Home > Notícias

Gestos multitoque são a promessa para tecnologia de telas em 2011

Telas touch já existem há décadas, mas só se popularizaram com o iPhone. Agora, é a vez das telas multitoques ganharem espaço no mercado.

Computerworld / EUA

09/03/2011 às 12h04

Foto:

Telas sensíveis ao toque já existem há mais de uma década, mas foi com o iPhone da Apple, lançado em 2007, que a tecnologia se popularizou no mercado. Agora, os negócios estão crescendo – assim como as inovações que as fabricantes de touchscreens querem construir sobre o sucesso da Apple.multitouch

A tecnologia multitouch explodiu em um negócio de 6 bilhões de dólares para fabricantes de telas neste ano, com mais de 200 fabricantes no mercado – e deve crescer mais de 13 bilhões de dólares até 2016, segundo a companhia de pesquisas de mercado DisplaySearch. “Já é um mercado gigante, e está crescendo rápido”, afirma a analista Jennifer Colegrove.

Telas sensíveis a multitoques já dominam os smartphones. O lançamento do iPad em 2010 ajudou na popularização do multitoque em computadores tablets. Agora, a tecnologia está presente em tudo, de telas de computadores desktop a sistemas de entretenimento em voos.

Toque, não pressione
Antes do iPhone, a maioria das telas sensíveis ao toque utilizava painéis resistivos, sensíveis à pressão: o usuário precisava apertar a tela. Telas resistivas conseguem acompanhar a posição de apenas um dedo por vez.

A Apple escolheu uma tecnologia concorrente, de telas capacitivas, que responde a um toque suave e também detecta quando um dedo está no campo eletrônico acima da tela – técnica chamada de sensor de aproximação. O painel sensível ao toque fica no topo da mídia da tela (geralmente uma tela de cristal líquido LCD).

A tecnologia sensível ao toque capacitiva requer que o dedo (ou caneta stylus especial) interrompa o campo elétrico; ao contrário de designs resistivos, ela não funciona com uma caneta tradicional ou objetivos mortos.

Telas capacitivas utilizam uma superfície de vidro que oferece um nível maior de transparência do que a camada de plástico utilizada na tecnologia resistiva, o que resulta em cores mais brilhantes. O vidro também é mais durável e, portanto, essa tecnologia permite telas mais resistentes à arranhões.

A maior inovação da Apple com o iPhone original foi descobrir como acompanhar as ações de dois toques simultâneos, o que deu origem aos gestos populares do iPhone, como swipe, rotação e zoom com pinça. “O software define como as telas touch são utilizadas”, afirma o engenheiro Bruce Gaunt, da Product Development Technologies, companhia que desenha e integra tecnologias sensíveis ao toque para fabricantes de celulares e notebooks. “É isso que a Apple faz muito, muito bem.”

Recentemente, a Samsung obteve sucesso ao integrar a tecnologia multitoque nas telas AMOLED de seus dispositivos, como o smartphone Galaxy S. Com o nome Super AMOLED, a tecnologia coloca os sensores diretamente na tela e não em uma camada separada, o que resulta em um produto mais fino.

“A samsung é pioneira na implementação de sensibilidade ao toque em telas AMOLED, e mais está por vir”, afirma a analista da iSuppli, Vinta Jakhanwal.

Popularização e limitações
Neste ano, o mercado de smartphones chegará a um ponto de cruzamento: mais de 50% das unidades terão telas sensíveis ao toque OLED ou capacitivias. Computadores tablet são outro mercado em rápido crescimento para o multitoque, como demonstrado com o sucesso do iPad, sem contar uma dezena de novos tablets apresentados no Consumer Electronics Show deste ano.

Em breve, notebooks com duas telas multitoque chegarão ao mercado, talvez seguindo o Iconia, da Acer, que será lançado ainda no primeiro semestre deste ano. Esse estilo substitui o teclado físico com uma segunda tela que pode servir como teclado visual.

acer-iconia
Acer Iconia tem duas telas sensíveis a multitoques

O dispositivo pode ser virado de lado, como um livro, para exibir duas páginas de uma revista, por exemplo, e os usuários podem trocar de páginas com gestos swipe, como na leitura com o iPad.

Mas construir telas multitoque maiores é mais desafiador, diz o gerente de produtos de software da HP, Ken Bosley. A fabricação de telas capacitivas maiores do que um tablet é cara, portando a  HP usa uma tecnologia multitoque óptica - na qual duas câmeras nas laterais da superfície determinam as coordenadas dos toques - para sua linha de desktops e notebooks TouchSmart.

"Há uma série de problemas de durabilidade com telas touch. Para funcionar bem, a unidade não pode se mover", diz Bosley. Enquanto integrou de perto a tecnologia multitoque com seu sistema operacional, o suporte do Windows ainda está evoluindo. "O Windows 7 não é lá essas coisas para o toque, portanto temos trabalhado muito em nosso software para toques", completa.

(continua na próxima página)

++++

O multitoque adiciona cerca de 150 dólares ao preço de um PC desktop e, como isso ainda é um complemento e não um recurso que substituirá o teclado ou o mouse, alguns dizem que o multitoque é um desperdício de dinheiro em um desktop. Uma tela resistiva permitiria ações básicas na tela, como iniciar um DVD. O problema, segundo Bosley, é que Hoje as pessoas esperam que todas as telas sensíveis ao toque tenham gestos multitoque. "Se você não cumprir com as expectativas, não vai atrair as pessoas."

Um exemplo clássico: o TouchSmart ofere um teclado virtual, mas quase ninguém o utiliza. As pessoas preferem utilizar o teclado tradicional, diz Bosley, "mas o incluímos porque as pessoas esperam isso."

