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Fim do Skype no iPhone? Empresa teme bloqueio da Apple

Companhia revela intenções e temores no documento enviado a autoridades americanas para a sua primeira oferta pública de ações

Network World/EUA

10/08/2010 às 16h03

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A Skype está preocupada quanto a possibilidade de o iPhone, ou qualquer outro produto da Apple, como o iPod ou o iPad, deixar de suportar seus softwares de VoIP (Voz sobre IP), e insegura quanto ao seu potencial de seus serviços em atrair clientes corporativos. Essas informações se encontram no documento entregue à Comissão de Segurança e Negócios (SEC, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, procedimento necessário para a sua primeira oferta pública de ações no país.

“Por exemplo”, cita a Skype no informe, “embora nossos aplicativos para iPad, iPhone e iPod estejam, atualmente, com a sua comunicação por voz habilitada para funcionar via rede 3G, a Apple e suas operadoras parceiras podem alterar os termos de inclusão do programa na loja online, retirando, a qualquer momento, esta funcionalidade ou mesmo desenvolvendo um software rival, como o Face Time, que se integre melhor aos dispositivos”.

Este receio se estenderia para smartphones com Android ou para qualquer outra plataforma em que programas de terceiros tenham de ser autorizados. “Os donos das lojas de aplicativos têm total controle sobre os produtos e serviços oferecidos a partir de seus canais e podem preferir remover o Skype, ou restringir seus recursos, se considerarem que o software está competindo com seus próprios produtos ou prejudicando-os”.

O mesmo acontece com as operadoras com as quais o Skype tem acordos, como a Verizon: se elas acharem que o software de VoIP está reduzindo a rentabilidade de suas atividades, podem encerrar o contrato.

“Nossa estratégia de negócios depende da habilidade que temos para oferecer nossos produtos em dispositivos móveis. As operadoras podem se sentir relutantes em se tornarem nossas parceiras ou permitir que nossos serviços sejam oferecidos aos seus dispositivos, com medo de prejudicar sua renda. Já encaramos tal relutância por parte de muitas companhias, principalmente no mercado europeu, em relação a aplicativos VoIP e peer-to-peer (ponto a ponto)”

Mercado corporativo
O plano da Skype inclui a expansão de seus produtos para o mercado corporativo. No entanto, a empresa pensa que seu suporte técnico, conhecido por sua inconsistência, pode afastar tais clientes.

“O mercado corporativo tem diferentes necessidades e em geral maiores exigências que o usuário doméstico” diz a companhia no documento. “Teremos de adicionar recursos aos produtos e, entre outras coisas, fornecer uma qualidade mais consistente a fim de atrair clientes empresariais”. Em seguida, adiciona que “por mais que, recentemente, tenhamos melhorado muito nessa área, talvez não seja suficiente para satisfazer as expectativas desse tipo de consumidor”.

Adaptar seus serviços para empresas, diz a Skype, pode se tornar dispendioso demais, de modo que recuperar o dinheiro investido não será tarefa fácil.

Concorrência
Outro temor da Skype é que empresas maiores e com mais clientes, e que ofereçam serviços semelhantes, tornem seu software uma alternativa menos atrativa. “Muitas companhias estão oferecendo soluções de comunicação unificadas que inclui produtos que nós não oferecemos, como e-mail. Essas empresas, por vezes, são marcas já reconhecidas no meio corporativo tendo, inclusive, contratos de longo prazo com diversos clientes, dificultando ainda mais nossa tarefa de substituí-las”.

Por fim, as equipes de TI que promovem a manutenção de tais serviços podem já estar adaptados a eles, reduzindo as chances de uma mudança. “Se não formos capazes de desenvolver e vender soluções ao mercado corporativo, nossos resultados operacionais serão desanimadores”.

O que é decisivo nos planos de crescimento da Skype é que os desenvolvedores podem ou não se sentir atraídos a construir seus aplicativos para funcionarem na plataforma da empresa. “Nossa estratégia contempla aliciar desenvolvedores e outras companhias a usarem nossa aplicação de programação para adicionar funcionalidades ao software; no entanto, essa proposta é nova para a gente e talvez não consigamos atraí-los como gostaríamos”, finaliza o documento enviado à SEC.

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