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De quem é o Facebook? Ele é de Mark Zuckerberg

Uma miscelânea de empresas sentam na mesa de direção da rede social, mas quem manda é o fundador. Quem não gostar, pode ir embora.

PC World/EUA

06/07/2010 às 9h37

Foto:

Na folha de pagamento do Facebook:

O CEO do Facebook, Mark Zuckerberg dispensa qualquer introdução. Ele vislumbrou o potencial do site de relacionamento, enquanto ainda habitava o dormitório da universidade de Harvard, nos EUA. Era o ano de 2004 e marcava o início das operações do Facebook. Desde então, Zuckerberg supervisiona o crescimento do site pessoalmente. Saiba que a liderança dele sobre o site não é figurativa. Ele ainda carrega a sina de ser uma das personalidades da web mais escrutinadas da atualidade; a mídia não perdoa, registra com água na boca todo e qualquer erro que Zuckerberg cometa.

COO, Sheryl Sandberg: ocupou o cargo de vice-presidente da Google e foi chefe de gabinete do Tesouro Americano. Sheryl entrou para a família Facebook em 2008 e assumiu o primeiro posto de COO da empresa. Muitos atribuíram a entrada de Sheryl para o Facebook como manobra planejada, cujo objetivo é responder à entrada de Eric Schmidt para o Google. Isso daria a todos a impressão de que o ”jovem e inexperiente” Zuckerberg estaria precisando de uma espécie de babá. A verdade, porém, parece bastante diferente. Sheryl, tudo indica, é responsável pela operações comerciais do cotidiano, as coisas para as quais Zuckerberg não tem paciência de se envolver.

Diretor, Peter Thiel: mais conhecido por ser um dos fundadores do PayPal, Thiel é atualmente um investidor e foi um dos primeiros a injetar capital na empresa de Zuckerberg. O meio milhão de dólares que investiu na empresa renderam a Thiel uma participação de 10.2% no Facebook – o que, traduzindo em dinheiro, equivale a algo próximo de um bilhão de dólares. Thiel é famoso por um seguir políticas controversas (ele foi seguidamente apontado como sendo um nacionalista anti-imigração) e é objeto principal de uma comunidade no Facebook chamada “Take Nativist Peter Thiel Off Facebook´s Board of Directors” (Tirem o nativista Peter Thiel da direção do Facebook – em tradução livre do inglês), que atualmente conta com mais de três mil adeptos. Para finalizar, Peter Thiel gosta de colocar blogueiros e terroristas na mesma cesta.

Diretor, Jim Breyer: os associados de Breyer, do grupo Accel de investimentos em empresas de tecnologia, foram os primeiros a investir pesado na ideia de Zuckerberg. Ainda em 2005, confiaram à equipe de Zuckerberg a bagatela de 12 milhões de cédulas verdinhas com o sorriso tranqüilo de George Washington. Com isso, Breyer garantiu um assento na mesa da direção do site e é,ele mesmo, dono de 1% da empresa. Ele, assim parece, dispõe de um poder de decisão relativamente maior que os outros diretores; também deixa transparecer que nutre uma espécie de amor paternal pelos filhos Facebook e Zuckerberg.

Diretor, Marc Andreessen: é a mais nova personalidade na direção do Facebook. Se o nome não soa estranho, tente-se lembrar onde já ouviu esse nome. Se pensou em Netscape, adivinhou. Andreessen é fundador da empresa e , por bastante tempo, foi mentor pessoal de Zuckerberg; as atribuições que cumpre no site deixam essa influência mais do que clara. Como informa o site Techcrunch, Andreessen opera o site rival Ning, em que os usuários podem criar as próprias redes sociais em troca de uma taxa. Como Andreessen e Zuckerberg conseguem conviver é um mistério para muitos; todo caso é importante mencionar que Andreessen é o único membro da direção do Facebook sem qualquer participação na empresa.