 

Um grande problema com telas touch montadas na vertical é o efeito "braço de gorila", diz o estrategista Andrew Hsu, da Synaptics. As pessoas simplesmente não podem trabalhar por muito tempo com os braços estendidos para frente: é muito estranho e cansativo. 

touchsmart
Computadores da série TouchSmart
utilizam câmeras nas telas

No TouchSmart, a HP compensa um pouco ao permitir que o usuário incline a tela em até 30 graus. Isso ajuda um pouco, mas Bosley admite que utilizar uma tela touch neste angulo ainda é estranho. Estudos ergonômicos da HP mostram que os usuários costumam inclinar a tela dependendo da aplicação; para jogar Paciência, por exemplo,  os usuários inclinam a tela e a aproximam, mas não costumam utilizar o teclado virtual esta forma - sem um local para repousar os braços, é muito desconfortável.

Mas em smarphones e tablets, que podem ser utilizados em qualquer angulo, os usuários utilizam bastante o teclado virtual. A essa altura do campeonato, o foco é melhorar e expandir a experiência com os gestos multitoque.

Mais gestos a caminho
Designers de sistemas multitoque estão ansiosos para ampliar o repertório de gestos popularizados pela Apple. A Synaptics, por exemplo, oferece o pacote de gestos Scrybe, que permite aos designer escolher gestos de uma biblioteca comum e criar outros personalizados.

"Você poderia, por exemplo, criar um gesto para comprar um produto diretamente o Amazon.com", diz Hsu. Hoje o Scrybe é voltado a touchpads de notebooks, mas a empresa diz que a tecnologia poderia ser levada a telas sensíveis ao toque.

A Swype oferece um pacote de gestos para Android e outras plataformas que permite aos usuários digitar apenas realizando o dedo sobre um teclado virtual ao invés de tocar nele. E a biblioteca open source da GestureWorks oferece mais de 200 gestos multitoque para desenvolvedores Flash e Flex

multi_Gestures

A Apple está trabalhando ainda para expandir seu acervo de gestos na próxima versão do iOS com novas funções Swype para até cinco dedos. A companhia também deixou claro que não pretende levar gestos multitoque a telas verticais.

Mas esses não são padrões multiplataforma, e Bosley, da HP, acredita que os novos são menos universais e menos intuitivos do que os três gestos fundamentais popularizados pela Apple.

"Vi uma patente recente da Apple, e parecia linguagem de sinais. porque alguém iria querer aprender uma nova língua?", pergunta Bosley. "As pessoas vão utilizar os gestos tradicionais e intuitivos, que fazem sentido na tela. Não acredito que elas gostariam de aprender um novo vocabulário de gestos."

O CEO da Swype, Mike McSherry, concorda. "Não é realista esperar que o usuário tradicional aprenda mais de 20 gestos", diz McSherry. Ele acredita que gestos continuarão sendo utilizados basicamente para abrir aplicativos ou navegar pelo sistema.

(continua na próxima página)

++++

Migrando para três dimensões
O sensor de proximidade da tecnologia de tela capacitiva é capaz de detectar movimentos não apenas em planos X e Y na superfície da tela, mas também num eixo Z – ele consegue detectar um dedo conforme ele se aproxima da tela. No futuro, essa tecnologia permitiria a criação de telas sensíveis ao toque em três dimensões.

Esse sensor tem o potencial de não apenas interpretar a proximidade dos dedos, mas também os gestos que eles fazem. Ao aproximar os dedos, por exemplo, a tela poderia interpretar o movimento como um comando para ampliar uma imagem exibida na tela.

“É possível detectar mudanças bem pequenas em telas capacitivas e, por isso, poderíamos utilizar swipes de uma mão ou um punho abrindo e fechando”, afirma o diretor de marketing de telas touch da Cypress Semiconductor, Trevor Davis. Interpretar gestos são sofisticados, por outro lado, é um desafio.

Aplicativos que detectam uma simples posição da mão sobre a tela já existem, como telas de smartphones que desligam quando você os segura próximo à orelha. Mas detectar a presença de um dedo sobre a tela é a parte mais fácil.

“O maior problema é tentar decifrar o que o usuário quer”, diz Hsu. Sensores capacitivos não sabem se o dedo detectado sobre a tela estava passando por ali intencionalmente – e caso afirmativo, o que o usuário quer fazer.

Mesmo dentro de um contexto de um aplicativo, a falta de habilidade para identificar com precisão a intenção leva a desafios de usabilidade. “Quando você pensa nos cenários de interação, a proximidade é realmente desafiadora”, afirma Hsu. Hoje, o único uso viável de sensores de proximidades é para uma simples função de dormir ou acordar o dispositivo.

Outros dispositivos
Seja qual for o desenvolvimento dos gestos multitoque, uma coisa é clara: telas multitoque continuarão proliferando além de smartphoens e tablets e dentro de uma gama de computadores e eletrônicos de consumo com os quais as pessoas interagem diariamente.

Controles multitoque já foram integrados em câmeras, carros e até mesmo aplicações caseiras de alto nível e vão se expandir gradualmente para modelos de níveis mais baixos, afirma Rhoda Alexander,  analista da iSuppli. Ela diz que o multitoque provavelmente não será incorporado em televisões com telas grandes, mas os controles remotos com botões eletromecânicos começarão a dar espaço para controles multitoques e aplicativos de smartphones, como o L5 Remote para o iPhone.

“Estamos vendo apenas o começo agora”, diz Alexander. “Conforme o tempo passa, você verá todos os tipos de dispositivos que tinham partes eletromecânicas utilizando telas sensíveis ao toque, em particular o multitoque, para controlar os dispositivos.”

Tags

Junte-se a nós e receba nossas melhores histórias de tecnologia. Newsletter por e-mail Newsletter por e-mail