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Crise financeira acarreta queda na receita de empresas de TI

Além dos resultados ruins, crise atinge mercado de tecnologia reduzindo oferta de ações de TI nas bolsas de valores pelo mundo.

Network World, EUA

10/10/2008 às 15h24

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Dois dos maiores impactos da crise financeira nos Estados
Unidos na indústria de TI estão na diminuição dos ganhos dos fornecedores do
setor e na redução
de empresas abrindo capital
.

A gigante de software SAP disse que a preocupação com o
mercado de ações culminou em uma "queda muito rápida e inesperada nos negócios,"
o que resultou em ganhos menores do que o esperado pela empresa alemã. Já a
empresa de CRM RightNow falou que perdeu dinheiro nas suas despesas
operacionais por que os clientes estão levando mais tempo para pagar as suas
contas.

Os IPOs são menos freqüentes do que em 30 anos. Isto é péssimo
para a tecnologia, tipicamente o setor que faz mais IPOs do que qualquer outro.

Como se não bastasse, clientes devem gastar menos com novos
produtos em uma economia fraca. A pergunta é quanto tempo a instabilidade vai
continuar.

"Não está claro se este é o fundo do poço. Quanto mais
piorar, mais tempo vai levar a recuperação," disse Charles King, analista
da Pund-IT.

Alguns analistas financeiros diminuíram as previsões de
ganhos para companhias como IBM, HP, Dell, Sun e EMC.
 
Mas a IBM, que antecipou a divulgação de resultados, relatou
uma alta de 20% na receita do terceiro trimestre
e garantiu que a previsão de
lucro segue inalterada.

O setor de storage está indo relativamente bem nesse período.
É difícil evitar comprar storage quando não pára de crescer a quantidade de dados
para ser armazenados, apontou King. A virtualização também deve seguir forte
por reduzir custos dos clientes, acrescentou.

Mas, para ele, empresas como a SAP e Sun devem continuar a
sofrer porque têm muitos clientes no setor financeiro – o foco da atual crise
nos EUA. “Há muita incerteza no setor financeiro. Acredito que as compras vão
diminuir dramaticamente”, disse.

A SAP anunciou que seus ganhos no terceiro trimestre, ainda
que maiores do que os do mesmo período do ano passado, ficarão em 2,6 bilhões
de dólares, menos do que o estimado inicialmente. A notícia derrubou as ações
da SAP em 15%.

"Nós tivemos um bom desempenho durante todo o quartil. A
predicabilidade desapareceu quando a crise financeira se acelerou
dramaticamente, tendo um forte impacto na nossa capacidade de fechar novos
contratos. Diversos clientes deixaram clara a necessidade de se focar em
preocupações mais de curto prazo e colocaram os investimentos de TI em espera
por enquanto", disse o co-CEO Henning Kagermann.

A SAP não é a única com esse problema. Para David Mitchell,
da Ovum, várias empresas de TI tiveram "contratos cancelados ou rejeitados
[nas duas últimas semanas de setembro] por conta do atual clima do mercado”.
 
A Ovum afirma que as empresas devem tentar sobreviver à
tempestade econômica diversificando os produtos e serviços, além de buscar
outras regiões como Europa, Oriente Médio e Ásia-Pacifico.

A maior rival da SAP, a Oracle, aparentemente está indo bem,
aponta relatório do Goldman Sachs.

A Oracle está se beneficiando de um "fluxo de receita
perene e de alta margem, de uma capacidade acima da média de vender seus próprios
produtos para os mesmos clientes, de banco de dados para middleware e aplicações,"
define o Goldman Sachs no relatório.

Resta saber se, com as condições macroeconômicas cada vez mais degradadas, a resistência da empresa vai continuar por muito tempo.

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