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Fujitsu usa fábrica de chips para produzir… alface!

Salas limpas e uma plataforma na nuvem estão sendo usadas para determinar as melhores condições de cultivo de vegetais com baixo teor de potássio.

Tim Hornyak, IDG News Service

15/05/2014 às 15h16

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Entendemos que qualquer um possa ter receio em comprar vegetais produzidos em Fukushima, no Japão, onde um Tsunami em 2011 causou um efeito cascata que resultou no vazamento de radiação de uma usina nuclear e um dos piores acidentes radioativos da história. 

Mas e se o vegetais em questão forem pés de alface “de luxo” cultivados em uma sala limpa de alta tecnologia? É o que propõe a Fujitsu, que espera ter sucesso com sua “horta digital”, mantida com a ajuda de sensores e computação na nuvem.

A fabricante de supercomputadores está aceitando encomendas de alface produzida em um ambiente estéril anteriormente usado para a produção de chips para smartphones e outros eletrônicos de consumo. A hortaliça é o primeiro produto de uma linha que a empresa chama de “Kirei Yasai” (Vegetais Limpos)

A fábrica em Aizu-Wakamatsu, na província de Fukushima no norte do Japão, tem cerca de 2.000 metros quadrados dedicados à plantação. A Fujitsu diz que este é o maior centro do tipo focado na produção de vegetais com pouco potássio. Sua alface tem 100 microgramas ou menos de potássio a cada 100 gramas de folhas, em contraste com 490 microgramas por 100 gramas na alface normal.

Pessoas com doenças renais crônicas tem de limitar a ingestão de potássio devido à função renal limitada, mas tem poucas opções entre os vegetais crus. A Fujitsu acredita que sua alface especial é saborosa o suficiente para ser consumida mesmo sem tempero, e inicialmente pretende focar as vendas em centros médicos.

O preço é de ¥500 (cerca de R$ 11) por uma embalagem com 90 gramas, cerca de duas vezes o preço médio da alface convencional em um supermercado japonês.

Os vegetais são cultivados com a ajuda de computação na nuvem e do know-how da Fujitsu na produção de semicondutores. A experiencia da empresa em salas limpas foi usada para descobrir as melhores condições de cultivo e como controlar os microorganismos. Uma plataforma agrícola “na nuvem” foi usada para decidir as melhores condções atmosféricas (como temperatura e umidade do ar) bem como os níveis de fertilizantes necessários para obter a colheita ideal.

Sensores entre as fileiras de alface nos canteiros coletam dados sobre o crescimento das plantas, e algoritmos analisam os números e recomendam aos trabalhadores procedimentos como o melhor momento para a colheita.

“Em 2009, após encerrarmos a produção de semicondutores em uma de nossas três instalações na fábrica de Aizu-Wakamatsu , queríamos reutilizar o espaço disponível na sala limpa”, disse Rishad Marquardt, um porta-voz da Fujitsu. “Integramos nossa solução agrícola Akisai na produção de alface com baixo teor de potássio, cujos experimentos em campo começaram no final de 2013”.

O serviço na nuvem Akisai é relacionado a outro projeto japonês de TI agrícola chamado Nosho Navi, coordenado por Teruaki Nanseki, um professor de agricultura na Universidade de Kyushu no sul do Japão.

Fazendeiros da província de Shiga, próxima a Kyoto, vem usando smartphones para enviar dados sobre a irrigação de várzeas de arroz para um servidor na nuvem, que sugere quanta água usar em cada campo e quando fazer a colheita. A ferramenta é vista como algo útil para os fazendeiros mais jovens e inexperientes entre uma população cada vez mais velha e com uma força de trabalho cada vez menor.

A Fujitsu vê um futuro “verde” para seus vegetais digitais, e estima chegar a ¥400 milhões (cerca de R$ 8,7 milhões) em vendas até Abril de 2017.

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