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Crise econômica global leva empresas de TI a demitirem funcionários

Empresas como AMD, Nokia e Nortel dispensam centenas de funcionários em resposta à recessão que atinge a economia americana.

Pedro Marques, editor-assistente do IDG Now!

06/11/2008 às 19h43

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Os últimos meses de 2008 estão sendo particularmente ruins para as empresas de tecnologia. Com o agravamento da crise global e de uma conseqüente escassez de crédito no mercado, muitas empresas estão revendo suas estratégias e tomando medidas para cortar custos - medidas que, quase sempre, resultam em demissões em massa.

A vítima mais recente das condições ruins do mercado foi a AMD. A empresa anunciou nesta quinta-feira (06/11) que vai demitir mais 500 empregados. É o segundo corte do ano. No primeiro, 1,6 mil funcionários foram demitidos.

Para Reinaldo Roveri, gerente de pesquisas de Enterprise Solutions da IDC Brasil, as demissões são "medidas cautelares". "Existem muitos fatores que confirmam a previsão de que a economia norte-americana, onde estão os grandes compradores do mundo, vai desacelerar e até mesmo estagnar", disse o consultor. Por isso, "é natural que essas empresas busquem medidas cautelares para obterem resultados positivos a curto médio prazo", afirmou o consultor.

É o caso da Nokia, maior fabricante de celulares do mundo, que anunciou na terça-feira (04/11) a demissão de 600 funcionários e a reestruturação da unidade de pesquisa e desenvolvimento. De acordo com a empresa, as mudanças já estavam previstas. No total, a empresa tem aproximadamente 123 mil funcionários.

Na semana passada, a Electronic Arts divulgou seus resultados trimestrais e um prejuízo de 310 milhões de dólares no período. Por causa do desempenho considerado abaixo das expectativas, 540 funcionários serão dispensados.

A Symantec foi outra empresa a alegar dificuldades financeiras para justificar demissões em massa. Segundo o Chief Finance Officer (CFO) da empresa, James Beer, a empresa vai demitir 4,5% de seus 17,8 mil funcionários - ou cerca de 800 pessoas. As demissões começarão a ser notificadas em novembro e vão atingir todos os países em que a empresa de segurança atua.
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Problemas estruturais
Para as empresas que já passavam por problemas em seus negócios, a crise global traz resultados ainda piores. A Motorola, por exemplo, registrou prejuízo de 397 milhões de dólares no seu último trimestre fiscal. Para tentar equacionar os maus resultados, a companhia vai dispensar 3 mil pessoas e adiou os planos para vender a unidade de telefonia móvel, que vem apresentando déficits seguidos há um certo tempo.

A Dell, que neste ano demitiu 8.800 empregados, pediu para que seus funcionários tirarem 5 dias de licença não-remunerada nos EUA, a fim de economizar gastos. A recessão atinge diretamente as vendas de desktops e notebooks da companhia.

A Circuit City, segunda maior rede de lojas de informática dos EUA, anunciou o fechamento de 155 lojas. A empresa não informou quantos funcionários serão dispensados com o fechamento dos pontos de venda, mas o Wall Street Journal estima que milhares de pessoas serão demitidas. Atualmente, a rede conta com 770 lojas.

A Nortel Networks anunciou planos de demitir entre 3 e 5 mil funcionários. O número exato será divulgado na próxima segunda-feira (10/11), quando a empresa divulgar os resultados do terceiro trimestre fiscal. No começo do ano, a companhia anunciou a demissão de 2.100 empregados e a transferência de outros mil para escritórios em outros países.

Segundo Roveri, da IDC, o período de cortes deve durar mais um pouco: "Sentiremos os efeitos da crise pelos próximos dois anos."

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