Apple Watch Series 5: o melhor smartwatch?

Com a quinta geração de seu relógio inteligente, a Apple acertou de novo

Foto: Matheus Menucci
https://pcworld.com.br/dados-review/apple-watch-series-5-o-melhor-smartwatch/
Clique para copiar
PONTUAÇÃO
9

Apple

Apple Watch Series 5

Apple Watch Series 5
A partir de R$ 3.999 ver na loja
Com uma tela sempre ligada e mais brilho, a quinta geração do relógio inteligente da Apple se consolida como o melhor smartwatch, mas não para todo mundo.

Prós

  • Excelente sistema operacional
  • A melhor tela para um smartwatch
  • Função always-on
  • Finalmente uma App Store dedicada

Contras

  • Caro. Muito caro
  • Não funciona com smartphones Android
  • Ainda depende de um iPhone

Acompanhando o lançamento dos iPhones 11 e 11 Pro, a Apple decidiu atualizar o Apple Watch e lançou há alguns dias no Brasil a quinta geração do relógio inteligente. O acessório ganhou uma tela Retina ligeiramente melhor do que na geração anterior, um novo aplicativo de compasso, uma nova opção feita em titânio e agora fica com a tela sempre ligada - aquela famosa função "always-on" que muito smartphone Android tem por aí.

Olhando assim por fora, ele quase não tem diferenças em comparação com o Apple Watch Series 4 lançado no ano passado. Por isso, vale a pena fazer o upgrade para a versão 2019? E você que está pensando em comprar um Apple Watch pela primeira vez? Compensa gastar tanta grana em um relógio que começa em R$ 4 mil? É o que eu comento nesta análise.

Análise em vídeo:

Design

O design do Apple Watch Series 5 em si não mudou muito: ainda é um relógio quadrado, o que para mim não foi um problema. A versão que eu tenho usado é a de 44 mm, que de início me pareceu muito grande, mas que agora já me deixou mais confortável de usar. No meu caso, mesmo tendo um pulso pequeno, o aparelho ganha um visual bem discreto. A utilização foi bastante confortável e, além de compacto, o dispositivo não esquenta no pulso, o que me fez esquecer em alguns momentos que o Apple Watch estava lá. Já nas laterais temos os dois alto-falantes, o botão para gerenciamento de apps e a coroa digital usada na navegação. Na versão 3G/4G + GPS, a coroa mantém um círculo vermelho.

O relógio pode ser adquirido em versões de 40 ou 44 mm, e em materiais como aço inoxidável e alumínio reciclado. As atualizações deste ano são o Apple Watch de titânio e a volta do modelo de cerâmica. Todas as versões possuem a traseira com acabamento em cerâmica, que permite que as ondas de rádio sejam transmitidas mais facilmente em todos os ângulos. O Watch de alumínio também é mais frágil porque a tela é feita em vidro de Íon X, e não em cristal safira, como nos demais modelos. Por esse motivo, a tendência é que riscos apareçam com o tempo se você não aplicar uma película no aparelho.

Colocando o Series 5 ao lado do Series 4 nem tem como notar muita diferença. E na verdade são poucas as distinções: ambos possuem o sistema-em-um-chip S5 com o mesmo processador, mas no Series 5 são 32 GB de armazenamento interno, contra até 16 GB do modelo anterior. A tela, que já era a melhor para um relógio no Series 4, ficou ainda mais bonita, mas sinceramente não há muita diferença da tela do Series 4. Ela só está um pouco maior e com mais brilho, o que garante cores vivas e cheias de contraste até sob condições extremas, como em dias muito ensolarados.

A grande novidade para o modelo deste ano é que o display fica ligado o tempo inteiro, sem afetar a duração de bateria. A Apple contou para gente que essa é uma função que os usuários pedem desde o anúncio do primeiro Apple Watch, cinco anos atrás, mas que só agora foi possível implementar o recurso sem grandes impactos no desempenho energético do dispositivo. A Apple também disse que o relógio consegue mudar rapidamente a taxa de atualização da tela, que cai dos 60 Hz para somente 1 Hz em apenas um segundo quando você não está com o pulso erguido, olhando diretamente para o acessório.

Não achava essa função de always-on tão necessária até começar a usá-la na prática. Agora posso ver a hora e meus mostradores mesmo enquanto digito sem erguer por completo o meu pulso. Ou ainda, olhar de relance para o meu braço abaixado e assim visualizar as horas nesse mesmo esquema. Enquanto estou lá fazendo musculação, erguendo meus pesos, também posso cronometrar o tempo de descanso dentro do app de exercício físico. E de novo: sem que eu tenha que levantar o meu pulso.

