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Gates e Steve Jobs: o que seria de um sem o outro?

Relação de amor e ódio entre Microsoft e Apple envolve processos, acordos e dinheiro em troca de tecnologias.

Henrique Martin, da Macworld

20/06/2008 às 18h25

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Bill Gates criou a Microsoft em 1975. No ano seguinte, surgia a Apple, e as duas eram companhias inovadoras no novíssimo mercado de tecnologia norte-americano. O PC mal dava seus primeiros passos junto com os primeiros Macs, em uma época em que interface gráfica era algo apenas restrito aos laboratórios da Xerox em Palo Alto, na Califórnia.

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Mas, de um jeito ou de outro, Microsoft e Apple acabaram se ajudando, de algum modo. O Mac original foi lançado em 1984. Um ano depois, em setembro, o Microsoft Excel surgia em versão única e exclusiva para a plataforma da Apple, já que o Windows 1.0 acabara de ser lançado.

Entretanto, Steve Jobs deixava a Apple no mesmo 1985 da estréia do Excel. Na mesma época, um acordo inicial entre Apple e Microsoft garante que o Excel para Windows teria seu desenvolvimento atrasado para Windows em troca de uso de algumas tecnologias do Macintosh.

Nem tudo é lua de mel. O Power Point 1.0, lançado para Windows em 1987, só teria uma versão para Mac três anos depois. E a tentativa da Microsoft de criar uma nova interface gráfica no seu Windows 2.03, já com janelas sobrepostas e ícones no estilo do Mac, gerou um processo da Apple contra a empresa de Gates, alegando quebra de copyright em 1988.

O processo caminhou até 1993, mas a ação acabou se arrastando até a última apelação na Suprema Corte norte-americana. E a Apple perdeu a briga em 1995.
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Mas estes são  percalços históricos. Com o avanço da plataforma Windows no mundo dos PCs e o declínio da Apple no mercado de desktops - onde sobreviveu por conta da revolução do desktop publishing -, dava a impressão que Bill Gates tinha ganho a guerra.

Não é bem assim. A Apple caiu em uma época em que Steve Jobs estava distante da companhia (e enquanto isso criava a Next e investia na Pixar). Jobs voltou em 1996, quando a Apple comprou a Next para investir em um novo sistema operacional, que viria a dar origem ao Mac OS X.

Vale citar a histórica frase de Jobs para a revista Fortune: “A guerra dos PCs acabou. Fim. A Microsoft ganhou faz muito tempo.” Jobs ainda era um conselheiro - e não o CEO - da Apple quando a empresa anunciou uma parceria com a Microsoft, durante a Macworld Expo de agosto de 1997.

Gates (no telão) e Jobs diziam que agora a Microsoft investiria 150 milhões de dólares na Apple, com a garantia da continuação de desenvolvimento do pacote Office para Macs e a integração do Internet Explorer para Mac em todas as novas máquinas da Apple, além do encerramento de qualquer processo judicial pendente do passado.

A anúncio era uma forma da Microsoft “agradecer” à Apple pelo que já tinha feito (ou um modo de admitir culpa investindo na tecnologia que inspirou seu carro-chefe).

Um mês depois, Jobs vira CEO interino da Apple (cargo que manteve até 2000, quando foi efetivado como CEO), para lançar em 1998 o novíssimo e inovador iMac, sem drive de disquete e impondo um novo padrão, chamado USB, como modelo de conectividade de dispositivos.
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Depois veio o iBook, que já tinha Wi-Fi, numa época em que redes sem fios ainda não tinham nome. E o iPod (que só funcionava com Macs no começo, graças a uma conexão FireWire. Depois que virou USB, ganhou o mundo e os usuários de Windows). E o Mac OS X. E o iPhone, claro.

A própria Apple diz que o Office v.X, o primeiro feito para Mac OS X, era um exemplo de aplicativo para o novo sistema operacional, que só se tornaria padrão em 2002. O acordo entre Apple e Microsoft ainda vale, renovado já algumas vezes. O Internet Explorer para Mac, entretanto, morreu em 2005, quando a Microsoft interrompeu seu desenvolvimento. Sem problemas, já que Safari e Firefox exibiam muito mais recursos para navegar na web.

Se existia ainda algum ranço entre Microsoft e Apple, a última barreira acabou em 2005, com a transição dos chips PowerPC para a plataforma x86, da Intel, que reina no mundo dos PCs.

Com isso, Macs poderiam - na teoria - rodar Windows. O boato se tornou oficial com o lançamento do BootCamp Beta (hoje integrado ao OS X) em 2006. Atualmente, o Office continua vivo no Mac, e os iPods convivem - e reinam - no mundo dos PCs com Windows. Zune? Outros fabricantes vendem mais MP3 players que a própria Microsoft.

Apesar de ser uma relação de amor-ódio, com processos, investimentos, ressentimentos e compatibilidade, a vida de Jobs e da Apple não seriam completas sem Bill Gates. Nem que a Microsoft e toda a indústria de tecnologia tenham de adaptar suas idéias ao novo mundo criado pela Apple.

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