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Desvendamos cinco mitos sobre o Oculus Rift

Sistema de realidade virtual que foi recentemente adquirido pelo Facebook é mais do que um mero “brinquedo”, mas ainda está longe de ser um produto para o grande público.

Brad Chacos, PCWorld EUA

26/03/2014 às 16h37

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Tudo o que você já ouviu sobre o Oculus Rift está errado. Tá, OK, nem tudo. Definitivamente ele é um sistema de realidade virtual revolucionário e com preço acessível, tanto que sua criadora, a Oculus VR, foi recentemente adquirida pelo Facebook por “meros” US$ 2 bilhões. Mas além destes fatos básicos, há várias meia-verdades que pintam um retrato distorcido do Rift.

Acredite no potencial do Rift, mas não acredite em tudo o que ouve por aí antes de ler este artigo.

1. O Oculus Rift é apenas para jogos

É verdade que desde o começo os jogos tem sido o foco do Oculus Rift, e a maior parte da primeira leva de software que o utiliza é voltada ao entretenimento, mas há um potencial para fins mais “nobres”. Boa parte do motivo pelo qual o Facebook gastou aqueles US$ 2 bilhões é porque Zuckerberg consegue ver este futuro.

“Imagine compartilhar não apenas momentos com seus amigos, mas experiências e aventuras inteiras”, disse ele após o anúncio da aquisição em uma teleconferência com investidores do Facebook. “O Oculus Rift tem o potencial para ser a plataforma mais social já criada”.

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Surgeon Simulator, da Bossa Studios, é um jogo, mas aponta o caminho para usos mais sérios

O potencial já está se tornando realidade. Durante a SXSW neste ano a HBO usou o Oculus Rift para levar as pessoas em passeios virtuais pelo continente de Westeros, uma das terras da saga Game of Thrones.

E muito antes de Zuckerberg abrir a carteira, nossa equipe nos EUA deu uma olhada em usos para o Rift não relacionados a games, que incluem o tratamento de doentes, a possibilidade de enviar um estudante para o outro lado do mundo sem que ele saia de sua casa e o contato próximo com familiares e amigos onde quer que eles estejam.

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“Nos primeiros 30 dias no Kickstarter fomos quase que imediatamente inundados por e-mails de pessoas em mercados não relacionados aos jogos”, disse o CEO da Oculus VR, Brendan Iribe, à PCWorld em julho passado. “Muitas delas trabalhando nas áreas médica, militar, arquitetura, design automotivo ou mesmo fitness”.

Em outras palavras: isso não é apenas um brinquedo.

2. O Oculus Rift vai te deixar enjoado

A Realidade Virtual (VR, de “Virtual Reality”) vem acompanhada de um problema crônico: a Cinetose, aquele enjôo, desorientação e mal-estar que pessoas sentem ao usar meios de transporte como um ônibus ou trem, ou andar de montanha russa. Os “truques” usados pelos sistemas de VR frequentemente levam a enjôos e arrependimento.

Náuseas são algo que foi grandemente reduzido com o Oculus Rift. Ainda há pessoas que ficam enjoadas ao usá-lo, especialmente se usarem o kit original de desenvolvimento, que tem telas de baixa resolução, mas o soberbo sistema de rastreamento de movimentos da cabeça com baixa latência empregado pelo Rift torna os enjôos muito menos comuns do que em soluções de VR anteriores (e se sentar durante o uso pode ajudar).

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Melhorias no hardware do Oculus Rift ao longo de três gerações reduziram muito o risco de enjôos

De fato, versões mais avançadas do kit de desenvolvimento Oculus Rift, como a Crystal Cove e o Dev Kit 2 tem telas OLED com maior resolução e baixa persistência, e hardware ainda mais poderoso, o que diminui ainda mais a latência e as já pequenas chances de ter problemas com o estômago.

Brendan Iribe, CEO da Oculus, nos diz que, quando eventualmente for lançada, a versão final do Rift não irá causar qualquer tipo de enjôo. O que nos leva ao próximo mito...

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3. O Oculus Rift é um produto pronto

Você pode comprar um Oculus Rift no site da Oculus VR hoje, e há milhares deles em uso em todo o mundo. Mas o Oculus Rift não está sendo vendido diretamente ao consumidor. O produto à venda hoje é um kit de desenvolvimento, projetado para que os desenvolvedores possam criar e testar seus programas. A Oculus VR ainda não anunciou um data para o lançamento da versão “para o consumidor” do Rift.

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O "Dev Kit 2" do Oculus Rift pode ser comprado no site da Oculus VR, mas não é um produto para as massas

4. O Oculus Rift é o único sistema de VR no mercado

O Oculus Rift é quase sinônimo de “VR para o consumidor”, e por um bom motivo: é de longe a solução mais elegante e refinada no mercado. Mas isso não o torna a única solução: várias empresas estão desenvolvendo seus próprios sistemas de realidade virtual ou aumentada, incluindo gigantes dos games como a Sony e a Valve. A Valve está sendo tímida e evitando revelar sua tecnologia ao público, mas os desenvolvedores que a viram e experimentaram durante os Steam Dev Days em Janeiro ficaram excepcionalmente entusiasmados, para dizer o mínimo.

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Mas há uma ponta de verdade neste mito: a maioria destes concorrentes do Oculus Rift ainda está num estágio muito inicial. Mas mais sistemas estão por vir, assim como a versão para o consumidor do próprio Rift.

5. Quem apoiou o projeto no Kickstarter saiu perdendo com a venda para o Facebook

Não, simplesmente não. O Oculus Rift é uma estonteante história de sucesso, e mais novo garoto propaganda para a missão do Kickstarter de patrocinar esperanças, sonhos e potencial. O Kickstarter não é uma loja de brinquedos, nem um lugar para buscar participação acionária em empresas.

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O Oculus Rift é uma das maiores histórias de sucesso do Kickstarter

Você pode até ficar chateado com a venda da Oculus VR para o Facebook, mas dizer que isso perverte os ideais do Kickstarter é simplesmente errado.

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