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Continuity é o futuro da Apple: o aparelho certo no espaço certo.

Recurso integrado ao iOS 8 e OS X Yosemite promete mudar a forma como encaramos nossas máquinas e o trabalho que fazemos nelas.

Serenity Caldwell, Macworld EUA

09/06/2014 às 11h09

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Um aparelho da Apple pode contar muitas histórias. Uma pessoa pode pegar um iPhone e ver um extraordinário dispositivo para comunicação. Outra pode ver uma câmera de bolso perfeita. Mas não importa se você o usa para atividades criativas, para consumir conteúdo ou se mistura ambos, sempre tem de fazer concessões.

Escrevemos e-mails em nossos iPhones porque é conveniente não ter de abrir o notebook, mesmo em locais onde este notebook está facilmente acessível. Arrastamos computadores conosco em aviões porque precisamos dos dados, mesmo que não precisemos das máquinas. Abrimos mão da melhor experiência em favor de tentar fazer com que um aparelho faça tudo, não importa se ele é a ferramenta certa para o trabalho.

Faço isso constantemente. Passo 15 minutos brigando com o corretor automático de meu iPhone para conversar com um amigo, enquanto estou sentado bem em frente ao meu MacBook Air. Arrasto um computador pela casa para ler um artigo, em vez de pegar o iPad e abrir a mesma aba nele. Atualmente há algumas ferramentas que permitem uma experiência de uso entre múltiplos dispositivos, mas no fundo somos criaturas teimosas. Se não é fácil, não fazemos. Preferimos fazer concessões.

Ligando os pontos

A Apple nunca foi uma empresa que gosta de fazer concessões. Ela luta pela perfeição e pelo “simplesmente funciona”. Já vimos isso várias vezes: a empresa investe tempo para moldar e aperfeiçoar recursos e dispositivos que os seus concorrentes ignoraram ou nos quais não fizeram um bom serviço. O iPod, iTunes, iPhone, iPad, OS X, Multitarefa, Telas Retina, Swift.

Isso não quer dizer que qualquer produto ou serviço da Apple nasça completamente formado. Há várias idéias e serviços que precisam de refino para que alcancem seu verdadeiro potencial (como o iMessage). Apesar destes deslizes iniciais, o objetivo declarado da Apple sempre foi fazer as melhores experiências para os seus consumidores, para ajudar os usuários a contar as melhores histórias que podem, com as melhores ferramentas.

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Mas as nossas histórias estão se expandindo. Não estamos mais presos a mesas e conexões Ethernet, estamos livres para mover nossa computação por todo o mundo. E a Apple, em parte, nos ajudou a chegar lá. O iPhone e o iPad, combinados a uma conexão celular, nos deram um novo campo a explorar.

Mas como unificamos estas histórias? Como unificamos nossas experiências no mundo afora com o trabalho que fazemos em casa? É a questão que startups e gigantes sociais vem tentando responder. É a questão que a Apple espera responder com o Continuity, um recurso do iOS 8 e do OS X Yosemite que foi anunciado durante a WWDC nesta semana.

Uma fundação para o futuro

Não estamos mais vivendo nossas vidas presos a um único dispositivo. Estamos “na nuvem”. Estamos online, dentro de nossos projetos, em nossos e-mails, vivendo neste estranho espaço entre os aparelhos. Mas como, por enquanto, nós não vivemos em um mundo sci-fi onde podemos nos comunicar diretamente e sem fios com a nuvem, precisamos de aparelhos para intermediar esta conexão.

E é aqui que a Apple brilha. Ela é a empresa que tem uma obsessão pela conexão do usuário com a tecnologia. Ela passou os últimos 30 anos tornando o computador pessoal, telefone e tablet essenciais para a construção de uma vida conectada. E pelo que parece, irá gastar os próximos 30 anos unificando estes aparelhos para lhe permitir contar sua história onde quer que você esteja, não importa o que esteja usando.

Com o Continuity, a Apple está construindo uma fundação para o futuro. Um lugar onde cada um dos seus aparelhos, atuais ou hipotéticos, poderá existir em seu próprio espaço, fazendo o que faz de melhor. É um lugar onde você pode colocar todo o seu trabalho em um iPhone ou iPad, mas porque deveria, quando em vez disso você pode trabalhar em qualquer aparelho que seja o melhor para a tarefa atual?

Vimos a Apple experimentar com isso com isso ao longo dos últimos anos, em vários espaços: projetos multiplataforma no GarageBand, Messages, AirPlay, abas no iCloud. Estes eram experimentos, os primeiros passos em um mundo hipotético onde os usuários poderiam se mover de um dispositivo para o outro dependendo da tarefa à mão, em vez de colocar tudo em um espaço só.

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Mas com o o iOS 8 e OS X Yosemite, o Continuity irá transformar este mundo hipotético em realidade. Envie um artigo do iPad para o Mac, responda chamadas no computador, comece e-mail em um lugar e termine no outro.

Não sabemos ainda se o Continuity irá “simplesmente funcionar”. Demonstrações em uma palestra são uma coisa, uso ativo por milhões de usuários é outra. Vimos a empresa cambalear e cair anteriormente. Mas ela está estabelecendo a fundação para esta mudança há vários anos, e mesmo que não seja perfeita, ainda há espaço para crescer e melhorar.

A Apple fez uma promessa. O futuro da computação deve ser livre das limitações de arquivos e velocidades de processadores, de tamanhos de telas e de portabilidade. Ele deve tornar o hardware invisível e colocar o foco no trabalho que você está fazendo.

E é um futuro que a empresa pode aprimorar. É um futuro onde os números de vendas do Mac ou a popularidade do “Próximo Grande Sucesso” não importam. Em vez disso é sobre o ecossistema Apple como um todo, os usuários que se conectam a ele e as histórias que querem contar.

Se o Continuity funcionar tão bem quanto a Apple promete, estas serão algumas histórias “insanamente grandes”.

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