As outras duas adições exclusivas do Apple Watch Series 5 são um compasso embutido no aplicativo de bússola e suporte a ligações para serviços de emergência em mais de 100 países - aqui do Brasil é o SUS. O compasso pode ser útil para orientação em trilhas, por exemplo, enquanto que as ligações de emergência são ativadas caso você sofra alguma queda brusca.

Já na bateria, o Series 5 tem a mesma autonomia do Series 4 do ano passado: segundo a Apple, pode chegar a 18 horas de uso contínuo, e isso mesmo com o display sempre ligado. Ou seja, você tem um recurso a mais que não compromete a eficiência energética do aparelho. Meus testes foram além disso: geralmente coloco o relógio para recarregar das 6h às 7h da manhã, tempo suficiente para recarregar do 0% aos 87%. Quando saía de casa com a bateria nos 100%, ao final do meu dia, por volta das 22h, eu ainda tinha cerca de 27% para usar. E olha que eu utilizo o relógio conectado ao Wi-Fi e Bluetooth o dia todo. Portanto, a autonomia é bem maior do que a Apple promete oficialmente.

A questão é que, apesar de durar mais de um dia, o Series 5 fica muito atrás dos concorrentes. O Galaxy Watch da Samsung aguenta até quatro dias longe da tomada; o Watch Active, um modelo mais simples que também é da sul-coreana, dura cerca de 45 horas. Embora não tenha que me preocupar com bateria por um dia inteiro, eu gostaria de não ter de recarregar o Apple Watch com frequência para poder usá-lo mais vezes durante o sono. E não, o Series 5 não vem com nenhum recurso específico para monitorar o sono, como diziam alguns rumores até então.

As pulseiras do novo Apple Watch não geram incômodo, e a boa notícia é que as bands das gerações anteriores são compatíveis com o Series 5. Elas ficam bem firmes ao relógio, uma vez que é necessário pressionar um botão e arrastá-las para o lado para se soltarem do aparelho, então não há o risco dele se soltar do seu pulso.

O melhor sistema para um smartwatch

Depois que passei a usar iOS, adotei o sistema operacional como minha escolha primária por conta da consistência da plataforma da Apple. E essa mesma característica é encontrada no watchOS, que de longe é o software mais bem desenvolvido, fácil de usar e acessível no mercado de relógios inteligentes. Também é o mais ágil entre os smartwatches que já testei, pois agrupa de forma sucinta seus apps favoritos, notificações e atalhos.

O sistema ainda depende de um smartphone para extrair todo seu potencial, mas o que dá para notar é que a Apple está, aos poucos, transformando o iPhone como um complemento ao Watch (e vice-versa). A maior prova disso é que, pelo watchOS 6, o Apple Watch ganhou uma versão própria da App Store que permite baixar aplicativos sem precisar de um iPhone. A parte chata é que alguns apps ainda dependem de um iPhone para completar a instalação. Ainda deve levar um tempo até que o Apple Watch seja um dispositivo que funcione totalmente independente, sem parecer um acessório ao iPhone.

As telas podem ser personalizadas diretamente pelo sistema do Series 4 - basta pressionar o display e segurar por um segundo para que novas opções sejam exibidas. Com isso, é possível criar painéis customizados de acordo com suas preferências pessoais. Eu gosto de aplicar atalhos (que a Apple chama de "complicações") em diferentes mostradores, assim é só arrastar para o lado e visualizar aquele com a função que eu preciso em um determinado momento. Ainda sinto falta de mais opções de mostradores, algo que só deve acontecer - bem, se acontecer - quando a Apple liberar o suporte a mostradores de terceiros.

A Siri também está presente no Series 5, podendo ser ativada apenas ao erguer o pulso na direção e solicitar um comando ("abrir mapas", "buscar contato", "abrir Uber" etc), sem ter de falar a frase "E aí, Siri", como acontece no iPhone. O tempo de resposta é um pouco mais lento se comparado ao smartphone, e também reparei que você precisa erguer o pulso rapidamente e bem próximo à boca para que a Siri entre em ação. No final das contas, eu acaba usando a coroa digital ou o próprio iPhone em vez da assistente de voz.

Saúde

Para mim, o principal apelo do Apple Watch são suas funções voltadas para o monitoramento de sinais vitais, seja enquanto estou andando, fazendo uma atividade física de força, dormindo ou simplesmente parado. A ideia é que o relógio esteja lá, captando minha pulsação durante todo o período de uso, para que eu possa visualizar essas informações posteriormente e levá-las a um médico caso seja necessário (resposta: ainda não foi).

