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Como transformar um Mac antigo em servidor de backups

Saiba como fazer daquele equipamento que está encostado uma forma eficiente de guardar dados importantes

Macworld/EUA

17/11/2010 às 17h26

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No fim do século 20, havia uma figura chamada "Computador da Família", um único equipamento estacionado em um cômodo da casa que era dividido por todos os habitantes da residência. Para muitos, esse passado é mais do que distante; com computadores mais portáteis, com preços mais acessíveis e cada vez mais necessários, é muito comum encontrar vários equipamentos espalhados pela casa, alguns deles, aposentados.

Se você tem um Mac mais antigo em casa e não sabe o que fazer com ele, uma das primeiras coisas que se pode considerar como opção é transformar esse velho equipamento em um servidor para backup. Fazer isso não é caro, além de a montagem e a manutenção serem relativamente fáceis. 

Por que um servidor de backup?
Ao perguntar à Apple sobre backups, provavelmente o consumir será direcionado ao disco rígido wireless Time Capsule. Essa é uma solução aceitável e fácil de usar, que permite ao usuário fazer cópias de segurança de Mac múltiplos que estejam rodando Leopard ou Snow Leopard para um único dispositivo da Apple. Entretanto, caso algum desses Macs esteja rodando uma versão anterior do Mac OS, não há suporte para o Time Machine. Além disso, caso o usuário tenha muitos dados, os modelos de 1 ou 2 TB de armazenamento do periférico talvez não sejam suficientes e, claro, por 999 reais (1TB) ou 1599 reais (2TB), paga-se por recursos que vão além do armazenamento, incluindo o roteamento wireless. 

Um servidor de backup baseado em Mac permite driblar essas limitações. Com o software correto é possível armazenar arquivos não só de versões antigas do Mac OS, como também de computadores com Windows ou Linux. O espaço para armazenamento pode ser aumentado conforme a necessidade e só se paga pego software para backup e armazenamento, em vez de um roteador wireless, que pode ser redundante, se você já tiver um.

Sobre a montagem
Uma das razões pelas quais um Mac antigo é ideal para esse tipo de tarefa é porque não é preciso muita potência. A maioria dos programas para backup hoje em dia rodam tanto em processadores Intel quanto em um PowerPC, necessitam que o Mac tenha não mais do que 1GB de RAM, e muitos rodam em versões antigas do sistema operacional (o Retrospect 8 da Roxio, contudo, requer OS X 10.5 ou superior e 2GB de RAM). 

O ideal é que o Mac designado para o backup não seja um devorador de energia elétrica (pense em um Power Mac G5). A primeira e segunda gerações do Mac mini ou MacBook também são bons candidatos nesse quesito exatamente porque consomem pouca energia. Independentemente de qual Mac seja escolhido para servir como servidor de backup, crie uma rotina dentro das preferências de Energy Saver do sistema para que ele seja ligado quando for necessário copiar os dados de outros computadores e que seja desligado ou entre em repouso quando estiver inativo. 

O servidor e todos os Macs que o usuário deseja que enviem as cópias de segurança terão que estar na mesma rede. Para backups mais rápidos, use uma rede cabeada (de preferência gigabit Ethernet). Caso isso não seja possível, use uma rede sem fio e fique preparado para deixar os equipamentos ligados por extensos períodos de tempo enquanto os arquivos são copiados. 

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Por gastar pouca energia, um velho Mac mini é uma boa opção

 Todavia, caso o usuário tenha muitos Macs com muitos dados, esteja ansioso para acabar com tudo isso mas não deseje espalhar cabos pela casa, uma alternativa  é arrastar todos os computadores para a mesma sala do servidor e fazer o backup inicial em uma rede cabeada (ou levar o servidor Mac para cada computador). Feito isso, basta retornar os computadores para seus respectivos locais e realizar os backups subsequentes a partir da rede sem fio; como esses backups são apenas incrementos, não demoram tanto. 

Em relação a armazenamento, discos rígidos são hoje a maneira mais fácil de guardar esses backups. Copiar esses dados em CDs ou DVDs é válido caso o usuário tenha poucos arquivos e um único Mac para fazer cópias de segurança, apesar de ser mais trabalhoso, caso haja mais de um equipamento. A não ser que o usuário tenha um Mac com um disco rígido que seja facilmente "atualizável" (um velho Mac Pro ou Power Mac G5, por exemplo) é mais interessante utilizar um HD externo – e há uma grande variedade de tamanhos e preços no mercado. 

