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Entenda porque atualizações rápidas são a chave para o sucesso da Microsoft

Empresa precisa se adaptar a um novo ritmo para acompanhar as inovações do mercado e manter seus serviços atraentes aos usuários.

Brad Chacos, PCWorld EUA

10/04/2013 às 20h01

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Pergunte a cinco geeks qual a maior falha do Windows 8, e você irá receber cinco respostas diferentes. Alguns criticam a nova Tela Iniciar, outros a falta do Botão Iniciar. Há quem reclame da necessidade de abrir a barra de “Charms” para imprimir ou procurar por qualquer coisa. E as tais Contas Microsoft, então?

Mas você sabe qual é realmente o maior problema com o Windows 8? Novidades demais de uma vez só. E tinha que ser assim. O processo tradicional de desenvolvimento do Windows era tão horrendamente lento que o primeiro iPad sequer havia sido lançado quando o Windows 7 chegou às lojas. Então a Microsoft foi forçada a correr muito para alcançar a concorrência com o Windows 8, ou arriscaria ficar para trás para sempre. Isso não irá acontecer novamente.

A Microsoft está abandonando o letárgico cronograma de lançamento do passado e adotando um ciclo de desenvolvimento contínuo focado em um “ritmo constante de atualizações e inovação”. A mudança para atualizações menores e mais frequentes é algo gigantesco para a Microsoft, e tem implicações que podem sacudir todo o ecossistema dos PCs. Vamos dar uma olhadinha no futuro?

Mais rápido, melhor, mais barato

Vamos começar com as coisas simples. Como dito quando os primeiros indícios da atualização do Windows 8 conhecida como “Windows Blue” surgiram na internet, a mudança para um ciclo de atualizações rápidas e regulares pode trazer vários benefícios significativos para os usuários finais, como eu e você.

Em primeiro lugar, elas não devem pesar tanto no seu bolso. Atualizações mais frequentes devem ser mais baratas: em vez de pagar US$ 100 ou US$ 200 em uma nova versão do Windows a cada três anos, você pode acabar gastando apenas US$ 30 ou US$ 50 anuais para garantir o acesso aos mais novos recursos. Quem não gosta de pagar menos?

A transição “em massa” da Microsoft para um ciclo de desenvolvimento contínuo também significa atualizações mais constantes para a vasta família de softwares da empresa, do Windows e Office a outros aplicativos e serviços. O ritmo contínuo de atualizações necessário para acompanhar a inovação significa que a Microsoft pode entregar novos recursos e ajustes aos usuários em muito menos tempo (e em doses muito menores) do que antes.

O futuro é incremental, não revolucionário. Não haverá mais grandes e súbitas mudanças como no Windows 8. Em vez disso, teremos pequenos passos. 

Já estamos começando a ver os frutos deste novo foco no processo de desenvolvimento. Uma atualização recente dos apps Mail, Calendário e Pessoas adicionou recursos necessários ao pacote base de comunicação do Windows 8 na forma de sutis, mais ainda assim bem-vindas, melhorias em suas interfaces. Uma versão preliminar do Windows Blue também surgiu na internet, e dentro de seus blocos dinâmicos foram encontrados vários ajustes que resolvem alguns dos problemas iniciais encontrados na Interface Moderna do Windows 8.

Mas a Microsoft precisa seguir com cuidado neste novo território. Embora um ciclo contínuo de desenvolvimento impeça o tipo de mudança drástica que chocou muitos usuários de primeira viagem do Windows 8, ele também abre a possibilidade de causar irritação nos usuários ao introduzir pequenas, porém irritantes, mudanças na interface o tempo todo.

“Embora, do ponto de vista do auxílio ao usuário para que aprenda novos recursos, faça sentido introduzir mudanças de forma incremental, é necessário ter cuidado para ajudar, e não perturbar, o aprendizado”, disse Andrea Matwyshyn, uma professora-assistente na Wharton School of Business na Universidade da Pensilvânia, nos EUA.

Ainda assim, no passado os grandes problemas com uma nova versão do Windows continuavam sendo grandes problemas até que uma nova versão do sistema, ou um “Service Pack”, fosse lançado. O fim destes dias é uma mudança bem-vinda.

Círculos virtuosos

Mais importante é o que a mudança para atualizações mais frequentes significa para a própria Microsoft.

“Isto é uma imensa mudança para eles”, diz Wes Miller, vice-presidente de pesquisa na Directions on Microsoft, uma organização analítica independente dedicada a acompanhar a gigante da informática. E, diz Miller, a mudança vem do recente reposicionamento da empresa com um foco em aparelhos e serviços, em vez de puramente software. Steve Ballmer anunciou a nova "mentalidade" em uma carta aos acionistas após o anúncio do tablet Surface.

“É por esse motivo que estão fazendo isso”, disse Miller em uma entrevista por telefone. “Eles estão tentando adicionar valor à plataforma Windows (Windows 8, Windows Phone 8, Windows RT) em um cronograma anual, tanto para que possam vender mais aparelhos como para que possam vender mais serviços relacionados ao Windows. A esperança é que isso se torne um círculo virtuoso: você compra um aparelho com Windows e assina serviços da Microsoft (para complementá-lo), e então compra outro aparelho com Windows e continua usando os serviços, e por aí vai”. 

