Análise: Acer MR, um bom começo para a realidade mista do Windows 10

Um headset fácil de ser configurado, leve e com design ergonômico, mas que não possui grandes diferenciais frente ao Oculus Rift ou HTC Vive

Foto: Caio Carvalho
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Acer

Acer Windows Mixed Reality (AH101-D8EY)

Acer Windows Mixed Reality (AH101-D8EY)
R$ 2.499 ver na loja
  • Design
    6
  • Desempenho
    5
  • Usabilidade
    5
  • Conectividade
    8
Um headset fácil de ser configurado, leve e com design ergonômico, mas que não possui grandes diferenciais frente ao Oculus Rift ou HTC Vive.

Prós

  • As configurações de instalação são muito simples
  • Não depende de sensores externos
  • Design mais colorido em azul e preto
  • Confortável de se usar

Contras

  • Material em plástico não é tão resistente
  • Às vezes os controles perdem a sincronização com o PC
  • Não é otimizado para todas as aplicações

A realidade virtual não é uma tecnologia tão nova, mas só de uns tempos para cá é que se tornou mais acessível ao usuário final. Nos últimos anos, diversos dispositivos da categoria chegaram ao mercado - de aparelhos mais robustos, como Oculus Rift e HTC Vive, a opções mais simples, como Samsung Gear VR e Google Daydream.

Sabendo do potencial desse tipo de produto, a Microsoft passou a investir em uma plataforma própria chamada Windows Mixed Reality. Trata-se de um espaço que simula uma casa cercada por aplicativos e softwares disponíveis na Windows Store, entre eles Skype, Xbox, Minecraft, reprodutor de vídeo, jogos e outros serviços. Por isso, algumas fabricantes lançaram headsets compatíveis com a aplicação. Uma delas é a Acer.

O Acer Windows Mixed Reality foi um dos primeiros óculos de realidade mista lançados exclusivamente para o app dedicado do Windows 10. Ao contrário dos concorrentes, ele não depende de periféricos externos para funcionar - você só precisa de um computador com portas USB e HDMI e algumas configurações básicas. O aparelho está à venda no Brasil por R$ 2.599, mas será que por esse preço vale pena adquirir o acessório? É o que eu explico nas minhas impressões a seguir.

Análise em vídeo:

Design

No design, o Acer MR não difere muito de outros dispositivos de realidade virtual. Na verdade, ele é praticamente idêntico aos demais aparelhos de realidade mista que aparecem no site da Microsoft. Contudo, o headset da Acer é o mais bonito entre todos os gadgets com essa tecnologia, pois é o único que deixa o tom todo preto e monocromático de lado para dar espaço a um azul vibrante. Lembra um pouco o visual do PlayStation VR.

O formato do Acer MR é bastante ergonômico. É da lateral direita do acessório que saem os cabos USB 3.0 e HDMI 2.0, para realizar a conexão com o PC, e o conector para fones de ouvido. O cabos possuem mais de três metros de comprimento, garantindo uma maior movimentação pelo ambiente, sem que você precise ficar próximo ao computador.

Na parte de trás do headset, há um pequeno eixo que pode ir para frente ou para trás, permitindo ajustar o aparelho facilmente. Num primeiro momento, fica a impressão de que ele pode se soltar ou balançar na cabeça, e nesse aspecto senti falta de algo que fixasse melhor o produto. Também notei que os óculos podem ficar grandes demais em cabeças menores - eu, que já sou alto, os senti cobrindo até minhas bochechas. No entanto, o uso é bem agradável, já que a peça possui acolchoados por toda sua extensão e pesa aproximadamente 848 gramas.

Embora seja macio para usar, com cerca de 40 minutos de utilização já podia senti meu rosto suar um pouco, e as espumas que ficam nas bordas parecem que se desgastam muito rápido. Inclusive, o headset é feito em plástico, o que significa que a atenção precisa ser redobrada para manter a durabilidade do produto. Ao erguer o visor, por exemplo, se ouve um "click" alto, como se o aparelho estivesse quebrando.

