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Dez tecnologias que precisam urgentemente de padronização

Deve-se padronizar conectores, softwares, redes de telefonia e até controles remotos e assim, facilitar a vida do pobre usuário.

Dan Tynan, da PCWorld/EUA

17/02/2010 às 19h49

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adaptors-150.jpgHá mais de uma década estamos lidando com alguns problemas de padronização em produtos tecnológicos. São diversos sistemas operacionais para celulares, o que acaba causando incompatibilidade no momento de troca de arquivos com outro celular, por exemplo.

Sistemas de mensagens instantâneas diferentes que também acabam impedindo que sistemas distintos troquem mensagens e controles remotos espalhados pela mesa de centro da sala são outros exemplos que incomodam nossa vida e precisam melhorar.

Listamos dez tecnologias que precisam urgente de padronização, antes que mais invenções piorem o cenário em vez de trazer soluções para nós.

1. Um plugue universal
Ao longo dos anos usamos dezenas de carregadores, conversores, fontes, baterias e adaptadores de tomada para ligar o laptop, celular, MP3, câmeras digitais, GPS e outros gadgets à rede de energia elétrica. É um pesadelo de fios.

Os adaptadores USB estão um passo a frente, mas ainda assim é preciso lidar com seis tipos diferentes de conectores USB, dependendo do gadget. Se o usuário possui uma câmera com conector mini-USB e seu telefone celular usa micro-USB, então já é necessário levar os dois carregadores se ele for viajar. Muito inconveniente. E carregadores universais nem sempre funcionam, já que cada gadget possui características bem diferentes, como tensão de alimentação.

Com tantos dispositivos eletrônicos que os usuários móveis são obrigados a lidar no dia a dia, uma padronização é urgentemente necessária. Em 2009, a maioria dos grandes fabricantes de celulares (com exceção da Apple, claro) concordou em padronizar carregadores de celulares e smartphones com o conector Micro-USB, e isso deve ser feito até 2012.

Durante os últimos três anos, grupos como o Green Plug têm feito lobby para as empresas de eletroeletrônicos adotarem um único padrão de plug, mas até agora não há qualquer sinal resultado positivo. Mas podemos adicionar nossos protestos no site I Want My Green Plug.

2. Controle Remoto Universal
Com home theaters, player de filmes, gravadores, HDTVs, tudo isso com um lugar reservado na sala de estar, um usuário comum pode, em pouco tempo, acabar com cesto cheio de controles remotos. Todos fazem mais ou menos as mesmas coisas, com pequenas diferenças. Será que todo fabricante de TV, DVD, DVR, set-top box e outros produtos, precisam reinventar a roda a cada lançamento?

Precisamos de um controle que não necessite de um tutorial de meia hora para aprendermos todas as funções. Talvez o Projeto Natal, da Microsoft, que reconhece gestos para controlar uma imagem, possa ser utilizado em nossos dispositivos. Isso sim, seria uma mão na roda.

3. Instrumentos musicais virtuais
Ao jogar Rock Band no Xbox 360 ou Guitar Hero no PS3, o jogador quer apenas tirar as notas com a melhor performance que puder, e obter assim o melhor número de acertos e fazer um grande show. Infelizmente cada game precisa de uma bateria ou guitarra específica, além de ser também compatível com o console.

A boa notícia é que a situação está melhorando. A Activision e a Harmonix estão reconhecendo a dura batalha que os gamers enfrentam para jogar em conjunto, com seus intrumentos diferentes.

4. Um formato único de arquivo
PCs e Macs existem há 25 anos e as pessoas ainda têm dificuldades para trocar arquivos entre esses dois sistemas. E não se pode esquecer do Linux e que também existem outras plataformas, além destas.

A maioria dos mais de 1000 formatos de arquivo existentes são nativos de uma única aplicação. Precisamos de um único formato que possa ser exibido com precisão em todas as plataformas – e com a formatação correta também.

Nos últimos quatro anos, a OpenDocument Format Alliance vem desenvolvendo um formato baseado em XML que faz com que documentos do pacote Office sejam todos compatíveis entre as plataformas.

O grupo conta com o endosso de governos internacionais e apoio de grandes plaaformas, como o Google Docs e Open Office. Mas até a Microsoft apoiar o OpenDocument, o grupo não terá resultados rápidos.

5. Baterias inteligentes para smartphones (e teclados)
Caso a bateria de uma lanterna ou controle remoto termine, basta ir a qualquer supermercado para comprar outra. Mas quando a vida útil da bateria do celular ou smartphone acaba, ficamos amarrados aos revendedores do fabricante ou temos que apelar para marcas duvidosas, porém com preços bem menores, mas sob o risco de danificar o aparelho por conta de falhas de alimentaçãou ou vazamentos.

Os telefones possuem características tão diferentes que precisam de baterias e carregadores específicos? Cá entre nós, o que eles precisam mesmo é de energia elétrica!

