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Fornecedores da Apple desrespeitam o meio ambiente, aponta relatório

De acordo com documento publicado por grupos ambientalistas da China, empresas como Meiko e Foxconn colocam a vida dos habitantes locais em risco

IDG News Service

31/08/2011 às 10h30

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Grupos ambientalistas da China criticaram a Apple nesta quarta-feira, 31/8, acusando a companhia de empregar fornecedores que danificam o meio ambiente e ameaçam as vidas dos habitantes locais. No entanto, a empresa do iPad e do iPhone afirma que continua alerta para assegurar que seus fornecedores sigam as exigências de segurança ambiental.

Os grupos em questão, que incluem o Instituto de Assuntos Públicos e Ambientais do país, divulgaram um relatório após realizar uma investigação de cinco meses sobre fornecedores de componentes eletrônicos que eles afirmamser usados pela Apple.

Na cidade chinesa de Kunshan, a fabricante de acessórios Kaedar Electronics e a produtora de circuitos de placa Unimicron estariam descarregando água contaminada e gás prejudicial a partir de suas fábricas, fazendo com que os habitantes locais se preocupem com sua saúde, de acordo com o relatório.

“Nos últimos dez anos, muitas pessoas ficaram doentes, com um grande aumento nas taxas de câncer da  região”, alega o relatório. Desde 2007, pelo menos nove pessoas sofreram ou morreram de câncer em um vilarejo,  que tem uma população de menos de 60 pessoas.

A Meioko Electronics, uma companhia japonesa que fabrica placas de circuitos, também teria poluído um lago na cidade chinesa de Wuhan com componentes como níquel, segundo testes realizados pelos grupos em abril. O lago desemboca diretamente no rio Yangtze, o maior da China.

A Apple não quis confirmar se essas companhias citadas são de fato suas fornecedoras. Mas, em um comunicado, a companhia reiterou seu compromisso em atingir padrões ambientais seguros.

A companhia faria isso ao realizar regularmente auditorias e trabalhar com fornecedores para corrigir violações, de acordo com o relatório de progresso em responsabilidade com fornecedores de 2011 da empresa. No ano passado, a “maçã” realizou auditorias em 127 instalações e descobriu que cerca de 90% delas atendiam às práticas de gerenciamento de água contaminada, de acordo com suas exigências.

No entanto, as mesmas revisões descobriram que apenas 70% das fábricas estavam de acordo com os padrões de gerenciamento de emissão de gás. Quando as violações são encontradas, a Apple exige que o fornecedor complete planos para resolver o problema em até 90 dais após a auditoria.

Até o fechamento desta reportagem, não havíamos conseguido entrar em contato com a Kaedar Electronics, a Unimicron e a Meiko para comentários sobre o assunto.

Essa não é a primeira vez que a Apple sofre críticas de grupos ambientalistas na China. Em janeiro, foi divulgado um relatório com casos em que os fornecedores da Apple violaram leis ambientais no país. O documento também apontava um incidente envolvendo trabalhadores envenenados por más condições de trabalho em uma fábrica de um fornecedor.

O mais recente relatório dos grupos também investigou a Foxconn Technology (que tem registrado vários casos de suicído nos últimos anos), que monta os iPhones e iPads. Um dos parques industriais da companhia na cidade chinesa de Taiyuan emite compenentes que trazem elementos nocivos. Após uma ação do governo local, a Foxconn interrompeu parte de sua linha de produção na fábrica, de acordo com o relatório.

A Foxconn afirmou em um comunicado que está comprometida em permanecer cumprindo as leis para assegurar a proteção do meio-ambiente. “Nós trabalhamos próximos com o governo local e oficiais de proteção ambiental para monitorar o desempenho de cada uma de nossas fábricas”, afirmou a companhia, que também possui unidades de produção no Brasil.

Em maio, um levantamento divulgado pelo jornal The Guardian acusou a Foxconn de promover "condições desumanas" em suas unidades.

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