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Fábricas da Sony no Japão não sabem quando produção será retomada

Companhia acredita que recuperação irá "demorar meses"; CEO da Sony cogita atraso no lançamento do console portátil "NGP".

IDG News Service

06/04/2011 às 17h26

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Um guindaste levanta um amontoado de lama e despeja em um caminhão. Momentos depois, outro caminhão passa carregando os restos de um carro desfigurado. Este era o cenário no Centro Tecnológico da Sony, em Sendai, no dia primeiro de abril, três semanas apos o tsunami devastar a área.

As equipes têm trabalhado por dias para recuperar a fábrica, porém esta tarefa pode continuar pode meses. As indústrias de produção de eletrônicos na costa do Japão foram abaladas pelo terremoto de quase 9 pontos na escala Richter, entretanto poucas foram atingidas diretamente pelo tsunami que veio logo em seguida. A parede de água, lama e entulho de quase 1.5 metro devastou a fábrica.

A fábrica é a instalação principal  da Sony para produção de fitas de vídeo, discos Blu-Ray e outros tipos de produtos de mídia, o que significa que a Sony não conseguirá produzir esses itens nos próximos meses. Canais de TV e produtores de cinema já estão encarando a potencial falta de fitas HDCAM para câmeras de TV.

 

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Portão da Sony: esforços para retirada do entulho ocorrem dentro e fora da fábrica

Jornalistas não são permitidos dentro da fábrica, mas caminhar ao redor do complexo é suficiente para se ter uma ideia do desafio que a Sony está enfrentando. A área exatamente em frente ao portão principal é um monumento ao poder da onda gigante: madeira, plástico e pedaços de metal estão estacionados entre carros que foram prensados contra o portão da fábrica, bloqueando completamente a calçada.

A área residencial na parte de trás da fábrica está sendo drenada lentamente. Todo o conteúdo do piso térreo da maioria das casas está sendo colocado no lado de fora das casas, para ser coletado como lixo. Há pilhas enormes de objetos pessoais pela vizinhança, tudo dos mais variados tipos – desde televisores até quadrinhos.

Não é fácil enxergar o interior da fábrica, porém, com o pouco que é possível ver, é possível identificar trabalhadores equipados com botas e máscaras em um ambiente caótico. “Não sabemos quando tempo irá demorar para reiniciar a produção”, comentou Sue Tanaka, porta-voz da Sony. A empreas ainda está retirando a lama que cobriu grande parte do chão da fábrica e ainda não começou a avaliar os danos às máquinas. Serão meses e não semanas até que a fábrica esteja de volta à ativa, afirmou a porta-voz.

Na fábrica de Tagajo, mais próxima do mar, a situação foi ainda mais devastadora. Prédios inteiros foram demolidos, postes de eletricidade e semáforos foram postos no chão e arrastaram tudo o que viram pelo caminho, juntamente com o conteúdo de alguns depósitos.

Um armazém da Sony na região costeira também foi danificado. O primeiro piso, que fora alugado para uma cooperativa de pesca, foi inundado completamente, atingindo o segundo andar, onde ficavam os escritórios da Sony. Logo atrás, há uma rua coberta de detritos, incluindo produtos e equipamentos de testes da empresa, que, até o momento, não se sabem daonde vieram. Tudo é caos e destruição.

 

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Na área residencial, muitos moradores perderam praticamente toda a mobília de suas casas

 

Atrasos

Em uma declaração recente à Reuters, Jack Tretton, presidente da Sony Computer Entertainment America, afirmou que a empresa pode acabar atrasando para 2012 o lançamento mundial do novo console portátil (de codenome NGP), em decorrência dos desastres naturais no pais do sol nascente.

Por causa dos incidentes, a Sony talvez seja capaz de lançar o aparelho em apenas uma região até o fim de 2011, devido aos problemas com a produção. “Pode ser que esse acontecimento tenha servido para dizer ‘talvez cheguemos a apenas um mercado até o fim do ano” comentou o CEO, que não soube especificar qual seria essa região, e finalizou dizendo que os desenvolvedores terão mais tempo de aperfeiçoar o software.

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