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Google Chrome OS: o mundo precisa de mais um sistema operacional?

Windows 7, Google Chrome OS e o primeiro netbook rodando Android são apenas alguns dos fatos que tornaram o segundo semestre de 2009 muito agitado.

Melissa Perenson, da PC World / EUA

08/07/2009 às 11h12

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Atualizada às 12h30min

chrome_os_150.jpgQuando o Google lançou seu navegador Chrome, muitos de nós o enxergamos como uma possível extensão de um sistema operacional vindouro. E não estávamos errados: o Google acaba de informar que planeja apresentar o código do Chrome OS, sistema operacional de código aberto ainda este ano e que ele estará disponível no segundo semestre de 2010.

Tal anúncio traz, novamente, questionamentos fundamentais sobre o que, exatamente, define um sistema operacional e em que o Android, plataforma criada pelo Google para dispositivos móveis, será diferente do Chrome OS.

Ainda não temos respostas concretas ainda, mas podemos olhar para o anúncio do Google como o prelúdio da Grande Guerra dos Sistemas Operacionais. O gigante de buscas diz que sua meta é proporcionar uma melhor experiência dos usuários com computadores, o que seria uma dádiva dada a extensa lista de problemas e incômodos que o uso de PC acarreta hoje.

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Mobilidade também tem sido responsável por inovações. iPhone (Apple), Android (Google) e WebOS (Palm) nos mostram que potencial existe quando o hardware é integrado elegantemente com o software.

Enquanto a Windows da Microsoft enfrentava o Mac OS X da Apple e o Linux, na realidade o Windows competia mesmo era com ele próprio. É claro que a evolução do sistema operacional da Apple pressionou a Microsoft, mas os usuários de PC continuam usando o Windows XP e o Vista para suas necessidades mais comuns no computador.

Agora considere o mundo dos netbooks: distribuições medíocres do Linux instaladas nas primeiras versões destes computadores voltados para web ajudaram a não popularizá-los, prejudicando suas vendas. Isso porque os compradores buscavam pelo ambiente Windows nestes portáteis e não algo que os tornasse meramente funcionais.

E quanto ao Android? A plataforma, baseada em Linux, chegou poucos meses após a Apple lançar o iPhone OS 2.0 com suporte à loja de aplicativos App Store (que na próxima sexta-feira, 10/7, completa um ano de vida). Sistemas operacionais móveis tem sido um hit há muito tempo.

Ao observamos o atual cenário destas plataformas, percebemos que a versão 3.0 do SO da Apple, pelo menos por enquanto, ofusca tanto a plataforma do Google quando a da Palm.

O iPhone 3.0 ganha pontos pela suavidade da interface, facilidade de uso e ampla gama de suporte a aplicativos. O WebOS também obteve alguma bonificação por conta da nova interface e estreita relação com serviços baseados na internet, entre eles serviços do próprio Google, como o e-mail e calendário.

Já o Android conseguiu chamar muita atenção sobre si. Seu bom design (apesar de o WebOS e do iPhone serem ainda melhores nisso), uma interface que lhe confere boas condições de competir com os plataformas da Apple e da Palm, e a estreita conectividade e integração com os demais serviços web do Google (calendário e e-mail, mas ainda não com o Google Docs) de fato impressionaram quando foi apresentado com o G1.

O fator chave a ser lembrado é que embora esses sistemas operacionais estejam estreitamente ligados aos hardwares nos quais foram lançados, eles estão necessariamente limitados àqueles smartphones.

Rumores de que o Google apresentaria um sistema operacional baseado no Android vêm circulando há algum tempo, bem como notícias de que fabricantes de netbooks planejam lançamento com o próprio Android instalado – entre eles a Acer e um modelo de Aspire One.

Na realidade, smartphones não passam de computadores extremamente portáteis e com baixo consumo de energia, frequentemente equipados com processadores ARM ou similar, os mesmos que encontramos nos chamados smartbooks e que em breve – espera-se – virão embarcados em alguns netbooks.

A ideia de um netbook baseado no Android não é nova e, por essa mesma razão, o Google Chrome OS não chega a ser uma surpresa completa. Mas por que Android? O que impediria, por exemplo, o WebOS de equipar um dispositivo mais poderoso do que o Palm Pre?

E por que a Apple não poderia embarcar o iPhone OS 3.0 (baseado no mesmo kernel do Mac OS X) em um tablet ou qualquer outro dispositivo portátil? Aliás, a integração dos serviços web do Google que vimos do Android em smartphones, e do Chrome nos PCs, não são mera coincidência.

O navegador Chrome, para Windows, por exemplo, joga um pouco de luz sobre a zona cinzenta que existe entre o desktop e um browser. O Chrome permite criar atalhos em um PC com Windows para qualquer página ou aplicação na internet – funcionalidade que ainda não está disponível na versão do software para Mac.  Quando foi lançado, tal integração surpreendeu a todos; hoje, já não causa o mesmo impacto – o iPhone 3.0 também permite fazer o mesmo no iPhone 3GS.