O futuro é software como um serviço, e não apenas software. E por causa disso a Microsoft está tentando uma reconfiguração monumental de seu principal negócio.

A Microsoft quer que os usuários percam o hábito de pagar uma vez por uma licença perpétua de um software, e que se acostumem a pagar por serviços uma vez por ano. Sabe a diferença de preços e recursos entre o Office 365 e uma licença tradicional do Office 2013? Não é acidental. Não há motivo técnico pelo qual a Microsoft não possa entregar atualizações com novos recursos para os usuários do Office 2013 com a mesma facilidade que para os usuários do Office 365. Mas ela não irá fazer isso, porque prefere que você assine o Office 365 em vez de comprar o Office 2013.

Serviços se traduzem em mais dinheiro (e um fluxo de caixa mais regular) ao longo do tempo. Mas eles também precisam de atualizações mais constantes para oferecer mais valor em relação às licenças e alternativas tradicionais.

Ficando azul

O Windows Blue, e com ele o início das atualizações anuais do Windows, é parte desta estratégia. Especula-se que o Blue será uma atualização gratuita (a primeira dose é sempre grátis) mas que as atualizações seguintes serão pacotes “premium”, que irão acostumar os usuários a pagar todo ano pelo Windows, mesmo que o sistema operacional não seja tecnicamente um serviço.

Se a adoção do Mac OS X servir como indicador, é uma estratégia que pode funcionar. Os números mais recentes da Net Applications mostram que mais de dois terços dos usuários de Macs rodam o OS X 10.7 ou 10.8, as duas versões mais recentes do sistema, com quase metade dos usuários rodando o 10.8. Isso representa um monte de atualizações de sistema a US$ 20 ou US$ 30 cada, ou um monte de computadores vendidos recentemente.

As mudanças no Windows Blue tornam a interface do Windows 8 mais palatável, o que por sua vez ajuda a tornar o tablet Microsoft Surface mais atraente para potenciais compradores. Lembre-se, agora a Microsoft é uma empresa de aparelhos e serviços. A rápida aplicação de ajustes na interface pode colocar nova vida no letárgico mercado de tablets Windows. Se essa fosse a velha e monolítica Microsoft, o app de Email ainda seria o mesmo do dia em que o Windows 8 foi lançado, 26 de Outubro de 2012, e as novas opções de sincronia de dados no Windows Blue não iriam aparecer até pelo menos 2015, tarde demais.

“Pelo que vi até agora, o Windows Blue é mais do que o Windows 8 deveria ter sido”, diz Miller. “Mas eles tem que fazer essas mudanças. Tem que adicionar mais valor e coisas que os consumidores desejam para incentivar as pessoas a comprar tanto Surfaces quanto outros aparelhos com o Windows 8 e Windows RT”.

E com atualizações rápidas e incrementais, a Microsoft pode fazer isso.

Por fim, a mudança para um ciclo de atualizações frequentes casa com a visão da Microsoft de um futuro com múltiplos dispositivos. A mudança para os Blocos Dinâmicos não foi só uma decisão de design, mas uma mudança completa de estratégia para a Microsoft, bem como uma pedra fundamental do círculo virtuoso.

“Nossos grupos de produtos também estão adotando uma abordagem unificada no planejamento, para que as pessoas tenham o que querem: todos os seus dispositivos, apps e serviços trabalhando em conjunto onde quer que estejam, não importa o que estejam fazendo”, disse Frank X. Shaw, diretor de comunicações da Microsoft, no mesmo post de blog que anunciou a mudança para um ciclo de desenvolvimento contínuo e reconheceu oficialmente o Windows Blue.

O antigo ciclo de lançamentos a cada três anos não casa com o novo foco em serviços e interconectividade. Para manter todos os serviços e plataformas em sincronia a Microsoft precisa atualizá-las praticamente em uníssono. Tanto o Windows RT, Windows Phone 8 e Windows Server 2012 deverão receber atualizações “Blue”. E não se esqueça de como o Xbox se integra com tudo isso.

O futuro é uma bolha amorfa de dispositivos e serviços entregando uma experiência de usuário consistente em uma miríade de formatos, e não plataformas Windows distintas.

O amanhã começa hoje

Matwyshyn levanta um ponto válido sobre uma eventual sobrecarga na interface, mas a mudança da Microsoft para um ciclo de atualizações incrementais e desenvolvimento contínuo parece trazer nada mais do que coisas boas para os usuários, a Microsoft e todo o ecossistema dos PCs.

Sim, o novo foco da empresa em serviços pode ser um pouco preocupante para os tradicionalistas, mas não se preocupe: software “avulso”, não atrelado a um serviço ou assinatura, pode não ser tão popular no futuro, mas ainda estará entre nós muito depois do "desktop" desaparecer do Windows.

O mundo da computação como o conhecemos é construído sobre o sistema operacional que Bill Gates criou. A transição da Microsoft de atualizações monolíticas para um processo de desenvolvimento contínuo pode parecer não ter grandes consequências a princípio, mas significa uma nova era para o PC - uma que está em sintonia com o rápido e conectado mundo de hoje, em vez de uma comprometida com o ritmo mais lento dos discos ópticos e ciclos de atualização de empresas versas a mudanças. Uma era construída ao redor da “Internet das Coisas” em vez de caixas pretas.

Este é o futuro da Microsoft. E já estava na hora dele chegar.

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