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Empresas de tecnologia perdem interesse pela Zona Franca de Manaus

Em 2003, informática respondia por 24% do faturamento no Polo Industrial de Manaus. Em 2008, participação caiu mais da metade.

Rodrigo Caetano, do COMPUTERWORLD

11/01/2009 às 10h52

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O Polo Industrial de Manaus (PIM)
deixou de ser atrativo para as empresas de Tecnologia da Informação. Dificuldades logísticas e
incentivos fiscais pouco interessantes, principalmente por conta
do dólar baixo dos últimos anos, estão fazendo com que o setor de bens de
informática caia vertiginosamente em participação no faturamento do polo.

Em 2003, o segmento era
responsável por quase 24% da receita total de todas as empresas com produção
em Manaus. A
partir de 2004, este porcentual foi caindo gradativamente e deve ficar em cerca
de 13% em 2008.
A produção de computadores na região deve ficar estável este
ano, em comparação com o ano passado. Resultado que contrasta com os 20% de
crescimento registrado pelo mercado de PCs em geral, segundo dados da Associação
Brasileira da Indústria Eletroeletrônica (Abinee).

Para Humberto Barbato, presidente
da Abinee, o movimento reflete algumas escolhas feitas pelos estados em relação
ao tipo de indústria que pretendem incentivar. “Cada estado tem o direito de ter
a sua indústria”, afirma o presidente. “Os investimentos vão acontecer onde o
setor está. Não acredito que haverá novas razões para investir em Manaus”,
completa.

Um dos motivos para o setor ter
perdido o interesse em Manaus está na desvalorização do dólar, que se manteve
abaixo de dois reais até setembro, quando teve início a crise financeira que abalou
os mercados do mundo inteiro. “Esta queda barateou muito as importações. Com
isso, os incentivos para produzir em Manaus não compensavam as dificuldades de
logística e infra-estrutura”, explica Julio Gomes de Almeida, consultor do Instituto de
Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI).

O setor de TI é muito dependente
de importações, principalmente de semicondutores. Segundo dados da Abinee, a
importação de chips cresceu 28% este ano, em comparação com 2007. A importação de
componentes de informática, em geral, aumentou ainda mais: 40%. Também de acordo
com a associação, o setor nacional de componentes foi um dos poucos que
registraram queda no faturamento (5%) este ano.

Em 2007, o faturamento das
empresas de informática presentes no PIM foi de 7,58 bilhões de reais, valor que
representa uma queda de quase 20% em comparação com o ano anterior, segundo
dados da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). No mesmo período,
o setor de informática como um todo, segundo dados da Abinee, cresceu quase 7%.
Este ano, o crescimento da indústria de TI deve ser de 11%, com receitas
previstas de 34,89 bilhões de reais. No polo, o segmento faturou, até setembro,
5,46 bilhões de reais.

Compensação
Ao mesmo tempo, outros setores da
indústria ganharam força na região, principalmente o de motocicletas. De acordo
com dados da Suframa, de 2006 para 2007 o faturamento do setor duas rodas subiu
quase 27%, chegando a 11,54 bilhões de reais e uma participação de 27,21% na
receita total do polo. Este ano, o segmento já faturou 10,95 bilhões de reais.

A indústria eletroeletrônica
ainda representa a maior parte do faturamento, com 28,74% do total. Mas este
porcentual está em
queda acelerada. Em 2005, o valor chegou a ser de 35,57%. Por
outro lado, o setor de duas rodas, que há três anos era responsável por 16% das
receitas, hoje já responde por 27,21%.

Hugo Valério, diretor da área de
informática da Abinee, afirma que Manaus não deixou de ser atrativa. “Nós
vivemos em um país bastante plural. Cada estado tem seus anseios e direito a ter
sua indústria, não podemos impor nada”, afirma.

Com a crise e a desvalorização da
moeda brasileira, a perspectiva é que haja mais investimentos por parte do setor
eletroeletrônico, principalmente das empresas de TI, por conta da maior
competitividade que o país ganha em termos de custos e exportações. Manaus, porém,
ainda deve seguir fora da rota. “É cedo para afirmar, o câmbio ainda está muito
volátil, e talvez caiba rever alguns incentivos para o setor”, afirma Almeida.

Para o PIM, ver as empresas de TI
perdendo participação não representa queda no faturamento. Pelo contrário. Até
setembro, a receita total do polo foi de 40,26 bilhões de reais, o que
representa alta de 11,5% em comparação com o mesmo período do ano passado. Se as
projeções do Conselho de Administração da Suframa (CAS) de faturar 30 bilhões de
dólares este ano forem realizadas, será um novo recorde na história da indústria
manauara.

Agora, para o setor de TI, os
incentivos fiscais são uma demanda antiga. Mas, ao que parece, a força do
segmento não é suficiente para fazer o governo colaborar. Se o texto proposto
pela Comissão Especial da Reforma Tributária da Câmara dos Deputados for
aprovado, em votação que deve ser realizada em março do ano que vem, a carga de
impostos para o setor de software pode aumentar em até 16%, já que inclui a
cobrança de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre a
comercialização de programas de computador.

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