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Especial: e se o novo Windows 10 for um fracasso?

Conversamos com analistas e especialistas de mercado sobre qual seria o cenário caso o novo sistema da Microsoft siga o mesmo caminho do anterior Windows 8.

Scott M. Fulton, IDG News Service

19/01/2015 às 12h00

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Já se passaram 25 anos desde que um potencial fracasso do Windows carregava sérias consequências para além do próprio campus da empresa de Redmond. Versões do MS-DOS e do Windows falham em conseguir tração antes e já foram até mesmo detonadas publicamente. Mas nesse quarto de século, a dominância da Microsoft no desktop manteve a plataforma viva, mesmo quando os consumidores e empresas se recusavam a fazer o upgrade.

Hoje, a palavra “dominância” não se aplica realmente ao Windows, e especialmente não à Microsoft.


Lados opostos

O Windows 8 foi um fracasso espetacular, que afundou em grande parte por conta da tela inicial. Se o Windows 10 não se sair melhor, existem duas visões das consequências. Uma é que o Windows agora está vulnerável ao esquecimento. Então, assim como um primeiro-ministro enfrentando uma votação entre vários partidos sem confiança, um fracasso do Windows 10 forçaria a Microsoft a criar a “desculpa” perfeita para o por quê o o Windows precisa continuar a ser produzido.

Sim, o Windows já falhou antes, sem afetar a economia mundial ou coisa do tipo. Mas não porque o sistema não fosse assim tão importante.

Como acontece com líderes medíocres ou serviço de TV a cabo ruim, as pessoas vão ficar com o que possuem na falta de uma alternativa melhor. Mas se o Windows 10 não “pegar”, as fabricantes de eletrônicos podem se afastar dos PCs mais ainda. Os produtos que elas fazem, usam outros sistemas nativos ou até mesmo desktops virtuais, podem parecer menos e menos com laptops e não muito diferentes de tablets.

Alguns analistas possuem uma visão alternativa: é o Windows 7, não o 8, que possui a maior fatia de base instalada do sistema. Se o Windows 10 não for melhor que o Windows 8 nos mercados de consumidor final, pequenas empresas e corporativos, o Windows 7 simplesmente continuará na liderança.

“O Windows 7 oferece uma forte concorrência para qualquer novo sistema para desktops”, afirmou o diretor de pesquisas da IDC, Al Hilwa. “Mas desde que o novo ambiente seja familiar o bastante tanto para usuários quanto para desenvolvedores, a taxa de substituição para PCs vai assegurar uma mudança contínua, e algum sucesso.”

De qualquer forma, esses especialistas sentem que a melhor coisa que o Windows 10 possui no momento é a falta de uma alternativa viável.

Mas se o Windows 10 virar um fracasso de mercado na mesma escala do Windows 8, será que as fabricantes e parceiras (OEMs) abandonariam a plataforma da Microsoft? E então os usuários e empresas seguiriam essa mudança? “Penso que esse cenário é irreal, e improvável de acontecer na prática”, afirmou o analista-chefe da Jackdaw Research, Jan Dawson.

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“Realmente não há nada óbvio aí fora. O Chrome OS é realmente uma alternativa que está ganhando alguma tração, mas está principalmente no mercado de educação. Possui sérias limitações para qualquer pessoa que passa qualquer tempo em seu PC longe de casa, por causa da sua dependência na conectividade constante para o funcionamento da maioria das funções. Ele não rodará a maioria das aplicações que as pessoas querem rodar em um aparelho desses.”

E apesar dos consumidores olharem cada vez mais para os Macs, é bom lembrar que nenhuma fabricante parceira (OEM) da Microsoft ou Google irá produzir um computador da Apple.

Escassez de alternativas

“Se a Microsoft fosse transportada para outro planeta amanhã, ainda levaria um bom tempo até o Windows desaparecer”, afirma o analista da Reticle Research, Ross Rubin.

“Existem Chromebooks no mercado de entrada e Macs no topo, mas o Windows ainda tem uma participação muito grande no mercado de computadores”, diz. “O Android pode entrar, mas o Google teria de afrouxar suas amarras em formatos para laptops.”

Rubin depois ampliou a discussão sobre o assunto, dizendo que o Chromebook ainda pode fazer uma nova jogada para ir do mercado de entrada para o médio, e os MacBooks a partir do top de linha. Mas os usuários que constituem a maioria do mercado entre essas duas linhas criaram altas expectativas para funcionalidade e confiabilidade que nenhum produto pode conseguir alcançar.

“Para muitos usuários, não existe uma alternativa pronta”, afirma Rubin. O Google ainda não mostrou capacidade de oferecer os serviços que os usuários do Windows esperam, e a Apple não demonstrou nenhuma vontade de competir em preço, no que os varejistas chamam de segmento de “custo”, afirma. “Então você tem esse enorme buraco no mercado de laptops entre, digamos, 300 dólares e 1000 dólares (nos EUA), em que...é o Windows.”

Velho conhecido

Uma das grandes armas do Windows, apontam os especialistas, tem sido sua familiariadade entre os usuários. Grande parte dessa familiariadade é apresentada por sua base de software, e sua resistência à ideia de mudança mesmo na presença de um novo ambiente atraente e rápido.

 

“O Windows 8 criou uma descontinuidade na experiência do usuário que nem os consumidores nem as empresas conseguiram superar”, afirma Hilwa, da IDC. “As pessoas ficaram nervosas por terem de aprender coisas novas; enquanto isso, existem alternativas na forma de tablets mais baratos, leves e usáveis. A Microsoft subestimou a reação à mudança. As empresas de TI no geral, estando pré-ocupadas com a ‘disrupção’, parecem ter um ponto cego quanto ao valor da familiariadade.”

“É improvável que o Windows 10 fracasse, desde que forneça para as pessoas a habilidade de usarem o sistema da mesma maneira a que estão acostumadas."

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