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Desbloqueado e extra-oficial, iPhone faz sucesso no Brasil

Aparelho já tem participação relevante no uso de internet móvel e conquista desde executivos a jovens ‘high-tech’ no País.

Daniela Moreira, editora-assistente do IDG Now!

08/06/2008 às 17h14

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iphone_no_brasil_88Prestes a ganhar a sua segunda versão - com suporte a 3G e outras novidades esperadas para se  tornarem públicas nesta segunda-feira (09/05) -, o iPhone ainda não chegou oficialmente ao Brasil.  Mas não é difícil, contudo, encontrar felizes proprietários do telefone da moda em território nacional.

Seja nas mãos de executivos que deixaram de lado os seus Blackberrys ou de jovens insistentes que ganharam o “brinquedo high-tech” de presente dos pais, avistar um iPhone não é coisa rara nas grandes capitais, como São Paulo.

Atraídos pela já consagrada marca da maçã, pela facilidade de uso e pelos recursos multimídia do aparelho e na ausência de alternativas oficiais, os interessados optam entre dois caminhos: comprar o aparelho no exterior e desbloquear no País ou apelar para o mercado “paralelo”, lojas que importam e vendem o iPhone.

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Não há uma estimativa oficial do número de usuários de iPhone no País, mas segundo a consultoria Predicta, que mede o tráfego dos principais portais de internet brasileiros, o telefone da Apple já responde por mais da metade dos acessos à web via dispositivos móveis.

Números mais recentes divulgados pela empresa mostram que dos 311,7 mil acessos a sites mapeados pela Predicta a partir de portáteis no mês de abril, 174,7 mil foram feitos a partir do iPhone.
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Segundo Claudia Woods, diretora de estratégia e inteligência da Predicta, não é possível deduzir o número de usuários a partir destas estatísticas, pois cada um possivelmente faz inúmeros acessos. “Pela facilidade de navegação na internet, acreditamos que a taxa de cliques por usuário é, potencialmente, ainda mais alta no iPhone”, relata a executiva.

Mas se não é possível medir com precisão quantos brasileiros têm um iPhone, a variedade de oferta do aparelho no mercado é um bom indicativo da sua popularidade no País. Em uma rápida pesquisa em sites de comparação de preços na web, é possível encontrar diversas lojas online comercializando o iPhone já desbloqueado, com preços que variam entre aproximadamente 1.350 reais e 2.150 reais, dependendo da versão do aparelho e do estabelecimento.

Outra evidência sobre o possível número de iPhones no Brasil é o volume de desbloqueios registrados pelas empresas que se especializaram na atividade. O site Desbloqueio.br afirma ter liberado mais de 2 mil aparelhos desde o lançamento da primeira versão, em junho do ano passado, mesma média contabilizada pela iPhone Solution - também especializada no ramo - no período.

Assim como as duas acima citadas, uma busca rápida na web revela pelo menos mais uma dezena de “desbloqueadores de iPhones”. Estas empresas cobram, em média, 200 reais pelo pacote de desbloqueio do celular da Apple, que inclui o destravamento para que o aparelho funcione com chip de qualquer operadora, a “tropicalização” do telefone - que inclui adaptação ao português e ao sistema de discagem local, entre outros recursos -, a instalação de um pacote de aplicativos e jogos, além de suporte técnico e instruções básicas de uso.

Muitos usuários optam, contudo, pelo desbloqueio gratuito, por meio de softwares que podem ser baixados na web. É o caso do publicitário Geison Esteves, que não só desbloqueou seu iPhone como já instalou mais de 30 aplicativos. “Nunca tive nenhum problema ou dificuldade”, ele assegura.

Mas como a abordagem “faça-você-mesmo” nem sempre funciona para todos, os “desbloqueadores” também atuam em outro filão: o da manutenção e suporte. Problemas como tela quebrada, botões defeituosos e sistemas corrompidos são comuns, segundo os responsáveis pelos serviços. “Em alguns casos, a instalação incorreta de softwares chega a danificar a placa-mãe”, alerta Leonardo Caetano.
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Eles se aventuram ainda no desenvolvimento de aplicativos para o aparelho. “Estamos trabalhando em um software para sincronia de agenda com a web e outro de claquete eletrônica, pois muitos dos nossos clientes são publicitários”, relata Masi.

Para os especialistas em destravar o iPhone, a chegada oficial por meio da Claro, programada para ocorrer até o final do ano, não é motivo de preocupação, mas sim de entusiasmo. “Quanto mais aparelhos tiver no mercado, melhor”, diz Masi.

Sem informações oficiais por parte da Apple, muitas questões sobre a chegada do aparelho ao Brasil ainda estão em aberto. Uma delas é se a Claro será a única a lançar o telefone por aqui.

O contrato firmado pela América Móvil, dona da Claro, aparentemente não exige exclusividade, o que significa que a Vivo (cuja proprietária, Telefônica, vai vender o aparelho na Espanha) e a TIM (que é da Telecom Itália, responsável pela venda do telefone no mercado italiano) podem entrar na corrida também.

Uma das apostas é de que o aparelho deve ser subsidiado para os clientes com planos mais caros. “O alvo do aparelho está nos usuários com alto consumo de voz e dados. Neste caso, pode até sair de graça”, arrisca Eduardo Tude, presidente da consultoria Teleco.

Outra dúvida é se o iPhone trazido pela Claro já será o modelo 3G. “É o que faz mais sentido”, aposta Tude. Para ele, a oferta do novo modelo, com conexão mais rápida à web, deve atrair até mesmo aqueles usuários que já usavam a versão anterior, 2,5G.

Os analistas acreditam ainda que a chegada oficial do aparelho pode impulsionar as vendas de smartphones no País, especialmente os modelos com enfoque multimídia. “Hoje os smartphones são muito focados em e-mail e mensagem. O iPhone derruba esse paradigma e ajuda a popularizar o uso dos telefones inteligentes no Brasil”, opina Francisco Molnar, gerente de consultoria para América Latina da Frost&Sullivan.
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“O uso do smartphone hoje é principalmente corporativo. Com o iPhone, a tendência é que este mercado passe a abranger o universo residencial”, aponta Alex, Zago, analista sênior da IDC.

Segundo os relatos dos “desbloqueadores” de iPhones, o aparelho atrai os públicos mais diversos. “Tenho desde clientes de 80 anos até crianças de 10 anos que já têm seu iPhone”, conta Leonardo Caetano. “Nosso público é formado principalmente por publicitários, designers, pessoas da área criativa”, revela Masi.

Já Renata Barros, responsável pela iDoctor, no Rio de Janeiro, diz que a clientela é composta por consumidores de alta renda, principalmente altos executivos de empresas. “Aqui no Rio, não se encontra iPhone em qualquer lugar”, ela relata. Especializada em manutenção e suporte, a empresa já atendeu clientes de todo o País. “Já recebemos aparelhos do Amazonas, Roraima, entre outros Estados”, ela relata.

Se apesar de todos os obstáculos – como o preço alto, o trabalho para desbloquear, a falta de assistência técnica oficial, entre outros – os brasileiros já morrem de amores pelo aparelho, tudo indica que, mesmo com todas as dúvidas que o cercam, o lançamento oficial do iPhone no Brasil será um sucesso.

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