Investidores adicionais

Microsoft: representa o maior investidor único do Facebook. Em 2007, a empresa depositou a quantia nada desprezível de 240 milhões de dólares na conta da rede social. À época do investimento, a Microsoft conseguiu meros 1,6% de participação. Toda a negociação (boa parte supostamente desenvolvida via mensagens de texto) inflou dramaticamente o valor do Facebook, apesar de ter influenciado o mínimo na maneira de a rede ser operada. A estratégia na operação vai longe, muito longe. Além de ter barrado a entrada da Google na rede social, a Microsoft garantiu o espaço de um banner no site até 2011. Porém, sem qualquer representante no board da empresa e com, aparentemente pouca influência sobre as decisões no Facebook, a Microsoft tem desempenhado um papel pouco expressivo no dia-a-dia da rede social.

Li Ka-shing: com múltiplos bilhões de dólares na conta corrente, este ancião de 79 anos, morador de Hong Kong parece se divertir com o Facebook. Ele investiu 120 milhões de dólares na rede social, em duas parcelas de 60 milhões cada. O acordo despertou a atenção de muita gente; Li é conhecido por administrar um conglomerado e por dar emprego a 250 mil pessoas. Além disso ele  investe normalmente em negócios de Hong Kong. Por trás do acordo pode estar uma manobra muito bem pensada de expansão do Facebook na China – rumores sobre esse avanço não faltam.

Fundo de investidores europeus: o trio de irmãos, que investe predominantemente em empresas de internet da Europa injetou (estima-se) 15 milhões de dólares no Facebook, em 2008. Estranhamente, a empresa de Zuckerberg aceitou o investimento. Comparados aos 300 milhões que o Facebook captou em 2007, os 15 milhões da empresa alemã eram um sério candidato para ser gentilmente dispensado. Até onde os tentáculos da companhia germânica se estendem dentro da estrutura do Facebook não é sabido – mas face ao “trocado” que investiram, os conterrâneos dos irmãos Grimm devem mandar muito pouco no Facebook.

TriplePoint Capital: a financeira do Vale do Silício, disponibilizou um total de 130 milhões de dólares à rede social. A linha de crédito pode não fazer da TriplePoint uma sócia direta do Facebook, mas esse dinheiro terá de retornar aos caixas da empresa mais cedo ou mais tarde. Para sentar-se à mesa onde são tomadas as decisões sobre o andamento da rede social, é preciso fornecer dinheiro a fundo perdido.

Digital Sky Technologies: foi, provavelmente, o investimento mais esquisito da história do Facebook. Em 2009 a empresa russa Digital Sky Technologies entregou 200 milhões de dólares em espécie à equipe de Zuckerberg, levando, em contrapartida, uma fatia de 2% da empresa. Não satisfeitos, os executivos dos montes Urais adquiriram outros 3% de funcionários do Facebook, incluindo de Thiel. O investimento arremessou a antes desconhecida DST (sem trocadilhos) no centro das atenções do mercado dos EUA. Zuckerberg afirma que a DST “tem experiência valiosa para somar ao grupo”. O que se especula é que a empresa russa não exerce (e não quer exercer) qualquer influência no Facebook e que o investimento foi aceito pelo Facebook como maneira de se prevenir contra problemas de fluxo de caixa futuros.

Ok... e quem manda mesmo?

Antes de pularmos de cabeça na resposta para a pergunta de vários bilhões de dólares queremos deixar claro que ninguém com o mínimo poder de decisão no Facebook atendeu aos nossos pedidos de entrevista. Sequer os analistas quiseram nos dar qualquer informação – só podemos especular o porquê disso: o Facebook é provavelmente a entidade da internet mais poderosa que existe. Sendo assim, todo mundo fica com água na boca só em pensar na possibilidade de fazer negócios com a rede social. Considerando o jeito despótico de Zuckerberg administrar a rede social, falar com repórteres sobre como as coisas andam no Facebook é – sem dúvida – a última das prioridades de qualquer executivo.

