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Especial – Como será o futuro do Mac: sistema operacional

Software do Mac está perdendo suas principais características e ficando cada vez mais parecido com o iOS, do iPhone; saiba o que esperar

John Siracusa - Macworld/EUA

08/12/2010 às 17h31

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O Snow Leopard foi lançado há de um ano e meio, mas a maioria de das mudanças no que estava por debaixo do capô. O último lançamento a incluir melhorias significativas na interface do usuário foi o Mac OS X 10.5 (Leopard), que data de mais de três anos. 

Se o Mac OS X parece "negligenciado", isso tem muito a ver com a atenção constante que a Apple tem dado ao iOS. Desde a chegada do Leopard, o iOS passou por quatro revisões de peso, cada uma delas trazendo novos recursos para os dispositivos móveis da empresa. 

Em outubro, durante o evento Back to the Mac, a Apple finalmente anunciou o Mac OS X 10.7 Lion, que deve ser lançado até o fim do primeiro semestre de 2011. Somente algumas ferramentas foram demonstradas – e de maneira muito breve – então fica difícil precisar se esse será um lançamento com preço reduzido, como foi o caso do do Snow Leopard, ou uma versão revolucionária, carregada de recursos e novas ferramentas (e por isso, mais cara) como aconteceu com o Leopard. Entretanto, informações que conseguimos deixam algumas coisas mais claras. 

Para a próxima versão do Mac OS X, a Apple se inspirou na principal característica do iOS: simplicidade. Assim como o Mac era originalmente uma alternativa aos sistemas operacionais baseados em linhas de comando, o iOS hoje contrasta de maneira significativa perante o Mac OS X e outros sistemas operacionais para desktop, mesmo que relativamente mais complexos. A Apple planeja usar o que aprendeu com o iOs para fazer o Mac OS X mais acessível e ainda mais fácil de usar. 

O problema dos apps
Vamos começar a tarefa mais básica do sistema operacional: instalação e execução de aplicativos. Usuários de Mac acostumados com isso tiram esse processo de letra, mas tente explicar tudo isso para um novato. O sistema de arquivos comprimidos, imagens de disco e aplicações de instalação pode ser complicado mesmo para usuários avançados.

Depois de baixar um aplicativo, para onde ele vai? Depois de encontrá-lo, ele é um instalador ou é o próprio app? Uma vez instalado, ele deve ser arrastado para o Dock ou pode ser executado na pasta onde estiver? E o que fazer com a imagem de disco?

Desinstalar um aplicativo é ainda pior; o processo no Mac OS X não é uniforme. Algumas vezes arrastar o ícone do aplicativo (desde que o usuário o encontre) para o Lixo é o suficiente. Porém, qualquer outra aplicação que use um instalador multistep provavelmente também precisa de um desinstalador para removê-lo definitivamente. 

Agora compare todo esse processo com o que acontece no iOS, no qual basta apertar um único botão para instalar um aplicativo, e a desinstalação é igualmente simples, e funciona para todo tipo de app. Essa facilidade é (juntamente com o baixo preço) a razão pela qual os usuários estão comprando e instalando cada vez mais apps. Pessoas que se assustaram com os processos de instalação do Mac provavelmente irão se sentir mais confortáveis, ao navegar pelos apps no iPhone ou iPad, em poucos toques. 

A Apple ouviu esse feedback; a Mac App Store, ainda não lançada oficialmente, irá trazer essa experiência dos aplicativos do iOS para o Mac: comprar e instalar com apenas um clique, visual explícito do progresso do download e uma indicação muito clara de onde a aplicação fica, uma vez que tenha sido baixada. Durante o evento em outubro, a Apple não demonstrou o novo procedimento para desinstalação, mas vale apostar que será parecido com o que acontece no iOS. 