Controles

Assim como no HTC Vive e Oculus Touch, o Acer MR inclui dois controles de mãos usados para fazer a navegação e seleção de itens na suíte de apps do Windows Mixed Reality. Ambos possuem uma base retangular que termina com um cilindro no topo, que por sua vez contém várias luzes de LED que brilham quando os acessórios estão em uso. A base principal reúne os botões de acesso ao Windows e menu, gatilhos nas partes lateral e traseira, direcional analógico e um touchpad circular.

Para funcionar, cada controle exige duas pilhas AA. Obviamente, seria muito mais interessante se houvesse uma bateria interna recarregável ou se no pacote fossem inclusas pilhas recarregáveis, porém não é isso o que acontece. No mesmo compartimento onde ficam as pilhas está um pequeno (e bota pequeno nisso) botão para ativar o Bluetooth na hora de parear as peças no computador.

Os joysticks também são feitos de plástico. Aqui, também reparei que qualquer impacto pode danificar o produto, então o ideal é não deixá-lo em superfícies altas. A pegada dos controles traz firmeza, ainda mais por causa de uma cordinha que pode ser colocada em volta do punho, mas não chega a ser tão ergonômica quanto o Oculus Touch. Contudo, é bem fácil para girar os analógicos ou apertar botões.

Tela e som

O Acer VR possui dois displays diagonais de cristal líquido de 2.89 polegadas cada, com resolução total de 2.880 pixels, sendo 1.440 para cada lente. O número é maior do que todos os demais dispositivos de realidade virtual: enquanto o PS VR tem 1.080 pixels para cada olho, Rift e Vive oferecem 1.200. Em contrapartida, a taxa de atualização de quadros por segundo é de 60 a 90 Hz, contra 90 Hz fixo no Vive e Rift e 90-120 Hz no PS VR.

Os visores são em LCD, em vez do OLED usado no PS VR, Rift e Vive, porém percebi que isso não afetou a qualidade das imagens. Ao contrário: durante a navegação, fica menos perceptível uma espécie de filtro em que dá para enxegar os pontinhos dos pixels. O único detalhe que chamo atenção é que os painéis de LCD não têm tanto contraste quanto os de OLED, então as cores (principalmente o preto) não são tão intensas.

Quanto ao som, o Acer MR vem com entrada 3.5 mm para fones de ouvido, bem ao lado do cabo USB e HDMI, mas não inclui o acessório no pacote. Você pode conectar os fones de sua preferência que eles funcionam normalmente. No que diz respeito ao áudio, a qualidade sonora é regular - não impressiona, mas deve atender as expectativas de quem procura por um dispositivo mediano.

Configurações

Além do design mais simples, o que mais gostei no Acer MR são as configurações iniciais de uso no Windows 10, que são muito mais fáceis do que o Oculus Rift ou o HTC Vive.

Basicamente, são necessárias apenas três etapas: 1) ter o Windows 10 Fall Creators Update instalado - algo que com certeza todos os usuários de Windows 10 já possuem, pois se trata de uma atualização de outubro de 2017 -, 2) plugar os cabos USB e HDMI no computador e 3) seguir um passo a passo informativo no aplicativo de realidade mista do sistema operacional da Microsoft. Tudo isso sem precisar de sensores externos posicionados nos cantos do ambiente.

Logo após conectar o headset no PC, o Windows roda automaticamente o aplicativo Windows Mixed Reality e, mesmo que você não tenha feito o download, o software se encarrega de tudo. No primeiro acesso, a plataforma pede que os dois controles do headset sejam pareados ao clicar e segurar o botão Windows por dois segundos. Lembra dos botões Bluetooth na parte interna de cada acessório, logo abaixo das pilhas? Pois é aqui que você tem de ativá-los até que as luzes LED no cilindro superior comecem a piscar.

A plataforma ainda permite usar os óculos em pé ou sentado, ou substituir os controles próprios por mouse e teclado. Testei ambas as opções, e as duas responderam bem aos meus comandos, apesar de achar estranho navegar pelos cômodos virtuais sentado - todos os outros headsets que testei eu estava em pé. Vale citar que, em alguns jogos, há suporte para controles do Xbox.

