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Google Chrome desafia Microsoft na segmento de aplicações online

Google aposta em browser para a ampliação do uso de aplicações de produtividade online. Saiba como ficam IE e Firefox.

IDG News Service/Londres

02/09/2008 às 14h35

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O anúncio de um browser do Google, o Chrome, por meio de uma história em quadrinhos na web pode indicar uma mudança no jogo de desenvolvimento para a Internet nos próximos anos.

O navegador apresenta um sério desafio para empresas como Microsoft e Apple, que esperam que seus navegadores dominem o acesso à internet e abram portas para mais produtos e serviços.

Mais sobre o browser do Google:
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> Quadrinhos revelam browser do Google


No final de agosto, a Microsoft apresentou uma participação de 72,15%
no mercado de browsers, segundo a NetApplications - tendo perdido
espaço em relação aos 79% em agosto de 2007 – com o Firefox mantendo
19,73% e o Safári, da Apple, conta com 6,37% do mercado.

Com o Chrome, o Google promete uma navegação mais rápida, mais segurança e compatibilidade em múltiplos sistemas operacionais. O Google vê o Chrome como a porta principal para a ampliação do uso de aplicações online, que desafiam os tradicionais softwares baseados no desktop, área tradicionalmente dominada pela Microsoft.

O Google introduziu seu browser no formato em 38 páginas de quadrinhos descrevendo as funções do Chrome e o que o Google pensa que as pessoas vão querer de um browser. O anúncio do Google é visto “quase como o lançamento de um sistema operacional, não de um browser”, avalia David Mitchell, vice-presidente sênior de pesquisas de Tecnologia da Informação da consultoria Ovum.
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A empresa também adotou uma nova abordagem para lidar com a linguagem de codificação JavaScript usada para criar páginas e serviços web mais interativos. O Google decidiu criar sua própria máquina virtual para acelerar o processamento do JavaScript, o que significa, pelo menos teoricamente, que serviços como o Gmail, serão mais rápidos.

No entanto, o JavaScript também pode ser problemático em algumas páginas e prejudicar o funcionamento do browser. Mas, de acordo com o Google, o Chrome também pode lidar melhor com o problema.

As abas – uma funcionalidade comum nos browsers – permitem que muitas páginas sejam abertas no navegador. Mas se uma delas encontra um bug no JavaScript, todo o browser será afetado. O Google afirma que o Chrome isola as abas fazendo com que apenas a página com bug seja fechada, não a aplicação inteira.
 
O kit de ferramentas Gears também foi incorporado ao Chrome. O Gears permite que desenvolvedores criem aplicações que podem ser usadas offline, sincronizando dados com serviços web quando a internet é acessada. Esta é uma função chave na estratégia do Google de incentivar a migração para o uso de aplicações de produtividade online, mantendo a conveniência do uso no desktop.

O Chrome também traz uma nova abordagem em relação a segurança. Os pop-ups – as perturbadoras janelinhas acionadas pelo JavaScript – serão isolados em uma aba individual. O browser também é capaz de bloquear a instalação de programas maliciosos vindos de sites para o PC do usuário usando uma técnica conhecida como ‘sandboxing’.

O código do Chrome é aberto. "É de nosso interesse tornar a Internet melhor, e sem competição temos estagnação" afirma Chris DiBona, gerente de programas open source do Google no quadrinho que detalha o Chrome.
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Os vínculos que podem ser criados pelo Google para manter seus usuários são preocupantes – talvez mais do que o vínculo do browser Internet Explorer ao sistema operacional Windows, que motivou um pesado processo antitruste contra a Microsoft.

No entanto, não seria interessante para o Google contrariar a criação de serviços que permitem que os conteúdos web estejam disponíveis para todos, independente do browser usado, afirma Mitchell.

Outra questão é como o Chrome vai afetar os navegadores de código aberto Firefox, da Mozilla, e Opera, da Opera Software.

O Google tem uma relação harmoniosa com a Mozilla, afirma Tristan Nitot, presidente da Mozilla na Europa.
 
"Hoje, o Google fornece seus serviços na maior parte por meio do IE, que é uma situação desconfortável considerando que o IE não é muito bom em termos de performance”, disse Nitot.

Com o IE 8, que chega no final do ano, a Microsoft promete uma navegação mais rápida com avanços em privacidade e controle de dados. Entretanto, o avanço pode pesar no sistema do usuário. Em um recente teste da consultoria Devil Mountain, o IE8 beta 2, da Microsoft, consumiu o dobro de memória do Firefox 3.
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"O cenário de browsers é altamente competitivo, mas as pessoas escolherão o IE8 pela forma como ele coloca os serviços que elas querem logo ao alcance de seus dedos", afirma Dean Hachamovitch, gerente geral do Explorer na Microsoft.

E como fica o Firefox? Mitchell afirma que o Chrome vai ajudar a elevar a confiança dos usuários nos browsers de código aberto, onde o código não é mantido em segredo como ocorre com empresas com a Microsoft.
 
"É um grande erro enxergar isto como uma disputa cabeça-a-cabeça entre Firefox e Chrome", disse Mitchell. "Há bastante espaço para a escolha do consumidor. Se ele [o Chrone] ganhar market share, vai tomá-lo de todos a sua volta.”

A porta-voz do Opera, Tor Odland disse que a chegada do Chrome é positiva desde que ele mantenha a adesão aos padrões de web. A Apple preferiu não comentar.

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