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Dados privados em redes sociais deveriam virar fonte de lucro?

Para pesquisadora da Microsoft, sites deveriam levar em conta os mesmos limites de privacidade dos relacionamentos da vida real.

IDG News Service

30/04/2010 às 14h57

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Embora os serviços de redes sociais possuam legalmente os dados de usuários gerados em seus sites, eles não devem utilizar este conteúdo fora do contexto no qual foi criado, alertou uma pesquisadora da Microsoft Research que estuda redes sociais.

Não respeitar o contexto no qual os dados foram criados só poderá levar ao aumento da supervisão regulatória no futuro, alertou Danah Boyd em uma série de palestras no World Wide Web 2010 Conference, ocorrida em Raleigh, Carolina do Norte. O evento terminou na sexta-feira (30/4).

A mensagem é oportuna, tendo em conta as investigações de Senado americano em relação às configurações de privacidade do Facebook e da carta divulgada pelo Canadá e por diversos países da Europa em protesto à falta de privacidade dos aplicativos Buzz e Street View, do Google.

A ideia de Boyd sobre o contexto pode parecer abstrata, mas é vital para compreender como as regras sociais da vida privada devem ser aplicadas ao mundo virtual.

As pessoas usam os serviços públicos de rede social para compartilhar informações pessoais sobre suas vidas com seus amigos. No entanto, ainda não foram definidos os limites para a adequação de reaproveitamento de dados online, argumentou Boyd. Nem os sites de redes sociais, que ela chama de agregadores de informações, entendem completamente os limites.

Limites distintos
Na vida real, as interações de pessoa para pessoa são bem definidas, e nós sabemos quando esses limites foram ultrapassados. Alguém que converse com seu amigo sobre algum assunto delicado se sentiria desrespeitado se ele repetisse a conversa para outros colegas de trabalho, por exemplo.

Segundo a pesquisadora, as questões são muito complicadas. "Porque os comerciantes querem pesquisar sobre os consumidores", disse ela.

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Para os agregadores de informações, os dados de usuários são usados como um recurso de marketing.  O Facebook, por exemplo, usará as informações pessoais a favor dos anúncios. “Se você se conectar com a página de sua banda favorita, podemos mostrar o seu nome e foto do perfil ao lado do anúncio de a página será exibido para seus amigos", afirma a página de privacidade do Facebook.

Esses esforços de marketing de redes sociais podem sem querer atravessar fronteiras sociais, e causar o constrangimento dos usuários.

"Você se diverte com os amigos e de repente percebe que está sendo utilizado para anunciar algo que não tinha nada a ver com o que estava lidando", disse Boyd. As pessoas não conversam no Facebook para fins comerciais, disse ela, por seria incorreto capitalizar marketing sobre estas conversas.

"Nós vamos ter que perguntar o que é aceitável e o que não é, pois é uma questão que ainda não foi debatida adequadamente", disse ela.

Ideia nova
A ideia da aplicação de contexto para as discussões de privacidade online pode ser relativamente nova, mas a pesquisadora diz não ser  a primeira a pensar nisso. Ela apontou o trabalho de Helen Nissenbaum,  da Universidade de Nova York, autora do livro 'Privacidade em Contexto' (2009).

No entanto, agregadores de informações devem ter em mente algumas considerações básicas sobre o contexto de  reutilização os dados: "Por que as pessoas estão produzindo esses dados? Quem eles querem realmente atingir? O que significa quando se vai além disso?" foram algumas das perguntas que ela sugeriu para os sites de redes sociais antes de reutilizar dados.

"O que é o contrato social de agregação em torno de dados? Precisamos resolver isso", disse Boyd.

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PhD pela Universidade da Califórnia em Berkeley, Boyd tem trabalhado com um número de empresas de TI e internet, como Google e Yahoo. Em 2007, ela criou uma tempestade de controvérsias quando notou uma evidente divisão de classes entre o Facebook e o MySpace.

Com a Microsoft, Boyd trabalha como pesquisadora, mas ela insiste que a companhia não interfere nas conclusões que ela tira com seu trabalho. Em vez disso, a empresa a utiliza como consultora para seus próprios projetos sociais relacionados à mídia.

Ingenuidade
Por que sites de redes sociais continuam entrando em conflito com as normas de privacidade? Em alguns casos, como o Google, é apenas ingenuidade, segundo Boyd. A empresa tenta novos recursos internamente e supõe que, se alguns funcionários gostaram, é porque devem ser bons. Mas quando apresentados a um público mais diversificado, as limitações de tais recursos tornam-se imediatamente óbvias.

Em sua palestra, Boyd sugeriu que os sites de redes sociais poderiam salvar-se do constrangimento procurando novos recursos e mudanças por meio de protetores de privacidade como os da Electronic Frontier Foundation e da Electronic Privacy Information Center.

Outras empresas, como a Facebook, são mais conscientes sobre limites e o risco que se corre aos ultrapassá-los, ela disse.

"O Facebook sempre esteve no processo de intermediação de informações públicas. Seu interesse econômico é incentivar os usuários a ser tão públicos quanto possível", disse Boyd. "A questão é que eles estão dispostos a negociar em termos de pessoas e lucro."

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