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Dólar caro vai afetar preço de produtos de tecnologia, avalia Fipe

Entidade diz que preço de produtos de TI acompanharão alta do dólar e por isso, mercado deve rever crescimento projetado.

Evelin Ribeiro, especial para o IDG Now!

30/09/2008 às 11h19

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Os produtos de TI deverão sofrer impacto direto da crise financeira global. A recente rejeição ao pacote de auxílio à economia do governo americano causou quedas históricas nas bolsas de valores ao redor do mundo e, só na terça-feira (28/09), o dólar chegou a subir 6,21%, atingindo a marca de 1,966 real.

Enquanto a alta do dólar tem um reflexo tímido e a longo prazo na inflação geral, os produtos de tecnologia têm reação instantânea no aumento de preços.

"Nos aparelhos que dependem de componentes de tecnologia que são compradas em dólar, o efeito é direto e imediato. Se o dólar subir 10%, o preço do produto vai subir 10%", conta o coordenador do IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor do Município de São Paulo), Ivaldo Comune.

Comune alerta que os preços de equipamentos eletrônicos no varejo sofrerão aumento assim que os estoques atuais das lojas acabarem. "Os próximos lotes já virão com reajuste".

Para quem estava pensando em comprar um computador, por exemplo, o conselho do professor é que faça isso o mais rápido possível.

"Mas apenas se você já estava com o dinheiro reservado para a compra. Fazer um financiamento ou qualquer dívida é uma má idéia no momento. As vendas a prazo vão diminuir e ficarem mais difíceis e o financiamento será mais caro" aponta.

O analista da área de PCs do IDC Luciano Crippa acredita que o aumento de preços pode ser sentido apenas nos primeiros meses do ano que vem. "Os fabricantes que estão produzindo computadores para a demanda de Natal já compraram os componentes com a taxa de câmbio anterior. Afinal, com o mercado de TI aquecido como estava, eles já se prepararam e fizeram um estoque de peças", explica.
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Segundo Crippa, os fabricantes menores sofrerão mais a curto prazo, ao estoque menor, que os obrigarão a comprar equipamentos com o dólar mais caro.

Empresas e mercado
Apesar de o mercado de tecnologia ser hoje mais regular e melhor distribuído no Brasil, o coordenador da Fipe acredita que as empresas de TI sofrerão impacto em breve nas vendas, mas a diminuição nos empregos e na taxa de crescimento das empresas aparecerão apenas mais diante.

"Não vai ser colapso, mas (o mercado de TI) entrará num ritmo mais lento. Vamos demorar mais para chegar ao objetivos que estávamos esperando para 2009 ou 2010", estima Comune.

Apesar de o governo brasileiro dizer que temos apenas 14% das relações comerciais com os Estados Unidos, todo o resto (86%) é com outros países que, por sua vez, têm relações com os EUA. "A economia hoje é integrada e vamos sofrer também com a crise de outros países".

Com estimativas de que o dólar atinja patamares acima de dois reais, a própria demanda por bens de TI pode diminuir, pois a renda interna sofrerá problemas. "As conseqüências de comércio são imediatamente sentidas", finaliza Comune.

O IDC, apesar de ainda não ter números exatos sobre a redução do crescimento no mercado, afirma que deverá rever sua estimativa. "Vínhamos trabalhando com base no dólar a 1,65 real. Ontem (29/09), vimos a moeda fechar em 1,96 real. Só na taxa do dólar é um aumento de quase 18%. Não esperamos que estabilize em 1,96 real, mas o mercado não deve crescer como esperávamos até então", declarou Luciano Crippa, analista da consultoria.

Para ele, o impacto no mercado de TI terá reflexo principalmente da alta do dólar, e menos pela crise financeira em si. "O mercado financeiro responde com muita antecedência aos reais impactos e as empresas de TI que têm ações na bolsa são as que mais sofrerão com isso, mas não será um impacto tão grande nos números", finaliza.

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