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Mac OS X de cara nova: recursos como o Finder e o Spotlight podem estar com os dias contados

Fim do Finder?
O Dock do Mac OS X simplificou de maneira muito marcante a experiência de utilizar aplicações no Mac, contudo, isso muda de figura quando o usuário precisa ir além dessa barra. O Finder foi um grande passo em direção à complexidade, comparado aos ícones do Dock. Há também o mecanismo de busca oferecido pelo Spotlight, mas uma vez que o usuário começa a digitar os termos que deseja pesquisar, a batalha pela simplicidade já foi perdida.

O iOS levou a interface do Dock um passo além. Em vez de uma única linha, com as aplicações mais utilizadas, o sistema mostra todos os apps em uma grade; sim, ainda existe um mecanismo de busca como último recurso, mas não há nada parecido com o Finder no iOS. 

A Apple parece agora questionar se realmente deve existir um Finder no Mac OS X. A ferramenta de Launchpad do Lion traz a grade de apps para o Mac, superando o papel do Finder como ferramenta, para encontrar e executar aplicações que não estão no Dock. Com as aplicações do Mac usando cada vez a metáfora de “biblioteca”, como foi introduzido a partir do iTunes e do iPhoto, a necessidade de interagir diretamente com os documentos, ao acessar um sistema de arquivos, está desaparecendo lentamente. 

Em direção ao iOS
O sistema operacional também influencia o design das próprias aplicações, apesar das ferramentas e frameworks que ele oferece e  o kit de exemplo dos aplicativos que vêm junto com o OS. A nova diretiva da Apple para os apps do Mac OS X é que eles se parecem mais com os aplicativos para iOS.

Exemplo disso é o fato de os aplicativos para iOS serem utilizados em modo tela cheia. Isso faz sentido, dado que o tamanho menor da tela dos dispositivos móveis. Entretanto isso também é uma medida para focar em um único objeto, o que os consumidores parecem gostar.

Os desenvolvedores de Mac estão agora sendo encorajados a adicionar um modo full screen a suas aplicações. A Apple já deu o primeiro passo com iPhoto. Versões futuras do Mac OS X irão contar com uma maneira de trocar facilmente de aplicação sem deixar o modo de tela cheia, mantendo tanto as vantagens do recurso multitarefa do Mac e o foco do iOS. 

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Mac OS X 10.7 Lion segue o estilo da plataforma iOS 

Devido às restrições de memória nos dispositivos móveis, há pouco tempo o iOS obteve a habilidade de executar mais de um aplicativo por vez. Mesmo assim, aplicações de iOS ainda precisam estar prontas para serem requisitadas pela memória a qualquer momento, e espera-se que esses processos sejam automaticamente restaurados a seu estado anterior quando for executado. Isso também significa que não há uma operação explícita de “Salvar” no iOS; tudo é salvo automaticamente.

 

Apesar de não sofrer das mesmas limitações de hardware, a empresa decidiu que os  aplicativos para Mac OS X deveriam se comportar da mesma maneira. As versões futuras do sistema operacional devem incluir suporte nativo para salvar e restaurar automaticamente o estado de uma aplicação. É possível que o Dock não proporcione mais indicações visuais que um aplicativo está rodando; se o estado de um app nunca é perdido, a distinção entre estar ativo ou inativo não importa mais. 

De olho no preço
Há muitas outras áreas tradicionais nas quais o Mac OS X irá desenvolver: a transição para 64-bit será completada, o suporte para armazenamento em memória flash irá melhorar (provavelmente com a ajuda de um novo e mais moderno sistema de arquivos) e performance 3D podem virar o centro das atenções. 

Mas esses esforços têm diminuído por causa do novo curso que a Apple tem tomado em relação ao Mac OS X. A partir da experiência com o iOS, a Apple acredita que tenha descoberto – ou quem sabe, redescoberto – o segredo para vender produtos para o consumidor: simplicidade.

Isso não significa que o Mac que conhecemos irá desaparecer; em vez disso, ao roubar as melhoras ideias do iOS, o Mac OS de amanhã pode lentamente continuar seu legado, enquanto continua com o mesmo poder, utilidade e espírito que sempre definiu o Mac.

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