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Google ataca a Apple por banir AdMob do iPhone

Em blog, fundador da AdMob ataca a recente revisão de acordo legal da Apple, que na prática barra a rede de publicidade móvel de seus produtos

Computerworld/EUA

09/06/2010 às 19h12

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A Google atacou, nesta quarta-feira (9/6), a decisão da Apple que sugere impedir algumas redes publicitárias de terceiros de coletar dados de desempenho no iPhone e no iPad.

A mais recente polêmica entre as duas empresas tem origem nos novos termos legais aos quais os desenvolvedores para iPhone, iPod Touch e iPad devem aderir.

A coleta de dados analíticos de anúncios é proibida a menos que seja “fornecida para um provedor independente de serviços de publicidade cujo principal ramo de atuação seja servir anúncios móveis”, de acordo com os termos revisados pela Apple. “Por exemplo, um provedor de serviços de publicidade que seja propriedade de (ou afiliado a) um desenvolvedor ou distribuidor de dispositivos móveis, sistemas operacionais móveis ou ambientes de desenvolvimento que não os da Apple não pode ser enquadrado como independente”.

 Os termos parecem barrar a empresa de anúncios móveis AdMob, que foi comprada pela Google em maio por 750 milhões de dólares, dos aparelhos da Apple.

E o contra-ataque veio diretamente do fundador da AdMob, Omar Hamoui.

Barreiras artificiais
“Essa mudança não representa os melhores interesses de usuários e desenvolvedores”, disse Hamoui em uma mensagem no blog da AdMob, nesta quarta-feira. “Barreiras artificiais à competição prejudicam usuários e desenvolvedores e, no longo prazo, estancam o desenvolvimento tecnológico.”

De acordo com a AdMob, o número de dispositivos móveis da Apple – iPhone, iPod Touch e iPad – que visitaram sua rede em abril superou o de aparelhos com a plataforma Android, da Google, na proporção de 3,5 para 1. De todas as requisições de anúncios servidos pela AdMob em abril, cerca de 32% foram para iPhones e iPod Touch.

“Caso sejam seguidos à risca, os termos [da Apple] proibirão os desenvolvedores de aplicativos móveis de usar o AdMob e as soluções de publicidade da Google no iPhone”, disse Hamoui. “Os termos ferem tanto os desenvolvedores grandes quanto os pequenos, limitando drasticamente suas escolhas de geração de receita. E, como a publicidade financia um grande número de aplicativos grátis e de baixo custo, esses termos são ruins também para os consumidores.”

Analistas da indústria concordaram que os novos termos – que foram divulgados inicialmente pelo blog MediaMemo na terça-feira – travam o caminho do AdMob, da Google.

Intenção dúbia
“A nova revisão do texto pode ser interpretada como um banimento de plataformas de publicidade que não são independentes, como a AdMob”, disse Karsten Weide, da IDC. “Parece muito claro: os desenvolvedores de aplicativos não podem estar na rede da AdMob.”

Mas Weide também concordou que pode ser que a intenção da Apple tenha sido outra. Ele pediu à Apple que explique melhor o que quis dizer, mas ainda não obteve resposta. A Apple também não respondeu à Computerworld.

“Parece que a Apple escolheu excluir seus maiores competidores do iPhone”, disse Weide. “No curto prazo, isso significa mais receita para a Apple, já que os anúncios fluiriam por meio de seu sistema iAd em vez de por meio da Google.”

Na segunda-feira (7/6), o CEO da Apple, Steve Jobs, propagandeou com vigor o iAd – a plataforma própria de publicidade móvel da empresa -, prevendo que o sistema teria 48% do mercado de publicidade móvel  já no segundo semestre de 2010. O iAd, que permite aos desenvolvedores de aplicativo colocarem publicidade interativa em seus programas, tem lançamento previsto para 1.º de julho.

“A Apple pode até deixar que outros entrem, mas está definindo o campo do jogo”, disse Andrew Frank, analista da Gartner Research. “Mas os termos não são incrivelmente claros. O iAd vai precisar de dados analíticos independentes, por isso um banimento completo definitivamente não irá funcionar.”

Sinal verde
A maioria dos analistas, incluindo Weide e Frank, interpretou os termos revisados do acordo da Apple com os desenvolvedores como um aviso de que a coleta de dados analíticos é permitida, desde que as empresas que coletam os dados sejam independentes de um fabricante de celular ou sistema operacional rival, e desde que a Apple dê seu sinal verde.

“No longo prazo, eu não vejo isso como muito produtivo”, disse Weide. “Um sistema fechado como o da Apple pode resultar em um produto melhor, mas prejudica a competitividade e o progresso técnico. No longo prazo, é ruim.”

Mas para a Apple, trata-se de negócios – e de dinheiro, lembraram os analistas.

“Tudo se resume a dinheiro”, disse Weide, que acredita que a jogada da Apple não foi concebida como um golpe no olho da Google.

“São apenas negócios”, concordou Frank. “A Google é a maior concorrente que a Apple tem, mas não é a única.”

Enquanto uma explicação pública da Apple não chega, é impossível adivinhar as verdadeiras intenções da empresa de Cupertino, disse Frank, ou mesmo os limites dos novos termos que parecem deixar a AdMob de fora do iPhone.

“Não há dúvidas de que isso será testado em algum momento”, disse o analista. “Então, saberemos.”

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