Um detalhe bacana é que o sistema de rastreamento das câmeras frontais do Acer MR funcionaram perfeitamente mesmo em ambientes pequenos ou com muitos objetos. É possível delimitar um espaço na tela de configurações do Windows Mixed Reality usando essas câmeras, desenhando (literalmente) o campo de cobertura. Isso porque os óculos utilizam tecnologia de rastreamento de dentro para fora, capaz de analisar o local, identificar elementos presentes no cenário e então se orientar enquanto está sendo utilizado.

E por falar no rastreamento...

Com tudo devidamente configurado, enfim entrei no portal do Windows Mixed Reality, que nada mais é do que a simulação de uma casa com inúmeros pontos interativos - no app, chamada Cliff House. Quadros, televisores e objetos ao redor podem ser usados para acessar aplicativos compatíveis com a plataforma, e se você tiver um microfone, a assistente pessoal Cortana pode ser ativada via comandos de voz.

Não enfrentei dificuldades ao navegar por esses serviços, uma vez que os menus podem ser abertos com apenas um toque nos controles de mão do Acer MR. De início pode parecer um pouco confuso, porque nem todos os apps são exibidos dentro desse hub: jogos mais pesados e aplicações mais específicas possuem espaços individuais próprios. Todos abrem quase de maneira instantânea.

Só que há um porém. Enquanto caminhava pela casa do Windows Mixed Reality, precisei erguer demais meus braços para conseguir interagir com os objetos. Como o Acer MR não conta com torres externas, o rastreamento acontece por meio das duas câmeras na parte frontal do headset, o que significa que os controles precisam estar o tempo inteiro levantados. Ok que nos demais óculos você também deve erguer as mãos na maior parte do tempo, mas nas aplicações que testei no Rift e Vive, eu podia ficar com uma das mãos abaixadas ou nas costas em momentos específicos.

E o problema não acaba por aí. Algumas vezes em que abaixava a mão esquerda ou direita, o controle correspondente simplesmente encerrava a sincronização. No Rift e Vive situações assim também são comuns, mas com o Acer MR é muito mais constante. Para se ter uma ideia, em vinte minutos tive de parear um dos acessórios duas vezes só por ter tirado o controle do campo de visão das câmeras frontais.

Encontrei a mesma interferência ao usar o SteamVR. Apesar de ser compatível com o Acer MR, a plataforma de realidade virtual da Valve ainda não está totalmente otimizada para aparelhos baseados no Windows Mixed Reality. Até consegui executar alguns jogos, como Fallout 4 VR e Space Pirate Trainer, mas ambos tiveram dificuldade para rastrear minha posição - e quando o fazia me deixava perto demais do objeto que eu tentava interagir. Isso sem contar que a configuração dos botões nos controles é diferente no SteamVR e leva um tempo até se acostumar.

Vale à pena?

Depende. Para usuários novatos, que nunca testaram uma tecnologia de realidade virtual, o Acer MR é uma boa porta de entrada. O aparelho e seus controles possuem design confortável, leve e muito funcional para um dispositivo da categoria, além de ser extremamente fácil de ser configurado no PC. Ele também é um dos produtos de RV mais baratos disponíveis no mercado brasileiro: R$ 2.599. E a suíte de aplicativos compatíveis por meio do Windows Mixed Reality está ainda maior, com opções que vão desde jogos até ferramentas educacionais.

Do outro lado da moeda, temos usuários que possuem ou já experimentaram um Oculus Rift ou HTC Vive. Para esse público, o Acer MR não se mostra como um competidor; até porque, Rift e Vive são bem mais precisos e oferecem um aparato maior de acessórios e funções de rastreamento. O mesmo posso dizer com relação ao PlayStation VR: quem tem o gadget da Sony, com certeza não está disposto a gastar mais dinheiro em um dispositivo com configurações iguais ou ligeiramente inferiores.

Além disso, o headset da Acer, assim como os demais aparelhos voltados especificamente para Windows Mixed Reality, não é otimizado para todas as aplicações - em parte porque a plataforma da Microsoft ainda é muito recente, tendo pouco menos de dois anos de vida. Talvez, o mais interessante seja esperar até que as próximas gerações do headset consigam consertar esses problemas e entregar, de fato, uma experiência mais natural e precisa ao consumidor.

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