Home > Notícias

Google Glass sai de cena, mas ainda está longe de morrer

Gigante de buscas anunciou fim do programa Explorer, mas foco em mercado corporativo e mudança de desenvolvimento devem manter produto vivo, dizem analistas.

IDG News Service / EUA

19/01/2015 às 10h37

googleglass_43502.jpg
Foto:

Quando o Google anunciou na última semana que encerraria o seu programa Explorer para o Glass e pararia de vender a versão atual do óculos aos usuários finais, foram escritos alguns obituários prematuros sobre o suposto fim do gadget futurista.

Verdade, o Glass se debateu para encontrar o seu lugar no mainstream. Mesmo na CES 2015, uma meca para os geeks, vimos poucas pessoas usando o Glass, que foi uma presença comum na edição 2014 do evento.

“O Google Glass é um ótimo exemplo de um bom produto em busca de um problema”, afirmou o CEO da Nucleus Researc, Ian Campbell.

Mas não se engane: o Glass não está indo embora – não sem mais uma luta. Apesar de ter encontrado dificuldades para conseguir apoio entre os consumidores, alguns segmentos corporativos foram bastante receptivos aos smartglasses, e as próximas versões do Glass devem agradar ainda mais essas empresas.

“O futuro do Glass é que ele se torne uma ferramenta para a forma como você trabalha”, afirmou Det Ansinn, fundador da BrickSimple, que desenvolve aplicativos corporativos para o Glass e outros aparelhos.

O Google pode ter sido surpreendido pelo nível de interesse entre os usuários corporativos, aponta. Hospitais e fábricas não são os tipos de lugares que o Google costuma chamar de casa, mas cirurgiões e engenheiros estão entre os usuários que melhor acolheram o Glass.

Na esfera pública, o aparelho levantou questionamentos por causa da maneira como pode capturar áudio, imagens e vídeos de maneira quase imperceptível. Em alguns casos, as pessoas foram até atacadas por usarem o Glass. Mas em um espaço de trabalho esses problemas culturais não seriam uma barreira.

Também existiram poucos incentivos para os consumidores embarcarem nessa nova onda. O Glass não fornece às pessoas informações que elas já não possam buscar em seus smartphones, explica Campbell.

“Os apps não estavam para tornar o produto atraente o bastante”, afirma o executivo, que não consegue ver uma época em que existirá uma aceitação ampla das pessoas andando por aí com o Glass no rosto.

O analista Ben Bajarin, da Creative Strategies, diz que nunca acreditou que o Google queria “brincar” no lado de hardware do mercado, mas sim queria ver como um produto desses seria recebido e o que os desenvolvedores fariam com ele.

“Algumas vezes para aprender essas coisas é preciso levar algo para o mercado. O Google ainda pode fazer algo aqui, mas levarão um tempo para refiná-lo”, afirma.

Campbell e outros pensam que o Glass tem um futuro forte no mercado corporativo. Engenheiros consertando equipamentos industriais podem se beneficiar de um computador que deixa as mãos livres e coloca informações diretamente no seu campo de visão. E os cirurgiões já filmaram operações para ensino a distância e troca de opiniões.

O Google afirmou que está levando o Glass para fora dos laboratórios Google X e para um divisão de produtos separada. O diretor dessa divisão se reportará a Tony Fadell, que comanda o Nest Labs, a empresa de automação residencial comprada pelo Google em 2014.

“Ao fazer isso, o Google confirma que o Glass não morreu”, afirma Kyle Samani, CEO da Pristine, desenvolve apps do Glass para cuidados médidos, educação, e outras áreas.

Samani elogiou o Google por entregar o comando do Glass para Fadell, um ex-executivo da Apple que ajudou a desenvolver o iPod. Para o executivo, Fadell poderia ajudar a transformar o Glass em um produto que mais pessoas comuns gostariam de usar, e, nesse sentido, seu futuro como aparelho para o consumidor final não estaria acabado.

Um porta-voz da Strava, que produz aplicativos fitness para ciclistas e corredores, a empresa “ainda está tão animada de trabalhar com o Google quanto estava no mês passado ou quando começaram a desenvolver apps para o Glass pela primeira vez”.

Ainda assim, os desenvolvedores são essenciais para a vida das plataformas de computação, e alguns deles vão pensar duas vezes se o Glass realmente virar um produto de nicho, aponta Campbell. “Eles vão fazer as contas na cabeça e perceber que a parte financeira não faz sentido.”

Ainda não está claro que as futuras versões do Glass também serão oferecidas aos consumidores finais, ou que tipo de suporte os usuários atuais do Explorer continuarão recebendo. A gigante de buscas não respondeu às nossas perguntas sobre o assunto.

Tags

Junte-se a nós e receba nossas melhores histórias de tecnologia. Newsletter por e-mail Newsletter por e-mail