O próximo passo é calcular qual será o tamanho necessário para copiar o conteúdo de todos os computadores e talvez duplicá-lo ou mesmo triplicá-lo. Graças aos enormes arquivos de mídia e bibliotecas, muitos dados podem ser guardados hoje em dia. A não ser que o armazenamento em nuvem passe a ser padrão, o movimento esperado é que seja possível guardar cada vez mais dados no futuro. Enquanto um HD de 1TB parece impossível de ser preenchido, daqui a alguns anos isso pode ser completamente diferente. 

O que guardar
A parte mais difícil do backup é decidir o que deve ser copiado e o que deve ser descartado. Caso o usuário não tenha muitos dados e possua muito espaço, não é preciso esquentar a cabeça em copiar esse conteúdo para a pasta pessoal do usuário (Home). Desde que os dados importantes estejam dentro dessa pasta, não há o que se preocupar. No entanto, caso o  usuário geralmente salve arquivos fora de sua pasta pessoal -  no nível root do disco rígido, por exemplo – é preciso considerar a possibilidade de mover esses dados para dentro dessa pasta pessoal ou configurar o software de backup para que procure por seus dados em todos os cantos do disco.

Porém, caso esteja fazendo cópias de segurança de múltiplos Macs e todos possuem muitos dados, é preciso ser seletivo. Nesse momento, faça a si mesmo a pergunta: quais são as informações que não podem, de maneira alguma, ser perdidas? Para maioria das pessoas, a lista resultante tem como itens fotos e vídeos pessoais, e-mails, dados financeiros, projetos de trabalho em progresso e finalizados, contatos, eventos do calendário e sites favoritos. 

Agora trabalhe numa maneira de analisar o possível arrependimento. Por exemplo, caso o usuário possua muitas músicas e vídeos ou tenha passado semanas copiando coleções de CDs, esse conteúdo deve ser guardado. Em contrapartida, provavelmente aqueles trabalhos da época do colégio ou a pasta com as pegadinhas em vídeo e piadas em PowerPoint que foram baixadas de sua conta AOL podem ser apagados. Além disso, caso tenha os instaladores de seus aplicativos (ou se puderem ser baixados facilmente) não é preciso fazer backup desses programas nem de seus arquivos de suporte, como temas do iDVDss e loops do GarageBand. 

Software
Há muitas opções disponíveis. O próprio Time Machine da Apple não poderia ser mais fácil de usar e é uma solução sólida para backups de um único computador. O Carbon Copy Cloner, programa gratuito da Bombich Software e o SuperDuper! da Shirt Pocket Software (28 dólares) são ótimas escolhas para realizar backups bootáveis. 

Para backups simples de múltiplos Macs, a melhor opção é  ChronoSync da Econ Technologies (40 dólares), mas caso o usuário transite em um território multiplaforma de Macs e PCs (com Windows e/ou Linux), o Retrospect 8 (agora da Roxio) é bom, apesar de ser ocasionalmente complicado. 

ChronoSync
Apesar de o nome insinuar uma ferramenta de sincronização, a quarta versão do software se tornou um programa poderoso para backup. De maneira muito simples, o usuário escolhe a fonte – uma pasta do Mac, por exemplo – e um destino, que pode ser um HD externo que esteja ligado ao computador. Basta clicar no botão Synchronize e os arquivos selecionados são copiados para o destino em seu estado atual -  como arquivos e pastas individuais, facilitando na hora de restaurar somente os arquivos desejados. 

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Para backups de múltiplos Macs, o ChronoSync é uma opção flexível e não pesa tanto no bolso

 Contudo ele também pode fazer cópias de segurança de dados de Macs em uma rede. Basta montar o drive de um Mac que esteja conectado à rede, escolher o computador ou um diretório do mesmo como fonte e, então, selecionar o destino (novamente, o disco acoplado ao Mac que servirá de servidor de backup. Ao escolher um drive em uma rede, o ChronoSync pode montá-lo, caso ele não esteja montado; há uma opção para armazenar o nome de usuário e senha necessários para montar o servidor para que o software não peça essas informações ao realizar o backup. O programa pode também ser configurado para desmontar o drive quando as cópias estiverem completas. 

O ChronoSync fornece recursos para arquivos que foram apagados ou atualizados. Habilite a opção Srynchronize Deletions e qualquer arquivo que seja eliminado da fonte também será apagado do backup; ao habilitar a ferramenta Archive Replaced Files, o programa é instruído para manter uma cópia de todas as modificações de um arquivo. Logo, assim como acontece no Time Machine, o usuário pode visitar a área de arquivo do ChronoSync e obter versões antigas dos documentos.

