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Computador do tamanho da ponta de uma caneta é criado nos EUA

Sistema abre nova classe de aplicações em monitoração do corpo humano, do ambiente e de estrutura de prédios.

Computerworld/EUA

24/02/2011 às 12h14

Foto:

Pesquisadores da Universidade de Michigan anunciaram na
quarta-feira (23/2) a criação do primeiro protótipo de um sistema computacional
de escala milimétrica
capaz de armazenar até uma semana de dados se implantado
em algo tão pequeno como um olho humano.

O computador, chamado chip Phoenix, tem volume de apenas um
milímetro cúbico e foi projetado para monitorar a pressão do olho em pacientes
com glaucoma.

computador-milimetrico-160

“Este é o primeiro sistema computacional completo e
autêntico de escala milimétrica”, afirmou em comunicado Dennis Sylvester,
professor da universidade e um dos pesquisadores do projeto.

Dentro do computador há um microprocessador de voltagem
ultrabaixa, um sensor de pressão, memória, bateria com espessura de filme, célula
solar e rádio sem fio, com uma antena capaz de transmitir dados a um aparelho
leitor externo quando posicionado próximo ao olho.

Sleep extremo
O chip usa uma arquitetura de energia com um modo sleep extremo,
que alimenta brevemente o computador a cada 15 minutos para que ele possa
realizar as leituras. Por ficar em modo sleep na maior parte do tempo, o chip reduz
seu consumo de energia, que já é bastante pequeno - quando ligado, sua potência
é de meros 5,3 nanowatts.

O sistema fotovoltaico do chip Phoenix exige dez horas de
luz em ambiente fechado ou 1,5 hora sob a luz do sul para uma recarga completa
da bateria.

O microrrádio do chip sintoniza automaticamente qualquer
frequência sem fio que estiver disponível para baixar seus dados a um leitor.
Os dados podem então ser usados como parte de um registro médico, para
tratamento.

De acordo com pesquisadores, os microcomputadores e suas
redes sem fio poderiam um dia ser usados para medir poluição, monitorar a integridade
de estruturas, fazer vigilâncias, ou fazer com que qualquer objeto seja inteligente
e monitorável. “Nosso trabalho é singular no sentido de que estamos pensando
sobre sistemas completos nos quais todos os componentes são de baixo consumo de
energia e cabem no chip”, disse Sylvester. “Nós podemos coletar, armazenar e
transmitir dados. As aplicações para sistemas deste tamanho são infinitas.”

Os pesquisadores apresentaram seus estudos sobre novos
microcomputadores e redes durante a International Solid-State Circuits
Conference (ISSCC), em San Francisco (EUA). O trabalho é liderado por três
professores da Universidade de Michigan.

Lei de Bell
O professor David Blaauw disse que, uma vez que os chips
atinjam a nanoescala , centenas de computadores poderiam ser incluídos em um
único wafer de silício para realizar múltiplas tarefas de monitoração.

Os pesquisadores apontaram para a Lei de Bell, que
estabelece o surgimento de uma nova classe de computadores menores e pequenos a
cada década. Em cada nova classe, o volume diminui em duas ordens de magnitude
e o número de sistemas por pessoa aumenta. A lei tem se mostrado válida dos
mainframes da década de 1960 aos computadores pessoais de 1980, aos notebooks
de 1990 e aos smartphones do novo milênio, disseram.

“Quando você tem sistemas menores que os dispositivos de
mão, cai nessa classe de aparelhos de monitoração”, afirmou Blaauw em
comunicado. “O próximo grande desafio é chegar aos sistemas de escala
milimétrica, que tem diversas novas aplicações em monitoração do corpo humano,
do ambiente e de prédios.”

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