Home > Notícias

Google: aplicações online do Chrome são recado direto à Microsoft

São Paulo – Com transformação de serviços online em aplicativos offline, Chrome leva rivalidade entre Google e Microsoft para o desktop do seu PC.

Google: aplicações online do Chrome é recado direto à Microsoft

Guilherme Felitti, editor-assistente do IDG Now!

02/09/2008 às 19h08

Foto:

Não se engane pelo discurso dos benefícios da competitividade promulgado tanto por Google como por Microsoft: o lançamento do browser Google Chrome, oficializado nesta terça-feira (02/09), vai além de ser apenas mais uma opção para quem navega online.

Ainda que se foque em funções interessantes, como o gerenciamento individual de abas, o modo totalmente protegido ou o novo engine de JavaScript V8, a atração de verdade do Chrome permite que os usuários transformem serviços online em aplicativos para desktop.

Mais sobre o browser do Google:

> Review: Testamos o Google Chrome

> Google lança Chrome no Brasil
> Conheça os recursos do Google Chrome
> Screenshots do Google Chrome
> Microsoft: concorrência é positiva
> Download do Google Chrome
> Análise: Google desafia Microsoft
> Quadrinhos revelam browser do Google
> Enquete: por que você usaria o Chrome?
> Mozilla: browser do Google não é surpresa

O Google não está pisando pela primeira vez no terreno: o Google Gears é o projeto do buscador que ajuda serviços a estarem disponíveis para usuários que ficam sem conexão à internet.

A aposta do Google em serviços online que concorrem com a Microsoft - notoriamente o Google Docs contra o pacote corporativo Office - ganha sua última peça com o lançamento do Chrome graças ao sistema offline.

> Debata o assunto no grupo do IDG Now! no Orkut

Explica-se: se antes o Gears permitia que apenas serviços selecionados (como Google Reader e Remember the Milk) pudessem ser acessados sem internet por outros navegadores, o Google agora prepara um canal em que todos os serviços online podem ser levados ao desktop.
++++
A primeira conseqüência disto é preparar todos os serviços que o Google oferece apenas pela internet atualmente para os desktops - clique duas vezes sobre o ícone do Gmail e veja seus e-mails ou  escolha o ícone do Reader e leia seus feeds.

Entre usuários móveis que nem sempre têm acesso à internet, a ferramenta do Chrome torna o editor de texto ou de planilhas do Google Docs um concorrente à altura do Word ou do Excel, encartados pela Microsoft no pacote Office. Até hoje, este suporte era feito por aplicativos isolados, como o Fluid para Mac.

A transição segue os mesmos preceitos do Google Gears, não à toa integrado no Chrome - o aplicativo aceita novos dados ou edições em um banco de dados local que será sincronizado com o serviço online assim que o sinal para internet voltar.

O Chrome faz a ponte entre o desktop do usuário e seus serviços online, estratégia que, caso o Chrome tenha sucesso e ganhe participação do Internet Explorer ou do Firefox no setor, poderá levar ainda mais usuários para os produtos do buscador.

"Quem controla o browser fica em uma posição muito vantajosa para controlar outros tipos de aplicativos", resume Marcelo Coutinho, diretor-executivo do IBOPE Inteligência e colunista do IDG Now!, que define a novidade do Google como "nada mais natural".

"Se olharmos as movimentações (de mercado ao redor) de padrões, são estes os players que tentam se posicionar em algo estratégico frente a toda cadeia. A Microsoft apostou que (o fator-chave) seria o browser. Ele é importante, mas o buscador é mais ou tão importante que o browser".

A relação entre o buscador e a Mozilla, responsável pelo Firefox, de quem o Google afirmou ter usado componentes no desenvolvimento do Chrome, é paradoxal com o anúncio do navegador.

Ainda que esteja por trás de um rival, o Google é o principal financiador da Mozilla, graças a acordo para que o Firefox use a busca do Google como padrão - ironicamente, a parceria foi estendida por mais três anos dias antes da oficialização do Chrome.
++++
Coutinho explica: "o Google está se aproximando de uma escala e um tamanho que podem ser questionados em (questões) antitruste. Por isto, interessa ter um terceiro player no mercado - o Google pode alegar que o setor tem diversos concorrentes".

Seguindo a estratégia, o Google gastaria hoje para não tomar as multas milionárias e as restrições de varejo que a Microsoft tomou, principalmente nos últimos anos, com destaque especial para a União Européia.

Por enquanto, tanto Microsoft e Google mantêm o discurso conciliador. A infra-estrutura necessária para que o Google saia do seu ambiente natural, a internet, e comece a se arriscar onde sua principal rival construiu seu império está pronta.

Tags

Junte-se a nós e receba nossas melhores histórias de tecnologia. Newsletter por e-mail Newsletter por e-mail