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Em meio a ameaça de greve, Foxconn nega más condições de trabalho em Jundiaí

Funcionários alegam problemas no transporte, alimentação e fornecimento de água; sindicato deu prazo de 10 dias para a empresa

Cauê Fabiano, Macworld Brasil

27/04/2012 às 19h15

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Funcionários de uma fábrica da Foxconn em Jundiaí, São Paulo, ameaçaram entrar em greve ao alegarem más condições de trabalho nas instalações da empresa, e deram um prazo para que a companhia apresente soluções. 

De acordo com uma reportagem do Jornal de Jundiaí, cerca de 2,5 mil colaboradores apontam problemas na alimentação, transporte e no fornecimento de água nas instalações. O jornal entrevistou trabalhadores que afirmaram que “não havia água para sequer fazer comida”, e que os ônibus que transportam os trabalhadores estavam superlotados, devido a grande quantidade de contratações que a companhia teria feito. 

Lideranças do Sindicato dos Metalúrgicos de Jundiaí e Região afirmaram à Macworld Brasil que “foi dado um prazo [de 10 dias] à empresa, que vence no dia 3/5”, e que, ao término deste período, será realizada uma nova assembleia com os colaboradores, que decidirão se haverá mesmo uma greve na fábrica. Os representantes afirmaram ainda que as reivindicações englobam apenas questões de transporte, alimentação e abastecimento de água, e não envolvem salários ou jornadas de trabalho. 

Por meio de um comunicado, a Foxconn afirmou que “a falta de água foi decorrente de um problema de abastecimento da região, e o assunto já foi tratado com a empresa responsável”, e que as linhas de transporte que prestam serviço aos trabalhadores já foram remodeladas para a demanda correta de pessoas. A multinacional afirmou ainda que o restaurante passou por reformas e que há um projeto de de expansão dessas instalações e, por fim, reiterou “seu compromisso em proporcionar condições de trabalho adequadas para todos os colaboradores”. Nesta quarta-feira, 2/5, a DAE S.A., Água e Esgoto, de Jundiaí, contestou a Foxconn e disse que o problema de falta de água da empresa “é interno e não decorrente de interrupção de abastecimento na região”, como foi divulgado no final da última semana.

Responsável pela montagem de iPhones no Brasil, a Foxconn já se envolveu em diversas polêmicas, principalmente na China, onde alguns funcionários chegaram a cometer suicídio devido a baixos salários e más condições de trabalho na empresa. O jornal norte-americano New York Times chegou a publicar uma série de reportagens que afirmavam que a Apple era conivente com as violações de direitos trabalhistas em suas montadoras fora dos EUA. Na época, o CEO da companhia, Tim Cook, publicou um comunicado em resposta ao NYT dizendo que “Nós nos importamos com todos os trabalhadores em nossa cadeia mundial de abastecimento. Qualquer acidente é profundamente problemático, e qualquer problema com condições de trabalho é causa para preocupação. Toda insinuação de que não nos importamos é evidentemente falsa e ofensiva para nós.”

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