fi entram nessa história.

Os primeiros receptores de GPS levavam 12,5 minutos, para obter uma localização; buscas futuras na mesma região ainda podiam levar alguns minutos. E se você desligasse um receptor por algumas semanas ou viajasse com ele para algumas centenas de quilômetros, poderia ser necessário começar do zero.

O surgimento do chamado GPS assistido (AGPS) conseguiu diminuir essa espera. Em vez de depender de downloads em tempo real dos dados de posicionamento vindos dos satélites, as localizações futuras podem ser estimadas de forma precisa o bastante para descobrir as posições. Esses cálculos podem ser baixados em segundos ou até mesmo processados em um aparelho.

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iPhone 4: fonte de dados de localização do usuário

O AGPS exige um receptor GPS para funcionar. O iPhone e os modelos 3G do iPad incluem AGPS, assim como praticamente todos os aparelhos rivais com chips GPS, especialmente smartphones Android (o AGPS permite o uso de circuitos GPS muito mais simples e baratos em telefones, reduzindo assim o custo e o gasto de bateria).

É aí que a declaração da Apple (publicada na quarta-feira, 27/4) deixa de ser totalmente precisa. A “maçã” usa AGPS para melhorias em localizações de GPS nativas, e as localizações de redes Wi-Fi e torres de celulares são fatores adicionais para fornecer uma conexão inicial rápida, além de melhorar a precisão do GPS.

As operadoras de celular possuem medições de GPS extremamente precisas das localizações de suas torres. Com uma base de dados de tais torres, é possível medir a força de sinal daquela extensão. Mas as torres celulares ficam muito longe umas das outras para fornecer precisão como GPS, e elas não funcionam bem em áreas menos populosas, onde é necessário menos cobertura, do que em um ambiente urbano.

BuscaWi-Fi
É por isso que a Apple, a Google e outras empresas se voltam para o posicionamento de pontos Wi-Fi. Originado pela Skyhook Wireless, esse processo no começo exigia carros especialmente equipados com antenas Wi-Fi e receptores GPS altamente sensíveis que rodavam pelas cidades para capturar sinais relativos a bilhões de pontos. Como acontece com as torres celulares, se você possui informações de rede e força de sinal suficiente, é possível aproximar uma localização.

É comum para um aparelho com rede como um smartphone tirar uma imagem (snapshot) de fontes próximas de Wi-Fi e sinal celular e passá-la para um servidor, que responde com um conjunto aproximado de coordenadas. Segundo o recente pronunciamento da Apple sobre o assunto, a empresa leva isso um passo à frente ao armazenar em cache subconjuntos de dados sobre redes e torres próximas para reduzir a atividade de rede e aumentar tais buscas. Isso também altera alguns resultados de computação para o telefone ou tablet. E isso significa que se não houver sinal celular ou conexão Wi-Fi disponíveis, tal informação de localização ainda pode ser útil.

A Apple liberou pela primeira vez o posicionamento de Wi-Fi e torres celulares com o iPhone original em uma atualização para o iOS no início de 2008. Esse foi o “conserto” da companhia para o fato de que seu primeiro smartphone não tinha um receptor GPS, que só chegou com o lançamento do iPhone 3G.

É possível ver cada um deles ou ambos em ação sempre que abrir o aplicativo Mapas. Normalmente, você vê um grande círculo azul aparecer quase instantaneamente, um resultado do que deve ser uma consulta da base de dados local. O círculo fica menor à medida que mais informações são utilizadas, ainda de fontes celulares e Wi-Fi.

Esses dados também são usados para fornecer mais pistas para decodificar as melhores informações de satélites GPS, permitindo o uso de fragmentos tão pequenos de informações ou até mesmo sinais “crus” para conseguir uma melhor localização. Finalmente, o círculo se transforma em um simples ponto quando o iOS está confiante de que tem um fecho sólido do GPS.

Fora dos carros e em direção às nuvens
A Apple deixou de usar a Skyhook Wireless como fornecedora de dados a partir do iOS 4.0 para iPhone e iPod Touch, e com o lançamento da versão 3.2 para iPad. Há uma razão para isso. Quando seu smartphone usa posicionamento Wi-Fi, ele envia uma imagem do sinal atual para a Apple, que disse em sua declaração que essa informação é utilizada de forma anônima.

Mas isso também é uma inteligência de mercado incrivelmente útil: sobre a periodicidade com a qual os usuários estão enviando dados e onde esses usuários estão agrupados. Isso pode ser usado para anúncios direcionados e outros propósitos, além daqueles em aplicativos que buscam por dados de localização. É claro que a declaração da Apple deixa claro que nem toda imagem de Wi-Fi é enviada para a empresa. Mas ao utilizar essa colaboração em massa (crowdsource), a “maçã” escapa da necessidade de enviar carros equipados por aí.

 

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