Conseguimos falar com alguém  que pudesse nos oferecer uma visão sobre o Facebook e as dinâmicas que regem esse universo a parte. O co-editor do site Mashable, Ben Parr, feroz crítico da rede social, melhor, ex-feroz crítico da rede social, Parr costuma ser uma fonte sempre disponível  quando o assunto é o Facebook – clube do qual agora faz parte como grande apoiador. Mark Zuckerberg, em pessoa, costuma mencionar o nome de Parr sempre que possível, deixando claro para todos quem está envolvido na empresa.

Mas, mesmo Parr, afirma que a noção que tem acerca do funcionamento interno da rede social é limitado. A única coisa que ele afirma com toda certeza é que “aconteça o que acontecer, Zuckerberg é, e sempre será, o CEO da empresa.

“Em todas as experiências que tive com a rede, Zuckerberg é o homem a decidir. Se ele discordar de alguém, não há chance da outra parte sair vitoriosa. Zuckerberg também não tem o menor problema em abortar projetos, mesmo que estejam a 10% da conclusão. Isso frustra muitas pessoas, mas é assim que funciona. No Facebook existem duas maneiras de fazer as coisas: do jeito de Zuckerberg ou do jeito de Zuckerberg. Quem não topar pode pegar suas coisas e sair pela porta dos fundos.”

Docente da escola de negócios de Harvard, Ben Edelman reforça as afirmações de Parr. Apesar de não apitar absolutamente nada no Facebook, Edelman diz observar “movimentos errôneos” por parte da administração, principalmente em questões centrais e em assuntos controversos. “São decisões que não corroboram com a posição de uma empresa do porte e da importância do Facebook”, diz. O estilo que diz observar na gestão do Facebook lhe remete ao pensamento provinciano e tolhido pela obliquidade pessoal.

Mas o que dizer sobre Sheryl Sandberg, a suposta babá de Zuckerberg? Segundo Parr, Sheryl exerce , sim, boa influência na administração do Facebook. Todavia ela responde pelas operações menores, de cunho comercial e de anúncios no canal de relacionamento. “Tenho certeza de que discutem bastante, e que Sheryl traz uma perspectiva diferente para dentro da empresa, mas sem tirar o foco das vendas e deixar que Zuckerberg supervisione a parte tecnológica. Quem manda é Zuckerberg e ponto.

O autor do livro The Facebook Effect (O efeito Facebook – em tradução livre do inglês), David Kirkpatrick, descreve Sheryl como “parceiro essencial” no andamento do Facebook. Mas, ao entrevista-la, fica evidente que a voz dela é de segunda grandeza dentro da rede. Todavia a influência de Shreyl é qualquer coisa, menos desprezível. Kirkpatrick reforça essa percepção ao afirmar que “ela definitivamente encontrou um lugar em meio ao caótico universo da gestão de cultura juvenil, conquistando a admiração de muitos outros gerentes de alto escalão”.

Ok. Isso significa que todos que participam com investimentos na rede social têm voz ativa na administração da empresa, certo?

Não mesmo! Os recentes investidores do Facebook são notoriamente neutros. Aliás, Zuckerberg se recusa a aceitar injeções de recursos de quem queira apitar dentro da empresa. Desde a ascensão da Accel Partners à mesa da direção, Zuckerberg vem desdenhando de quem chega sedento por um voto nas decisões do Facebook.

Zuckerberg chegou a tomar as devidas providências para garantir que, assim que a empresa for parar na bolsa de valores, ele pessoalmente continue com as rédeas nas mãos. De acordo com relatórios, os atuais sócios da rede social detém cotas do tipo B. Caso vendam essas cotas, elas, automaticamente, viram cotas do tipo A – com um décimo do peso das cotas B nas votações da empresa. Investidores que adquirirem ações do Facebook devem comprar apenas esse tipo de ação, a A. Isso garantiria a Zuckerberg o controle sobre a rede social – como acontece hoje em dia.

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