O IEEE's Cell Phone Battery Working Group fez sua primeira reunião em fevereiro de 2010 para discutir o aumento da vida útil da bateria, assim como a elaboração de um invólucro padronizado. Infelizmente, considerando a lentidão com que a IEEE geralmente ratifica as normas, tal decisão parece que irá demorar muito.

Outro item que precisa de padronização nos smartphones é o teclado. Existe alguma lei que diz que o símbolo "@" (e outros) precisam ficar localizados em teclas diferentes para cada fabricante? Sempre quando trocamos de celular, temos que de nos acostumar com o novo teclado até ganharmos agilidade ao digitar de novo.

6. Avatares universais
Não, não se trata dos personagens de pele azul com cara de gato do filme homônimo. À medida que a web cria cada vez mais ambientes em 3D, cada um de nós terá um personagem virtual único que pode fazer parte do jogo World of Warcraft, vagar pelas ruas desertas do Second Life e fazer parte também de aplicações 2D, com o Facebook e, até quem sabe, para nos identificar em sistemas comerciais usados pelas empresas.

Várias organizações e grupos, incluindo a IBM, a Linden Lab (criadora do Second Life), Multiverse e o próprio consórcio Web3D, estão trabalhando em padrões de forma a permitir que os avatares possam viajar entre os diversos mundos online. No entanto, os avatares ainda não receberam passaportes para isso.

7. Discos de Blu-ray e DVD livres dos códigos por região
Ao viajar para o exterior é possível que a pessoa encontre um filme em DVD ou Blu-ray que não consiga encontrar em seu país e por um preço bem menor. Mas decide não comprar, pois sabe que os discos são feitos por região e, portanto, não irá funcionar quando retornar a seu país de origem.

O motivo, como de costume, é o dinheiro. Estúdios querem cobrar preços mais elevados em seus discos em certas partes do mundo, sem a concorrência das importações provenientes de locais onde se vende por menos. Mas à medida que conteúdos multimídia tendem a migrar para serviços online, tal limitação parece estar com seus dias contados. A menos, claro, que a indústria invente algum outro tipo de controle para infernizar a vida dos consumidores que só querem pagar o preço justo pelo que compram.

8. A segurança dos softwares de segurança
É fácil reconhecer um programa de edição de textos e um de planilha de cálculos. Mas o que dizer de um software de firewall ou um aplicativo contra invasões e vírus?

“É possível comprar um cadeado em uma loja local e contar com ele para proteger um local de sua casa, pois são fabricados segundo normas”, observa o CEO da Comodo, Melih Abdulhayoglu. Empresa desenvolve antimaware e fundador do Common Computing Security Standards Forum.

Mas não há um 'cadeado' equivalente para computadores. “Qualquer um pode rotular um software malicioso de Firewall ou Antivírus e torná-lo disponível para download. Uma pessoa leiga vai baixa pensando tratar-se de um software de proteção”, diz Abdulhayoglu.

O Fórum CCSS está trabalhando para estabelecer linhas de base para recursos e desempenho de um software de segurança, bem como formas de desenvolver artifícios para distinguir softwares de segurança ligítimos de iscas falsas.

Mas até agora, empresas da categoria peso-pesado do ramo, como a McAfee e Symantec, não se pronunciaram sobre o assunto.

9. Clientes de mensagens instantâneas que falam a mesma língua
Um serviço de VoIP pode chegar praticamente a qualquer serviço de telefonia de outras tecnologias, graças a regras como protocolos SIP e H.323. Mas se o usuário quiser enviar uma mensagem do Skype para o MSN ou Google Talk, por exemplo, é melhor usar pombos-correio.

Aplicativos de terceiros, como o Trillian Astra, oferecem suporte a múltiplos clientes de mensagens instantâneas, mas não conseguem abranger toda a gama de recursos que cada cliente oferece. Estamos nesta situação há mais de uma década. Não podemos chegar a um acordo?

10. Apenas uma regra para a rede de telefonia celular
Imagine um mundo sem operadoras de celular. Imagine todos os aparelhos com sinal ótimo e se comunicando sem qualquer problema de rede. Tudo bem, é uma utopia, coisa de sonhador, mas não estamos sós.

Quando o Google tentou conseguir a licença para a faixa de espectro de 700 MHz nos leilões da FCC (Federal Communications Commission), muita gente pensou que estava livre de concorrentes com problemas de sinal e com preços caros. Esta faixa de frequência era usada pela velha TV analógica nos Estados Unidos.

Mas a Verizon e a AT&T ganharam a maioria dos leilões e a rede aberta de celular e a possiblidade de haver uma rede aberta ainda não surgiu. Porém, ainda temos esperança que isso aconteça. Pode demorar mais ainda em países como o Brasil, mas já sabemos que pode acontecer.

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