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Gigantes da web negociam criação de ‘lista branca’ de usuários IPv6

Para empresas, lista permitiria fornecer serviços em IPv6 a quem já usa o protocolo, necessário para expandir endereçamento.

Carolyn Duffy Marsan, da Network World/EUA

26/03/2010 às 15h18

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Os maiores provedores de conteúdo da internet - incluindo Google, Yahoo, Netflix e Microsoft - conduzem negociações preliminares para a criação de uma lista compartilhada de usuários capazes de acessar seus sites via IPv6, a tão aguardada atualização do principal protocolo da internet.

Uma "DNS Whitelist for IPv6" ("lista branca de DNS para IPv6") seria uma lista de endereços IP que já contam com conectividade IPv6. Os provedores poderiam usar essa lista para servir conteúdo aos endereços IP nela incluídos via IPv6 em vez de IPv4, que é a versão atual do protocolo da internet.

Visitantes não listados na DNS Whitelist receberiam conteúdo em IPv4.

Controversa
A lista compartilhada de IPs é uma proposta controversa. Provedores de conteúdo dizem que essa é a única solução viável para oferecer serviços IPv6 hoje. Já os provedores de acesso argumentam que a manutenção dessa lista será um fardo administrativo no futuro.

A ideia de criar uma Whitelist para o IPv6 foi discutida no encontro realizado esta semana pela Internet Engineering Task Force (IETF), grupo responsável pelos padrões IPv6 e IPv4.

A infraestrutura da internet está migrando para o IPv6 porque a capacidade de endereçamento do IPv4 está se esgotando. O IPv4 usa endereços de 32 bits, suficientes para endereçar 4,3 bilhões de aparelhos conectados diretamente à internet. O IPv6, por sua vez, usa endereços de 128 bits e suporta um número praticamente ilimitado de aparelhos.

Especialistas preveem que os endereços IPv4 remanescentes serão distribuídos até 2012. Em janeiro, representantes regionais dos registradores de internet anunciaram que apenas 10% dos endereços IPv4 permaneciam disponíveis.

Quando os endereços IPv4 acabarem, operadoras e empresas deverão suportar o IPv6 para acrescentar novos clientes e novos aparelhos a suas redes. Como alternativa, as operadoras terão que usar camadas caras e complexas de tradutores de endereço de rede (NAT, na sigla em inglês) para compartilhar os escassos endereços IPv4 entre vários usuários e aparelhos.

Mudanças no DNS
O IPv6 exige mudanças no sistema de nomes de domínio (DNS) da internet, que associa os endereços IP a seus respectivos nomes de domínio. O DNS usa registros simples para pesquisas em IPv4, e registros quádruplos para pesquisas em IPv6. A "lista branca" para IPv6 seria usada pelos provedores de conteúdo para passar registros quádruplos aos ISPs apenas se o resolvedor DNS do usuário estivesse listado.

Os provedores de conteúdo dizem precisar de uma DNS Whitelist para o IPv6 porque a internet tem muitos links IPv6 quebrados devido ao comportamento problemático e a incompatibilidades de sistemas operacionais, gateways domésticos e equipamentos dos usuários. Sem uma Whitelist para ajudar a definir que clientes podem ou não receber conteúdo IPv6, os desenvolvedores web dizem que acabarão bloqueando sem querer o acesso de muitos clientes a seu conteúdo.

Por exemplo, o Google tem sua própria Whitelist para IPv6, que inclui YouTube, Search, Docs, Gmail, News e Maps. O Google disse que a DNS Whitelist para IPv6 foi o modo mais fácil para oferecer serviços IPv6 sem bloquear clientes com links IPv6 quebrados.

Solução compartilhada
David Temkin, gerente de engenharia de rede da Netflix, diz estar interessado em adotar uma solução semelhante a do DNS Whitelist do Google.

"Nós estamos de olho no mesmo serviço que tem o Google, para que possamos saber que tipo de conectividade o usuário tem", diz Temkin. "Nós estamos conversando com Google, Yahoo, Netflix e Microsoft para ver se faz sentido ter um serviço de Whitelist compartilhado e de código aberto."

Temkin diz que tal "lista branca" ajudaria seus consumidores a ter uma experiência melhor tanto com IPv6 como com IPv4.

"Há uma boa razão para o 'whitelisting'", explica Temkin. "É muito, muito fácil para alguém que usa, digamos, o tunelamento do (provedor americano) Hurricane Electric descobrir que a rede IPv6 se torna uma ilha e que está quebrada porque eles não atualizaram o túnel... No fim, o consumidor tem uma experiência ruim. Eles nunca veem o conteúdo ou apenas veem o conteúdo depois de uma demora de 30 segundos."

Temkin diz que a ausência de uma lista comum para o IPv6 é uma razão pela qual o Netflix está fornecendo o serviço IPv6 via um site web separado - www.ipv6.netflix.com - em vez de diretamente por meio de www.netflix.com.

"Whitelists são uma medida temporária", Temkin concorda. "Há questões de escalabilidade. Há questões de gerenciamento. É por isso que temos discussões sobre como poderíamos padronizar uma whitelist."

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