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#CPBR12: No futuro, seu celular saberá quando você fingir emoções

Em palestra na Campus Party Brasil, pesquisadora Poppy Crum destaca como a tecnologia empática poderá prever aquilo que estamos sentindo

Caio Carvalho

13/02/2019 às 16h14

Foto: Shutterstock

Responda rápido: quantas vezes você fingiu expressar uma emoção diferente daquela que estava realmente sentindo? Ou fez cara de paisagem em uma determinada situação? Bom, no que depender da tecnologia, estamos próximos a um futuro que não será mais possível disfarçar sentimentos, pois os computadores, smartphones e dispositivos que nos cercam terão a capacidade de identificar e até mesmo prever nossos comportamentos.

Parece algo assustador, mas já está acontecendo. E foi sobre isso que Poppy Crum debateu no maior palco da Campus Party Brasil 2019. Poppy é cientista-chefe da Dolby Laboratories e professora da Universidade de Stanford, onde conduz estudos sobre como as tecnologias têm alterado a percepção dos seres humanos, moldando o cérebro de acordo com novas aplicações.

De acordo com a pesquisadora, as tecnologias de inteligência artificial (IA) vão liderar esse movimento empático. Primeiro, elas tinham como objetivo facilitar a compreensão de inúmeros processos e aprender com erros e acertos na execução das tarefas. Praticamente qualquer aparelho de última geração possui em sua arquitetura elementos de IA, que utiliza algoritmos específicos para fornecer uma melhor experiência ao usuário.

Agora, o próximo passo é usar a inteligência artificial para descobrir se as emoções das pessoas são reais ou não. Contudo, esse movimento, na opinião de Poppy, é bastante perigoso. "Como humanos, queremos ter o controle cognitivo do que nós compartilhamos. Que experiencias queremos compartilhar com os outros, quais emoções, sentimentos, atribuições. No entanto, qualquer tecnologia que criamos, por mais boa que pareça, pode criar situações distópicas", diz.

Todos os sentidos

Poppy destaca que um dos fatores cruciais para o crescimento dessa tecnologia será a percepção que ela tem dos sentidos humanos. Pense, por exemplo, na voz: uma mesma frase pode ter mais de um significado dependendo de vários fatores - entonação, volume, se a voz é mais grossa ou fina, entre outros. Partindo desse princípio, as tecnologias do futuro poderão ditar se uma pessoa está sendo verdadeira no que diz ou se está blefando.

O mesmo se aplica à pele. Poppy afirma que algumas tecnologias atuais já conseguem identificar o que uma pessoa está sentindo a partir da temperatura corporal. Além disso, cada pessoa vivencia experiências diferentes a partir das mesmas informações, pois cada indivíduo possui um padrão único.

"Nossa tecnologia, que já é inteligente, usa as nossas vontades para tomar decisões. E isso estará nas interfaces [dos dispositivos] que usaremos no futuro. A tecnologia empática transformará a relação que temos com os outros e os espaços onde trabalhamos, moramos e interagimos com os demais. Nosso cérebro está evoluindo constantemente para que possamos ser bem-sucedidos nesses locais", explica.

A parte boa

Embora destaque os perigos que as tecnologias de aprendizado podem causar, Poppy se mostra otimista com o fim da poker face, quando ninguém mais poderá fingir emoções e sentimentos. "Há um caminho enorme pela frente, pois os benefícios que podemos receber são fenomenais. E daqui para frente não voltaremos atrás. Temos de pensar na parte boa da tecnologia, e quantas pessoas serão ajudadas por ela, ao mesmo tempo em que devemos protegê-la e evitar que se torne uma ameaça vista nos livros e filmes de ficção científica", diz.

Segundo a cientista, tecnologias não-personalizadas perderão espaço, pois cada vez mais os algoritmos tentarão saber tudo o que acontece na vida dos usuários. Um dos exemplos dessas aplicações é na área da saúde: a partir de mudanças no padrão vocal, um aplicativo de celular poderá detectar sintomas de Alzheimer cerca de dez anos antes da doença começar a se manifestar. Em casos de transtorno bipolar, um algoritmo pode prever quando a pessoa terá um ataque.

"A tecnologia não é do mal, mas sim a forma como é usada em algumas aplicações. Temos que levar em consideração o processo como um todo, e não apenas o resultado final. Se pensarmos na tecnologia dessa forma, teremos poder para mudar o futuro", conclui.

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