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Engenheiros encontram novos usos para os componentes de smartphones

É mais fácil e barato desmontar e reaproveitar os componentes de um smartphone do que criar novos aparelhos do zero

Martyn Williams, IDG News Service

27/02/2013 às 13h06

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Parece que os smartphones realmente podem fazer qualquer coisa. Os aparelhos modernos tem tanto poder de processamento e sensores em um espaço tão pequeno - e com um custo relativamente baixo - que estão sendo cada vez mais usados em projetos inovadores. Neste semana o Strand 1, um nano-satélite baseado em um smartphone Google Nexus One, foi lançado no espaço a bordo de um foguete indiano. E não é só o software que traz vantagens: o Android é uma plataforma cada vez mais popular para o desenvolvimento.

Portanto, quando pesquisadores do Fraunhofer Institute for Integrated Circuits (Fraunhofer IIC), na Alemanha, receberam a tarefa de criar uma câmera que pudesse ser acoplada a uma águia para capturar uma visão em primeira pessoa da vida do pássaro, eles também pensaram em um smartphone. Mas não dá pra simplesmente amarrar um smartphone às costas do animal.

Em vez disso, os engenheiros do IIC desmontaram o aparelho e recolocaram alguns de seus componentes em placas de circuito feitas sob medida. Elas tiram proveito dos componentes pequenos, de baixo custo e com interfaces padronizadas, e os agrupam em unidades que podem ser facilmente empregadas em outros projetos. 

“A idéia, três anos atrás, era aproveitar os poderosos processadores encontrados em smartphones e tablets para outros usos, como câmeras profissionais e outros mercados como sistemas de vigilância remota”, disse Michael Schmidt, um pesquisador do Fraunhofer IIC.

A “câmera da águia” continha um módulo de câmera, processador e memória, e era capaz de se comunicar via Wi-Fi ou LTE, tornando possível a transmissão de vídeo em tempo real. Outra câmera desenvolvida nos Instituto retém a bússola, giroscópio, sensor de temperatura, acelerômetro e barômetro comumente encontrados em smartphones e há uma interface Bluetooth para a conexão a outros aparelhos como um módulo GPS.

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Parte dos componentes da "Câmera da Águia" (Eagle Cam)

Isso significa que a câmera não só é capaz de gravar vídeo, como também registrar dados de uma variedade de sensores. Vídeo pode ser reproduzido através de interfaces como HDMI, Ethernet ou HD-SDI, e tudo isso controlado pelo sistema operacional Android em um aparelho ainda menor que um smartphone.

Os pesquisadores do Instituto Fraunhofer dizem que estão procurando formas de trabalhar com outras organizações no desenvolvimento de projetos sob medida. “Por um lado, temos estes processadores muito poderosos, mas por outro, temos pequenas e médias empresas em diferentes mercados que não tem acesso a esta tecnologia”, disse Schmidt. “É por isso que decidimos que precisamos preencher este vazio. Estamos tentando criar placas de referência e treinar engenheiros nestas empresas e ensinar como podem usar estes processadores. Criamos APIs (interfaces de programação), software e aplicativos de exemplo que podem tornar a vida mais fácil para estes consumidores.

O vídeo capturado pela “câmera da águia” se transformou em um filme chamado “The Way of the Eagle”, que será lançado em 2014 pela Terra Mater Factual Studios, parte da Red Bull Media House.

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