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Crise econômica afeta capacidade de financiamento de empresas de TI

Volume de capital disponível chega a nível mais baixo desde a década de 70. Número de IPOs caiu de 86 em 2007 para apenas 6 este ano.

Computerworld/EUA

01/10/2008 às 16h51

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O setor de tecnologia está vivenciando um crash. Não apenas em relação aos preços das ações, mas também na habilidade de criar empresas e abrir capital.

Este ano, até o momento, apenas seis empresas financiadas por capital de risco (venture capital) fizeram oferta pública de capital (IPOs), segundo a National Venture Capital Association (associação americana que representa as empresas de venture capital). O número é irrisório em comparação ao do ano passado: 86.

O colapso recente dos bancos de investimentos Lehman Brothers e Bear Stearns está exacerbando o problema.

Na semana passada, o comitê da NVCA sediado na cidade de Arlington, Estados Unidos, decidiu criar uma série de forças-tarefa para investigar as causas que levaram a essa drástica diminuição nas aberturas de capital.

A queda do número de IPOs pode estar relacionada à crise financeira que assola o mercado americano, mas também pode ter relação com as diversas regulamentações que surgiram após o estouro da bolha da Internet, em 2001. Em qualquer um dos casos, os grupos de trabalho estão munidos de recomendações de ações que podem retomar o fluxo de investimentos.

Sem IPOs, “a economia de maneira geral começa a se estagnar. Essas (as companhias abertas) são as empresas que realmente criam empregos e movimentam o mercado”, afirmou Mark Heesen, presidente da NVCA.

No segundo trimestre deste ano, nenhuma abertura de capital, apoiada por capital de risco, foi registrada. É a primeira vez que isso acontece desde 1978. Ao anunciar estes resultados, em julho, Heesen indicou que o mercado estava em sérios apuros. Dois meses depois, o mundo financeiro presenciou uma das maiores crises da história.

Em um relatório divulgado na segunda-feira (29/09), a PricewaterhouseCoopers afirmou que o mercado de IPOs suportados por venture capital está em seu nível mais baixo dos últimos 30 anos, mesmo considerando o fato dos investidores continuarem a angariar fundos em ritmo constante.

Isso significa que pode demorar mais para uma empresa decidir lançar ações na bolsa. Por outro lado, as companhias tendem a estar mais maduras quando decidem partir para o IPO.
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As aberturas de capital, geralmente, são para pagar os investimentos iniciais feitos nas empresas e que apresentam riscos altíssimos. Por esse motivo, não é surpreendente ver as companhias de venture capital colocando dinheiro em novas empresas, como o Facebook.

Só no segundo trimestre deste ano, as empresas de venture capital investiram mais de 7 bilhões de dólares em 990 negócios. A indústria de software recebeu 1,25 bilhão de dólares em 219 acordos. Mas, se ficar muito difícil para estas companhias abrir capital, pode ficar impossível para novas empresas conseguirem fundos.

Segundo Mark Jensen, sócio do braço de serviços de venture capital da Deloitte, na era das ponto com, a indústria de tecnologia do Vale do Silício tinha acesso direto a firmas de investimentos que antes eram completamente dominadas pelas grandes empresas de Nova York.

Com a quebra do Lehman e do Bear Stearns, “Wall Street deve passar por uma transformação radical que estamos apenas começando a pensar nas conseqüências”, afirmou Jensen.

O executivo diz que tem clientes considerando levar ofertas para câmbios estrangeiros numa tentativa de alavancar capital. Novas empresas também podem atrair investimentos de fundos soberanos de outros países, como as nações do Golfo Pérsico. “Este é um assunto que precisa ser discutido e diz respeito à competitividade dos Estados Unidos”, relata Jensen.

Para os usuários de tecnologia, segundo Frank Scavo, presidente da empresa de pesquisas Computer Economics, a questão do financiamento de IPOs é estratégica. Se pequenas empresas inovadoras não conseguem fundos, os grandes fornecedores tendem a investirem menos em inovações por sentirem menos pressão, além de aumentarem suas posições dominantes.

Para as startups em busca de capital neste momento, a presença empresas de private equity como a do mega-investidor Warren Buffet, que teve cerca de 5 bilhões de dólares para investir no Goldman Sachs, significa que ainda existe dinheiro disponível.

O acesso ao capital de risco dá às companhias iniciantes a força necessária para desafiar as empresas já estabelecidas com novas abordagens tecnológicas. Muitas dessas empresas fracassaram com a bolha, mas algumas tiveram sucessos exemplares. O caso mais notório é o do Google, fundado dez anos antes de abrir capital, em 2004.

“Os eventos desta semana gera nervosismo e os executivos, quando estão nervosos, tendem a adiar decisões sobre investimentos”, afirmou Scavo. Caso as empresas não tenham acesso ao crédito que precisam, o mercado poderá ver uma diminuição de novas iniciativas.

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