Apesar desse programa conseguir montar volumes e drives de uma rede, para a configuração de backup de múltiplos Macs a opção mais sábia talvez seja instalar uma cópia do ChronoAgent em cada Mac que será feito o backup (10 dólares por cópia e a licença para até cinco máquinas sai por 40 dólares). Esse programa traz algumas vantagens: em primeiro lugar, ele se comunica diretamente com o ChronoSync; essa conexão direta permite ao programa scanear arquivos mais rapidamente do que se fossem utilizados protocolos de rede normais como AFP ou SMP. Ele também faz com que o ChroneSync tenha acesso completo ao conteúdo do Mac, muito além do que somente arquivos e diretórios aprovados – o ChronoSync, ao montar e fazer backup de volumes em uma rede pode encontrar problemas de permissão caso faça isso sozinho; juntamente com o Chrono Agent, esse obstáculo não acontece. Além disso, os Macs que estejam rodando o ChronoAgent podem ser configurados para fazer cópias de segurança de seus dados assim que forem conectados à rede; isso é muito prático para fazer backup de laptops que retornaram de uma viagem ou que não puderam fazer um backup programado. 

Com esse software instalado em todos os Macs, o fluxo de trabalho funciona mais ou menos assim: após a instalação do ChronoSync no computador que será usado como servidor de backup, o usuário pode plugar o HD Externo (por exemplo) – sabendo que todas as outras máquinas possuem uma cópia do ChronoAgnt instalado. É preciso criar um documento ChronoSync Syncronizer separado (que detalha o esquema de backup) para cada Mac. Então, o usuário salva esses documentos em um container do ChronoSync – o programa contém muitos documentos de sincronização que são executados em ordem para o momento em que o arquivo do container é executado. Finalmente, uma rotina é criada para que esse documento do container rode em um determinado período do dia – ao final de uma rotina de trabalho, por exemplo. 

Retrospect
Nos tempos de OS 9 e outras versões mais antigas, se  backup para você era coisa séria, o software da Dantz era a ferramenta ideal. Infelizmente, a transição para o OS X foi complicada para o Retrospect: a interface ficou mais complexa e o programa perdeu alguns de seus recursos. Em maio desse ano, a Sonic Solutions comprou o Retrospect de seu dono, à época a EMC, e inseriu o software na divisão da Roxio, também da Sonic. 

A atual versão 8.2 do Retrospect é um produto muito direcionado para pequenas e médias empresas. Entretanto, por 129 dólares, o Retrospect Desktop 8 para Mac com três clientes é uma solução flexível e não tão cara para quem precisa fazer backups de Macs e também de PCs com Windows e/ou Linux.

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Multiplataforma: se os computadores tiverem mais de um sistema operacional, o Retrospect é a escolha

 

Assim como o ChronoSync armazena dados como documentos individuais, o Retrospect cria arquivos, chamados de Media Sets, que contém as cópias de segurança dos dados. Um único Media Set pode conter backups de múltiplas fontes, como o drive interno de um MacBook, a biblioteca do iPhoto de um Mac Pro e a pasta de usuário de um PC com Windows. E esses documentos podem scanear múltiplos drives, discos e outras mídias.  Uma lista dos conteúdos de um media set é mantido em um catálogo, que pode ser facilmente examinado para localizar somente os arquivos que deve ser restaurados. 

O Retrospect requer que o usuário instale clientes de aplicações em todos os computadores de que serão feitos os backups (licenças adicionais para esses clientes custam 38 dólares cada; cinco licenças saem por 149 ou dez licenças por 299 dólares). Similar ao ChronoAgent do ChronoSync, o Retrspect se comunica diretamente com seus clientes a partir da rede, sem a necessidade de montar volumes ou executar um servidor de arquivos no computador. O software, assim como o ChronoSync, inclui a ferramenta chamada Proactive Backup, que faz o backup dos clientes a partir do momento em que eles são conectados à rede, ao invés de esperar o tempo programado, além da habilidade de ligar computadores em repouso conectados à rede para que possam receber o backup.

O Retrospect, em alguns momentos, pode ser difícil de configurar e operar, por causa de sua interface, mas foi significativamente melhorado. Uma vez que estejam adicionados as fontes e os destinos de backup, para criar as cópias de segurança é preciso somente clicar em Backup e navegar pelas preferências de configuração nas quais o usuário escolhe as fontes e o media set que será usado. É possível então programar uma rotina de backup (ou fazer um script no Retrospect parlance). Apesar de estar mais fácil de usar, caso o usuário queira mergulhar nas opções mais avançadas – configurar clientes para serem adicionados automaticamente à aplicação do servidor do Retrospect e alterar as preferências de verificação, por exemplo – o manual será essencial.

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