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Fabricantes e operadoras defendem leilão de 4G em 2012

Qualcomm, Claro e Vivo defendem, no entanto, que decisão sobre faixa de frequência da quarta geração seja tomada antes

Fabiana Monte, editora-assistente do COMPUTERWORLD*

26/06/2009 às 13h00

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A tecnologia de quarta geração de telefonia celular LTE (Long Term Evolution) deve chegar ao Brasil em 2012. Pelo menos esta é a expectativa de operadoras e empresas, como Qualcomm e Claro, que apóiam a adoção da solução como tecnologia 4G no País, e também da GSMA, associação que reúne fabricantes e empresas do setor de telecomunicações.

"Acho que 2012 seria um bom prazo para a realização do leilão", avalia Francisco Giacomini, diretor sênior de Relações Governamentais fabricante de chips Qualcomm. O country manager da empresa Paulo Breviglieri, calcula que nove meses após a realização de leilão das faixas de frequência as primeiras redes LTE entrarão em operação.

Segundo ele, este é o prazo médio que operadoras e fabricantes levam para lançar comercialmente uma nova tecnologia. Naquele ano, segundo projeções da Nokia, já haverá escala para que o LTE chegue a aparelhos chamados "mid-end", da faixa intermediária entre os mais baratos e os mais sofisticados.

Apesar de defenderem que o leilão das frequências do 4G seja realizado daqui a três anos, fabricantes e operadoras que apoiam o LTE querem que a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) reserve a faixa de frequência para a quarta geração.

"Queremos o planejamento imediato da banda e que a decisão seja tomada o quanto antes", ressalta Ricardo Tavares, vice-presidente de políticas públicas da GSMA. Claro, Vivo e TIM também defendem que a decisão da Anatel seja tomada logo, mas que o leilão seja realizado em 2011 ou 2012.

O parecer da área técnica da Anatel é que esta faixa seja utilizada por tecnologias de mobilidade - a Anatel não define a tecnologia, mas o uso do espectro. O parecer dos técnicos está sob análise do conselho diretor da Anatel e a expectativa é que no segundo semestre haja um posicionamento formal do órgão regulador sobre  assunto.

"Nossas redes começam a dar sinais de congestionamento. Isso deve ser objeto de reflexão dos fornecedores", afirma Roberto Pinto Martins, secretário de telecomunicações do Ministério das Comunicações.

A imbróglio é que, atualmente, a faixa de 2,5GHz é ocupada pela operação MMDS (Serviço de Distribuição Multiponto Multicanal), usada como canal de retorno por operadoras de TV por assinatura e também para oferecer acesso à internet.

A proposta dos fabricantes e das operadoras de telecomunicações é compartilhar essa faixa de frequência com o serviço de MMDS. Os defensores do LTE querem, ao todo, 140MHz dos 190MHz da faixa - ocupando os 70MHz iniciais e os 70MHz finais da faixa. Ao MMDS caberiam 50MHz no meio da faixa.

De acordo com a GSMA, este é o modelo indicado pela UIT (União Internacional das Telecomunicações), agência das Nações Unidas responsável pela padronização do setor, para serviços oferecidos por meio do LTE. 

Não se sabe, no entanto, qual decisão a Anatel vai tomar - se a agência vai optar pelo compartilhamento da faixa como o sugerido ou se vai deixar mais ou menos espectro para o 4G e para o MMDS. "Achamos que poderia haver um avanço escalonado com o tempo", afirma Marcos de Souza Oliveira, gerente de engenharia do espectro da Anatel.

Além do 2,5GHz, a faixa de frequência de 700MHz também é indicada pela UIT como alternativa para o LTE. No entanto, no Brasil, ela é usada pela televisão analógica aberta e só estará disponível em 2015, quando a implantação da TV digital terá terminado. Como querem que as redes LTE entrem em operação em 2012, fabricantes e operadoras brigam pelo uso da faixa de 2,5GHz.

* A jornalista viajou a Brasília a convite da organização do evento "LTE: tecnologia e mercado"

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