Chrome OS e o mercado
Antes de podermos entender o real valor de um sistema operacional do Google, baseado no Chrome, é preciso compreender o que ele irá oferecer ao usuário que seja diferente de qualquer alternativa hoje disponível.

No post em que o Google anuncia o Chrome OS, a empresa diz que “o Chrome OS é um projeto novo, separado do Android. O Android foi desenhado desde o início para funcionar em uma variedade de dispositivos, de telefones a set-top boxes e netbooks.

O Google Chrome OS está sendo criado por pessoas que passam a maior parte do seu tempo na web e está sendo projetado para rodar em equipamentos que vão desde pequenos netbooks a estações de trabalho de mesa completas. Embora existam áreas de sobreposição entre o Google Chrome OS e o Android, acreditamos que ter uma opção irá potencializar a inovação para o benefício de todos, incluindo o Google.

Muitos de nós passamos a maior parte do tempo na web. Entretanto, é preciso admitir que o comentário do Google não ajuda em nada a diferenciar o Android do Chrome OS. E vamos além: usuários do Android, mais que qualquer outro, estão extremamente conectados à internet, principalmente pela permanente conectividade oferecida pelos dispositivos móveis.

Então, o que exatamente existe de diferente entre o Android e o Chrome OS e de que maneira ele irá desafiar o Windows? Presumimos que, para o sistema operacional do Google vir a se tornar uma verdadeira opção competitiva para o Windows 7 em notebooks e PCs de mesa, ele deverá oferecer suporte a uma ampla gama de drivers para componentes e periféricos, uma área na qual o Google ainda não tem experiência.

Sem tal suporte, o Google será atolado de problemas para lidar com dispositivos como impressoras e placas gráficas. Além disso, a empresa precisará virtualizar o Windows no Chrome OS: usuários que dependem de aplicativos Windows precisarão acessá-los mesmo que optem por usar um equipamento baseado no novo sistema operacional do Google.

E por falar em aplicativos, enquanto o Google sinaliza que programas desenvolvidos para o Chrome OS serão capazes de rodar em qualquer browser, questões sobre as reais vantagens desse tipo de abordagem começam a pipocar. Vejamos, por exemplo, o que aconteceu com a estratégia da Apple: ela foi completamente abandonada com a chegada da segunda geração do iPhone OS, em meados de 2007, e que trouxe suporte completo a aplicações armazenadas localmente.

O Chrome OS tem uma ligeira vantagem sobre o iPhone OS nesse sentido: o HTML 5 pode suportar dados armazenados localmente e que ficam acessíveis a partir de aplicativos web. Contudo, essa é uma estratégia ainda em desenvolvimento e não irá funcionar caso o usuário esteja, por exemplo, a 11 mil metros de altura em uma viagem de avião sobre qualquer parte do mundo e sem uma conexão web disponível.

Sonhando alto
Outra informação no post do Google chamou nossa atenção:

“Prestamos muita atenção no que nossos usuários dizem e suas mensagens são claras: computadores precisam melhorar. As pessoas querem ter acesso instantâneo ao correio eletrônico sem precisar desperdiçar tempo esperando que o computador seja inicializado e o navegador carregado. Eles querem que seus computadores sejam sempre tão rápidos como quando foram comprados. Querem ter acesso a seus dados estejam onde estiverem e não precisar se preocupar com o risco de perder seu hardware ou esquecer-se de fazer backup. E ainda mais importante: não querem desperdiçar horas configurando um computador para fazê-lo trabalhar com qualquer novo componente de hardware, nem se preocupar com constantes atualizações de software”.

Todos esses pontos são absolutamente verdadeiros, principalmente os que se referem a atualizações de software. Contudo, é difícil imaginar alguém que queria colocar todas as suas informações na nuvem. Também não conhecemos ninguém que usaria um dispositivo qualquer como computador primário se ele não fosse capaz de integrar a qualquer outro dispositivo que se queira.

Além disso, presumir que o Chrome OS não irá requerer atualizações constantes de software é muita presunção: o Google tem entregue atualizações do Android de todo tipo – grandes e pequenas –, e mesmo a Apple está permanentemente atualizando o iPhone 3.0.

Tanto o Chrome OS quanto o Android têm espaço e serão importantes concorrentes no mercado de sistemas operacionais, inclusive para dispositivos móveis, mas se – e somente se – contarem com aplicativos multiplataforma capazes de competir com o universo Windows. E ainda não estamos totalmente convencidos que de mesmo o Google seja capaz de desafiar o Windows (nem o Mac OS X pelas mesmas razões) em netbooks nem em dispositivos maiores.

A compatibilidade de hardware e de software são desafios enormes. E até que o Google seja capaz de convencer os usuários das vantagens do Chrome OS sobre as demais alternativas no mercado, o gigante de buscas tem uma enorme ladeira a percorrer até conseguir se extrair do nicho em que ele mesmo posicionou tanto o Android quando o Chrome: dispositivos móveis e outros equipamentos que não PCs.

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