Home > Notícias

Crescimento de aplicações na web ameaça hegemonia do Windows

Analistas do Gartner prevêem que, em 2011, maioria dos aplicativos empresariais rodará em ambientes não proprietários.

CIO

08/05/2008 às 13h12

Foto:

Na sessão de tendências emergentes do Gartner, os analistas Neil MacDonald e Michael Silver identificaram as muitas razões pelas quais o Windows (e também a Microsoft) está em apuros.

O tempo de desenvolvimento do sistema operacional da Microsoft é muito longo e resulta em algo com limitada carga de inovação. Os sistemas operacionais oferecem uma experiência inconsistente entre plataformas, com problemas significativos de compatibilidade.

Além disso, outros fornecedores estão inovando muito mais que a Microsoft. Isso dá aos clientes produtos imprevisíveis com valor limitado, custos de gerenciamento altos, e quebra de muitos aplicativos que levaram muito tempo para serem testados e adotados. Com os usuários finais trazendo suas próprias soluções de software para dentro do escritório... Bem, é um passo para termos uma história triste sobre a Microsoft.

Esses argumentos provavelmente não surpreendem você. Mas os analistas do Gartner ofereceram alguns outros pontos para mostrar como o Windows está em um mundo de grandes desafios. No alto da lista está a complexidade do sistema operacional, sua falta de modularidade e o crescente movimento de Web-based e outras aplicações sem amarras.

Alguns de seus argumentos:

Mercados maduros têm crescimento limitado em termos de hardware. O negócio de hardware deve crescer apenas de 2 a 8% entre 2015 e 2011. As oportunidades para PCs são altas apenas em mercados emergentes, onde a taxa de crescimento é de 16 - 24% para storage, por exemplo - e o Vista não é adequado para esse modelo de memória. O Linux é o sistema operacional preferido em computadores pouco sofisticados, incluindo “one laptop per child” e a Microsoft certamente não quer ver isso acontecer. “Todas essas coisas estão em oposição ao que vemos em expansão do uso de computadores anos após anos,” diz MacDonald.

Compatibilidade de versões é relevante em mais do que em termos de desenvolvimento de software. Algumas tendências da indústria implicam que nós precisamos escalar a computação. O resultado, eles acreditam, é que empresas vão querer customizar o sistema operacional baseado nas necessidades.

A Microsoft tem dado alguns passos nessa direção, eles apontaram; por exemplo, o Microsoft Server 2008 pode ser baseado em funções. “Esse é um passo na direção certa, mas ainda muito superficial,” disse Silver. Sendo que é preciso uma mudança radical em arquitetura que vão além de empacotar DLLs, ele acrescentou.

O movimento para servidores não proprietários ainda está apenas começando mas em breve terá um efeito enorme na computação empresarial. As aplicações legadas não sumirão, nem se as aplicações novas forem baseadas na web, eles dizem.

Mas isso não ficará assim. Hoje, 70% a 80% das aplicações corporativas requerem o Windows para rodarem, mas os analistas do Gartner esperam um ponto de ruptura em 2011, quando a maioria dessas aplicações serão não proprietárias, tais como as aplicações baseadas em web. “Em algum ponto no meio da próxima década, o Windows terá um papel bem menor no desktop,” diz MacDonald.

A virtualização muda nossa forma do que é um sistema operacional. A virtualização começa oferecendo níveis de abstração entre os sistemas operacionais e o hardware, apontaram os analistas. A virtualização está tomando alguns dos papeis que eram do sistema operacional. E ainda, diz o Gartner: não mude para o Vista.

Todos esses pontos não significam que sua empresa deve ignorar o Vista completamente. Apesar de que metade dos clientes do Gartner pesquisados não planeja começar a migração para o Vista até a segunda metade de 2008. “Nós não recomendamos a mudança para o Vista,” disse MacDonald. Eles, entretanto, sugerem que as empresas, no curto prazo, adotem o Vista por inércia (por exemplo, quando uma máquina é adquirida com o sistema operacional). Isso não por conta das virtudes do sistema operacional, diz MacDonald, porque Windows 7 está planejado para ser entregue em 2009 ou 2010 e você não quer esperar até 2012 até começar a usá-lo.

Os analistas recomendam que no curto prazo, as companhias escolham entre as opções de sistemas operacionais Windows enquanto determinam o próprio ponto de mudança para aplicações não proprietárias. No próximo ano, eles dizem, gerentes de TI devem avaliar onde aplicações de virtualização e sistemas operacionais podem prover vantagens.

Você deve considerar outros sistemas operacionais? MacDonand e Silver acreditam que pelo menos você deve avaliar o custo de mudar para outro ambiente. A Microsoft não mudará sua mensagem ao menos que empresas tornem claro que adotarão as tecnologias que melhor se adéqüem às necessidades de seus usuários, dizem.

O que a Microsoft pensa de tudo isso? MacDonald e Silver disseram que falaram com Steve Ballmer sobre a análise, mas 95% das vendas da Microsoft provêm  de contratos de OEMs. Ballmer “tem bilhões em risco,” diz Silver. “Acredito que a Microsoft adotará um passo lento de mudanças incrementais porque essa é a forma mais segura para os acionistas.”

Tags

Junte-se a nós e receba nossas melhores histórias de tecnologia. Newsletter por e-mail Newsletter por e-mail