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Em entrevista, hacker prevê aumento do risco da computação móvel

Instrutor em empresas como Google e Citibank, Ankit Fadia diz que todo cidadão deve aprender a se proteger no mundo digital.

Lygia de Luca, repórter do IDG Now!

14/05/2008 às 17h38

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entrevista_ankit_fadia_88O especialista em segurança da computação Ankit Fadia é conhecido pelo mundo como “hacker do bem”. O jovem indiano, de 22 anos de idade, já escreveu quatro livros e atua também como consultor de inteligência digital.

Fadia oferece treinamento de segurança para empresas como o Google, Citibank, Volvo, Shell e Wipro. Além disso, o hacker recebeu prêmios como o IT Leader Award e o Indo-American Society Young Achiever Award - ambos em 2005.

Em entrevista ao IDG Now!, Fadia fala sobre o futuro da segurança móvel e da falta de preocupação dos usuários em se proteger na web.

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IDG Now!: Um estudo recente mostrou que o acesso a bancos pelo celular é mais seguro do que no microcomputador. Você concorda com a afirmação? É mais seguro acessar a web em dispositivos móveis?
Ankid Fadia: Acho que o que está acontecendo é que há mais ferramentas de invasão para a internet. Quando você pensa na web, é mais fácil. Na plataforma computacional, qualquer pessoa pode acessar usando um computador. Já para  “hackear” dispositivos móveis, há poucos softwares disponíveis.

Nos próximos anos, os usuários estarão mais vulneráveis ao usar dispositivos móveis?
O risco deve aumentar muito, pois em alguns anos as pessoas viverão em “casas digitais”, onde todos os sistemas - como microondas e lava-louças - estarão conectados à internet. Uma pessoa mal-intencionada pode invadir o sistema no meio da noite. Acredito em uma perspectiva muito ruim para o futuro. O cenário tende a se tornar cada vez mais assustador.
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E como as pessoas podem proteger suas informações ao acessar a internet móvel?
Acho que o problema, hoje, está nos usuários, que não utilizam as ferramentas de segurança que o mercado oferece. Há softwares disponíveis, mas infelizmente poucas pessoas os implementam e utilizam.

Vejo que é necessário educar os usuários globalmente, ensinando aos cidadãos de todo o mundo, em salas de aula, o que é segurança - dando dicas de como se proteger.

Por que você acha que as pessoas não sabem se proteger?
Acho que a internet cresceu muito rapidamente. Há alguns anos, ninguém sabia sobre a web. Embora a rede tenha mudado a vida de todos, as pessoas não tomaram nenhuma precaução para se proteger. E, a menos que se tornem vítimas, os usuários não levarão a segurança online a sério.

No Brasil, vivemos uma explosão nas vendas de computadores - este ano, elas devem crescer 28% em relação a 2007. Que dicas são úteis para o usuário proteger sua máquina com eficiência?
Recomendo seis passos para manter o computador protegido. Primeiro, ter um firewall, como o ZoneAlarm, que é oferecido gratuitamente. Em segundo lugar, todos precisam instalar um antivírus no PC e, em terceiro, utilizar um software anti-spyware.

Além disso, é preciso criar senhas complexas - combinando letras, números e caracteres especiais. Também é recomendável que as pessoas usem senhas diferentes nos serviços utilizados na web.

É preciso ainda instalar um software de proteção contra keyloggers - programas que gravam tudo que é digitado pelo usuário. E, por fim, garantir a proteção física da máquina. Isto tudo é realmente simples de ser feito por qualquer pessoa.
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Você disse que é preciso criar senhas complexas, de preferência uma para cada serviço utilizado. O que acha de programas como o OpenID Initiative, ao qual o Yahoo aderiu recentemente?
Eu acho uma ótima idéia, pois com a necessidade do usuário fazer um único login, os crackers têm menos tempo de gravar as senhas do usuário. Existe um risco, é claro, pois há apenas uma senha. Mas mesmo assim acho uma boa iniciativa.

Há algum serviço online ou site que você considere perigoso?
Os sites são, em sua maioria, muito seguros. Não há problemas com eles, mas sim no computador dos usuários, que não têm segurança suficiente para navegar.

O crescimento da disseminação de arquivos de vídeos, músicas e fotos é um caminho para aumentar os perigos aos quais os usuários estão vulneráveis?
Acho que o problema envolve a privacidade dos usuários. Hoje, há muitas informações sobre a vida privada sendo divulgadas em redes sociais - como arquivos de vídeo, áudio e fotografias. E estes arquivos podem, claro, carregar vírus.

Como você acha que um "hacker do bem" se torna um "hacker do mal", conhecido como cracker?
Os hackers se tornam crackers quando querem se aproveitar do poder e conhecimento que possuem para fazer coisas maléficas. O hacker e o cracker têm o mesmo conhecimento em tecnologia. O que os torna diferentes é a quebra de barreiras - e hoje, com a internet, podemos quebrar todos os limites impostos.

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