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Dell será ‘mais que mera fabricante de PCs’, diz seu fundador

Indústria de computadores vive momento turbulento e empresa quer ampliar o leque de produtos e atuação para fugir desse cenário

Sharon Gaudin, Computerworld/EUA

19/07/2012 às 12h22

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Não é segredo que a indústria de PCs tem enfrentado uma série de desafios nos últimos meses. Com a economia retraída e os consumidores entusiasmados com dispositivos menores, como tablets e smartphones, empresas e usuários simplesmente não investem tanto em desktops e laptops como antes.

Há pouco mais de um ano, a Hewlett-Packard, que ainda se agarra à alcunha de maior fabricante mundial de PCs, anunciou que os executivos da empresa estavam pensando em vender a área de computadores. Apesar de a empresa de Cupertino ter decidido manter o negócio mais tarde, a possibilidade criou um desconforto na indústria.

Essa semana, Michael Dell, fundador e CEO da Dell, disse durante uma conferência que a "nova Dell" não está focada em computadores. Essa é uma declaração surpreendente vinda do homem que está à frente da quarta maior fabricante de PCs do mundo. A Dell, há 28 anos nesse segmento, pode estar escorregando no ranking de computadores, mas ainda está entre as cinco primeiras. 

Em 2011, a companhia era a segunda maior fabricante de PCs, logo atrás de HP. Mas foi ultrapassada pela Lenovo e Acer. E pelo o que disse o fundador da Dell essa semana, a empresa não está à procura de voltar para o topo do ranking.

“Nos últimos cinco anos, fizemos uma mudança em nosso negócio para termos soluções fim a fim", disse Dell, quando perguntado sobre um comentário que tinha feito anteriormente que a empresa não é realmente uma empresa de PC.

O executivo aponta que a empresa está cada vez mais presente nos setores de data center, servidores, armazenamento, software, serviços e rede. Segundo ele, hoje, cerca de metade da margem bruta da companhia não vem dos negócios de PCs. Ele, no entanto, não respondeu à pergunta do percentual que PCs pode representar daqui cinco anos.

Dan Olds, analista do The Gabriel Consulting Group, disse que a Dell está em processo de reestruturação. “Claro, eles ainda vendem PCs, mas vão comercializar outras tecnologias também." Para o analista, ampliar o leque em um momento de turbulência é uma estratégia inteligente da Dell.

"A indústria do PC está marcada pela concorrência brutal de preços, um modelo de distribuição resistente, e uma necessidade constante de manter-se no topo das últimas tendências", avalia Olds. "Além disso, o segmento tornou-se ainda mais competitivo com o surgimento de tablets e smartphones.”

Charles King, analista da Pund-IT, aponta que o CEO da Dell simplesmente não quer que a empresa fique totalmente dependente das vendas de PCs. "A situação, no entanto, não significa que esse é um mau negócio. Os fabricantes tradicionais de computadores precisam diminuir sua exposição em mercados de baixo desempenho e equilibrar suas carteiras com maior margem de produtos e serviços”, observa.

"A Dell está na mesma encruzilhada que a IBM em 2004", comenta Sarah Rotman Epps, analista da Forrester Research. “A cada dia a Dell perde participação para a Lenovo, Samsung, e outros concorrentes. Se ela não pode competir em preço e estilo, então, qual é o diferencial da empresa? Ela pode ingressar cada vez mais na área de serviços, mas essa estratégia ainda é algo a se pensar dado o investimento pesado em computadores”, avalia.

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