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Google adapta pacote Office do Android para rodar no Chrome e Chrome OS

Segundo analistas, nova versão do QuickOffice é mais uma arma da empresa em sua campanha contra o Microsoft Office.

Gregg Keizer, Computerworld EUA

27/02/2013 às 14h25

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A Google confirmou na última terça-feira (25/02) que adaptou parte do QuickOffice, uma popular alternativa ao Microsoft Office para o iOS e Android, para que seja capaz de rodar no sistema operacional Chrome OS e no navegador Google Chrome.

A empresa adquiriu o QuickOffice em meados de 2012 e integrou os aplicativos para iOS e Android - bem como sua equipe de desenvolvimento - ao grupo responsável pelo Google Apps. Nas versões para tablets e smartphones com iOS ou Android o QuickOffice permite que os usuários vejam, criem e editem documentos nos formatos usados pelo Word, Excel e PowerPoint.

O site TechCrunch foi o primeiro a reportar que a Google estava integrando visualizadores de documentos baseados no QuickOffice em seu novo portátil Chromebook Pixel, e que a capacidade de editar documentos será adicionada ao sistema nos próximos dois ou três meses.

Para isso a Google adaptou o QuickOffice para o “Native Client”, uma tecnologia que permite que desenvolvedores transformem aplicativos escritos em C ou C++, originalmente feitos para rodar em um sistema operacional tradicional como o Windows, por exemplo, em versões que podem ser executadas completamente dentro de um navegador, mais especificamente o Google Chrome.

A Google alega que código Native Client roda quase tão rápido dentro do navegador quanto o original roda fora dele. O Chrome OS, que é baseado no navegador Google Chrome, tem suporte ao Native Client. O Chrome, por sua vez, suporta a tecnologia desde a versão 14, lançada em Setembro de 2011.

Embora a Google tenha lançado uma versão parcial do QuickOffice no Chrome OS, e tenha planos para concluir o desenvolvimento nesta plataforma, não há barreiras técnicas que impeçam o aplicativo de rodar também dentro do navegador Google Chrome no Windows, Mac OS X ou Linux. Mas a empresa não comentou quando, ou se, pretende oferecer uma versão do QuickOffice para o Chrome.

Analistas vêem a adaptação do QuickOffice para o Chrome OS, e o potencial lançamento de uma versão do aplicativo em outras plataformas, no contexto de uma guerra entre a Google e a Microsoft pelo lucrativo mercado de aplicativos de produtividade para empresas.

“Presumo que eles estão lincluindo o QuickOffice no Pixel, e através do navegador, porque é uma solução superior ao que eles podem oferecer através do Google Apps”, disse Ezra Gottheil, um analista na Technology Business Research, citando fatores como o acesso offline e melhor resposta na versão “local” do QuickOffice. “Mas o QuickOffice também torna o Google Apps mais atraente”.

A versão do QuickOffice para smartphones com Android ou iOS custa US$ 15, e a para tablets sai por US$ 20. Mas desde dezembro passado assinantes do Google Apps for Business tem acesso a uma versão gratuita para o iPad.

“A questão é quão boa é a solução Office oferecida pela Google”, disse Al Hilwa, do IDC. “Se o QuickOffice no Chrome se aproximar do Microsoft Office, então é um desafio sério à Microsoft”.

Portanto, não é surpresa que a Google esteja usando o QuickOffice para alavancar o Chrome OS. “O Google tem que fazer muito mais com o Chrome OS para torná-lo atraente no mercado corporativo”, disse Hilwa. “A plataforma tem que ser impulsionada por aplicativos sérios que agregam valor”.

E levar o QuickOffice para o navegador também faz sentido. “Eles querem levar a luta [pelos aplicativos para negócios] para quantas plataformas puderem”, disse ele. “Uma experiência mais ‘nativa’ é uma jogada essencial no mercado corporativo, porque o problema do Google é se livrar do domínio da Microsoft, e para isso eles precisam fazer tudo o que puderem”.

Mas Gottheil não estava tão certo quanto Hilwa de que o QuickOffice em um navegador se aproxima o suficiente da experiência com o Microsoft Office - ou chega a 100% de fidelidade na reprodução de documentos - para ferir a Microsoft.

“O que a Microsoft tem a temer são grandes empresas com grande número de cópias do Microsoft Office analisando seus padrões de uso, e decidindo que podem dividir os funcionários em dois grupos: um que precisa ter o Office “de verdade” e outro para quem o QuickOffice ou o Google Apps é o suficiente”, argumenta Gottheil. “Ainda não vejo isso acontecendo, mas se acontecer será um problema para a Microsoft em várias áreas”.

O preço do QuickOffice como um cliente nativo no Chrome OS ou Chrome ainda é um mistério. Um palpite: ele será incluso como parte do pacote Google Apps for Business, que custa US$ 5 mensais ou US$ 50 anuais por usuário. A Google também poderá vender uma versão do QuickOffice através da Chrome Web Store, que já tem um bom número de apps e games usando a tecnologia Native Client.

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