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Empresas de tecnologia investem em programas para novos profissionais

Projetos de seleção de trainees e estagiários ganham espaço nas companhias, que optam por treinar potenciais gestores.

Andrea Giardino, da Computerworld

23/09/2009 às 9h13

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As empresas estão cada vez mais preocupadas em identificar jovens talentos e alinhá-los aos seus valores. Prova disso é o número crescente de empresas de tecnologia e telecom que abrem processos seletivos para trainees e estagiários. No entanto, assim como acontece com posições mais seniores, a maioria das companhia está mais criteriosa na hora de contratar.

É o caso da Ericsson, fabricante de equipamentos para operadoras de telecom. De acordo com a gerente de desenvolvimento de RH, Cintia Ozzetti, os programas de trainee e estágio são importantes por alimentarem o processo de sucessão da companhia.

De acordo com a executiva, a base da pirâmide é reforçada com profissionais de tecnologia e telecomunicações. Cerca de 80% possuem perfil mais técnico e todos entram como analistas juniores. À medida que ganham conhecimento, vão crescendo na hierarquia.

No programa de estágio - que acontece duas vezes ao ano, em abril e maio - os selecionados, logo quando entram, começam a ser preparados.

Já os trainees são diferenciados por serem vistos como futuros líderes. Aí, a empresa busca quem apresenta potencial de assumir cargos gerenciais logo cedo, com os recém-formados nos vários cursos de Engenharia, Telecomunicações, Tecnologia da Informação e Análise de Sistemas.

“Mas em ambos os casos, buscamos quem fez intercâmbio e pode aprender outras culturas, adquirir novas experiências”, conta Cintia. “Também valorizamos quem tem paixão por tecnologia e anseia por inovação constantemente”.

Hoje, o programa de seleção de trainee é realizado uma vez por ano. Na última edição estiveram inscritas oito mil pessoas e este ano, a estimativa é que se bata o recorde, com dez mil inscritos.

A CPM Braxis, empresa brasileira de serviços em TI, também tem concentrado foco em jovens talentos. Mas hoje seu maior celeiro de profissionais está na faculdade. “Buscamos estagiários do penúltimo e último ano”, afirma Veronika Falconer, diretora de RH da companhia.

Este ano, a empresa abriu dois processos seletivos e a meta é ampliar o número de turmas em 2010. Os escolhidos passam por um treinamento de três meses. Após esse período, dependendo do seu desempenho, podem ser efetivados.

“Optamos por investir na base, moldando os futuros gestores aos nossos valores”, explica Veronika. Essa estratégia de formar talentos dentro de casa e permitir que eles construam carreira internamente tem tornado o processo de seleção da CPM  mais rigoroso. “Mesmo porque estagiário para nós não é mão de obra barata”, diz.

Um exemplo disso é o número de candidatos para o total de vagas. Dos oito mil inscritos em um dos processos de recrutamento 2008, apenas 103 foram contratados. Segundo Veronika,  a ideia é procurar pessoas com atitude, com interesse em crescer na área de TI e estar alinhado com os valores da empresa.

“Somos criteriosos. Queremos alunos que estejam em faculdades de primeira linha e tenham facilidade para aprender”, destaca a diretora de RH da CPM Braxis. Além de avaliar o raciocínio lógico dos candidatos, ela explica que são ponderados questões comportamentais, como capacidade de trabalhar em grupo, poder de comunicação, proatividade e domínio do inglês.

Essa busca incessante por jovens talentos parece que veio para ficar. A crise só reforça a estratégia das companhias em apostar na formação de futuros líderes, reflexo dos orçamentos apertados.

“Como os budgets ficaram mais enxutos, muitas empresas não têm verba para bancar os salários dos mais seniores”, avalia Claudia Barronca, gerente de RH da Topmind, consultoria em TI e de recrutamento. “Como resultado, contratam gente com perfil mais júnior para treiná-lo, pagando menos”.

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