Destacando os recursos mais básicos do Series 5, começo pelo app Exercícios, que já oferece opções pré-configuradas e prontas para uso. Isso inclui natação (ao ar livre ou em piscina), ioga, trilha, treino intervalado de alta intensidade (HIIT), caminhada ou corrida. Você também pode escolher a opção "Sem meta", para que o relógio monitore seus sinais durante um treino de musculação ou funcional, por exemplo. O Series 5 tem ainda a possibilidade de detectar automaticamente quando você inicia uma nova atividade, caso tenha se esquecido de ativá-la por conta própria.

Mas o que eu mais gostei nesse aspecto "fitness" do Apple Watch Series 5 foram as funcionalidades de gamificação e acompanhamento pelo app Saúde no iPhone. O primeiro mistura a realização de exercícios físicos em troca de prêmios no aplicativo Atividade (aquele dos três círculos coloridos), de forma semelhante ao que acontece nas conquistas de jogos de videogame. Vai por mim: é viciante querer completar todos os círculos para desbloquear todos os troféus, algo que ainda devo levar um bom tempo.

Em segundo lugar, vejo meu "progresso" ao longo das semanas usando o app Saúde no iPhone. Por ele posso visualizar métricas dos dias que pratiquei atividade física e o quão intensas foram essas atividades. Pelo Saúde, adotei o hábito de uma ou duas vezes por dia monitorar meus batimentos cardíacos pelo app dedicado no Watch. E também passei a usar o app Respirar, que tem me ajudado bastante a ficar um pouco mais calmo em meio às responsabilidades do dia a dia.

Outra característica de peso no Series 5 é que ele é um dos poucos relógios inteligentes a vir equipado com um sensor elétrico. Esse sensor fez sua estreia no Series 4, e é por ele que o Apple Watch consegue fazer um eletrocardiograma, mas que ainda não está disponível no Brasil, uma vez que a Apple precisa de uma autorização do órgão regulatório de cada país para liberar o recurso. Aqui no Brasil, é papel da Anvisa fazer essa liberação; nos Estados Unidos, a função já pode ser utilizada.

Uma função excelente pensada na saúde da mulher é o acompanhamento de ciclo menstrual. Ele também funciona pelo aplicativo Saúde e exibe gráficos e informações sobre o ciclo da usuária, previsões das próximas menstruações, estimativas de melhores períodos para engravidar e outros dados que você, mulher, pode levar diretamente para o seu médico.

E também vale citar que o Apple Watach agora pode detectar os níveis de intensidade do som ambiente. Funciona de um jeito parecido à função de batimento cardíaco, sendo necessário tocar em apenas um aplicativo para que o relógio faça a medição do barulho em tempo real.

Conectividade

Recentemente, algumas operadoras brasileiras lançaram o chamado eSIM, chip digital que pode ser ativado em alguns modelos de smartphones e relógios. O Apple Watch Series 4 é um deles, e pude testá-lo em ligações telefônicas junto à minha operadora. Essa inclusão torna o Watch bem menos dependente do iPhone, uma vez que você pode ouvir músicas pela rede móvel de dados, acessar a internet, enviar mensagens e realizar chamadas sem precisar do Bluteooth do celular.

É algo indispensável ter um Apple Watch com GPS + Cellular? Definitivamente não. Porém, faz toda a diferença se você não quer carregar seu iPhone o tempo inteiro. Vale lembrar que o Apple Watch comprado em outros países, no que diz respeito à conectividade com o celular, não é compatível com os padrões de rede usados aqui no Brasil.

Um excelente relógio, mas não para todo mundo

O Apple Watch Series 5 é um dispositivo com recursos excepcionais focados em saúde, trazendo monitoramento de exercícios e batimentos cardíacos, desbloqueio de conquistas, integração com iPhone, tela sempre ligada com qualidade acima da média e o melhor sistema operacional para um relógio inteligente. É também um exemplo de como as fabricantes de smartwatches Android estão muito atrás do Apple Watch, que sem dúvida é o relógio mais intuitivo, fácil de usar e com a melhor experiência para um dispositivo da categoria.

Em contrapartida, não vou dizer que vale a pena gastar tanto dinheiro em um Apple Watch. Todas essas funções acabam por encarecer demais o produto, que provavelmente fica mais atrativo para quem já tem outros dispositivos da Apple e não quer fugir desse ecossistema - que, felizmente, conversa muito bem entre esses vários aparelhos.

Por bem menos de R$ 4 mil, é possível encontrar outros smartwatches com valor mais acessível, recursos semelhantes e bateria de longa duração. O Apple Watch Series 3, por exemplo, tem boa parte dos recursos que eu comentei com você neste vídeo, embora não seja tão barato assim. Portanto, vai depender daquilo que o seu bolso está disposto a gastar.

Este anúncio desaparecerá em:

Ir para o site