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Especial: histórias surpreendentes sobre como é trabalhar na Apple

Grandes doses de sigilo, designers cheios de poder e membros da família aconselhando: “esqueça tudo”

Por Lou Hattersley, Macworld U.K.

06/03/2015 às 18h26

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Como, de fato, é trabalhar na Apple? A cultura de trabalho em Cupertino não é igual ao de qualquer outra companhia. A empresa fundada por Steve Jobs é famosa por manter segredos (até mais do que outras provedoras de tecnologia) e dos funcionários se espera que façam o melhor trabalho de suas vidas. Dentre as coisas que pouco se fala, uma delas é justamente a resposta para a pergunta que abre esse texto. 

Apesar de ser fechada, há muitas boas fontes de informação sobre o que representa e como é ter um crachá com uma maçã estampada. Nos parágrafos a seguir olharemos como ex-funcionários da companhia, seus amigos e suas famílias, bem como pessoas que observam de perto os movimentos da empresa têm a dizer sobre o que significa e como é a rotina de um empregado por lá. 

110% de sua energia

O editor da Fortune e autor do livro Inside Apple, Adam Lashinsky, passou um longo período conversando com funcionários e ex-funcionários da Apple. Em uma de suas apresentações em Stanford intitulada Keeping Company Secrets (no português, Mantenha os segredos da companhia), ele revela um pouco da cultura lá praticada. 

“Comparo funcionários da Apple com cavalos usando antolhos [equipamento que impede que o animal olhe para os lados]”, comenta. “Eles não podem olhar para a direita, eles não podem olhar para a esquerda. Eles devem olhar para frente e você cobra que deem 110% de sua energia”, adiciona. 

Uma coisa que separa a Apple de outras empresas é sua cultura voltada a manter o segredo. A maior parte das companhias de tecnologia treina funcionários para isso, mas a empresa de Cupertino vai além. “Parte da cultura corporativa e forma de fazer negócios – e isso demonstra como eles operam – versa sobre manter uma aura de mistério sobre si mesma”, diz Lashinsky.

“Eles mantém segredo entre seus empregados. Se você e eu trabalhamos na Apple, mas não estamos no mesmo time, seu negócio não é da minha conta e o meu negócio não é da sua conta”, acrescenta. 

Ouvimos de múltiplas fontes que engenheiros da companhia, mesmo em cargos mais elevados, não têm ideia do que será o produto final no qual trabalham até que esse seja, de fato, lançado. As pessoas que trabalham com software não tem ideia de como o hardware que rodará aquilo vai ser, da mesma forma que o pessoal de hardware não imagina que software rodará ali. 

Cultura interna 

Essa política e sigilo absoluto, por incrível que pareça, foi precedida de uma cultura interna surpreendentemente aberta no início da companhia. Ken Rosen, sócio na Performance Works, explica em uma resposta na plataforma Quora.

“No começo, tudo era aberto a todos. Houve até um documento no escritório do CFO que revelava os salários dos funcionários. Podíamos verificar esse arquivo quando quiséssemos. Pouca gente fazia isso. Certa vez, Steve nos disse ‘dentro do NeXT, tudo é aberto. Fora do NeXT não dizemos nada’. Era maravilhoso. Ele acrescentou: ‘a prática continuará até o primeiro vazamento. Assim que vocês provarem que não conseguem manter segredo, voltaremos a ser como qualquer outra empresa”, lembra.  

Essa postura mudou quando Jobs retornou a organização. Aliás, muitos empregados desse período contam histórias diferentes. “Fomos convidados a praticar uma espécie de desaparecimento”, conta Robert Bowdidge, engenheiro de desenvolvimento de ferramentas, sobre a época que foi selecionado para um novo projeto. A frase que frequentemente uso para descrever o que precisava fazer é ‘faça as pessoas pensarem que você ficou viciado em drogas  e não aparece regularmente. Não era sequer autorizado a falar com o meu gerente e tudo que eu sabia é que tinha sido alocado em algum projeto secreto”. 

Essa postura não afeta apenas os empregados, mas também seus amigos e familiares. Kim Scheinberg, investidora anjo, conta uma história sobre como seu parceiro estava envolvido em um projeto para portar Mac OS X para plataforma Intel. Ela lembra do dia que teve que “esquecer tudo que sabia e ele não seria mais autorizado a falar comigo novamente até o dia que o produto fosse revelado”.  

Pense diferente

A cultura não é típica a de uma empresa de computadores. “Na minha opinião, é diferente de qualquer outra empresa que presenciei”, comenta Lashinsky. “É mais como uma agência de segurança. Fiz a comparação a um funcionário da NSA e ele identificou como algo muito parecido com a forma com eles operam”.  

Muitos funcionários falam sobre a inexistência de muitas políticas. “Não tem muitas normas porque a Apple não passa nenhuma informação que pode ser classificada dessa forma”, comenta o editor da Fortune. “Então, ao invés de ir ao trabalho, você apenas trabalha. E essa é, e uma versão resumida, a forma com as coisas funcionam na empresa”. 

Isso, no entanto, não quer dizer que ninguém sabe o que outras pessoas estão fazendo. Um exemplo famoso da cultura da Apple é o DRI (Directly Responsible Individual). Lashinsky explica: “Você vai a uma reunião, haverá uma lista de itens com a ordem do dia ao lado do item de ação que traz um nome. Esse nome é o DRI, uma pessoa que é responsável executar a tarefa. Veja, não é um grupo que se reporta a alguns gestores, mas uma única pessoa”. 

Apesar dessa cultura secreta, há um número surpreendentemente grande de fotografias do interior dos escritórios da Apple. A Apple Gazette tem uma grande coleção de fotografia do Quartel General da companhia. 

Cultura de startup

A Apple mantém suas equipes pequenas e, de acordo com muitas pessoas, permite que as pequenas equipes tenham um notável grau de independência. A empresa é capaz de agir como uma startup quando sente que essa é apropriada. Eles vão criar pequenos espaços onde as equipes estão protegidas contra a mecânica do negócio. “Seria ridículo uma pessoa de finanças falar para um designer ‘oh, não faremos isso porque é muito caro’”.

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