Google pode ter atingido a supremacia quântica. Entenda o que isso significa

Se você acha que seu computador esquenta, é porque ainda não conheceu um computador quântico

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Na última sexta-feira (20), a NASA publicou em seu site uma pesquisa promovida pelo Google que logo foi removida da plataforma. Contudo, o pouco tempo em que ficou no ar foi o suficiente para que o jornal Financial Times entendesse sobre o que era: o Google pode ter atingido a supremacia quântica.

A supremacia quântica acontece quando um computador específico é capaz de realizar uma operação matemática que um computador tradicional não conseguiria. Nesse caso, o chip quântico Sycamore entendeu em três minutos e vinte segundos como funciona um gerador de números aleatórios, operação que demoraria 10 mil anos para ser concluída até mesmo pelo computador tradicional mais potente do mundo, o IBM Summit.

As informações foram deletadas do site da Nasa porque o Google pretende anunciar o feito oficialmente na capa de uma importante publicação sobre a área da ciência e tecnologia, que será veiculada em outubro. No entanto, uma notícia como essa já era esperada pela comunidade científica. “Os estudos de empresas e universidades são divulgados para a comunidade científica, e alguns resultados revelados recentemente mostravam que a supremacia quântica estava perto de ser atingida. As empresas estão investindo agressivamente nessa área”, contou Barbara Amaral, pesquisadora de informação quântica do Instituto de Física da USP, ao jornal Estadão.

Apesar da relevância do estudo e do peso que o Google carrega em seu nome, especialistas acreditam que seja necessário avaliar o funcionamento da máquina e os resultados para confirmar a integridade da informação divulgada. Para Ivan Oliveira, pesquisador do Centro Brasileiro de Pesquisa em Física, é uma questão de tempo para amadurecer a ideia. “Acho que alguma coisa importante foi realizada, mas alguém se precipitou em fazer a divulgação”, opinou.

Composto por 53 bits quânticos (qubits), o Sycamore chegou a ser cogitado para ter 72 qubits – unidades que obedecem às regras da física quântica. Enquanto os bits tradicionais baseados na matemática binária calculam unidade por unidade, o qubits é capaz de testar simultaneamente todas as possibilidades, por isso é tão eficaz. Para se ter uma ideia, os computadores quânticos geram tanto calor durante o funcionamento que ficam alojados em ambientes com temperatura de -272,99 °C, o ideal para manter os qubits estáveis.

Ainda assim, de acordo com Amaral, seria necessário muito mais do que 53 qubits para resolver problemas reais em vez de artificias, como o que foi testado pelo Google. “O teste do Google envolveu um problema artificial, que a princípio não tem ligação com a prática”, explicou. De qualquer forma, Oliveira acredita que “essa ciência vai revolucionar a história da humanidade, e a transformação pode ser muito mais profunda do que foi a criação dos celulares”. E realmente, tecnologias essenciais ao futuro, como a inteligência artificial e, até mesmo, o desenvolvimento de medicamentos seriam completamente revolucionados com a computação quântica comercial – estágio que a IBM, outra gigante da área, está tentando atingir até a próxima década.

Dario Gil, chefe de pesquisa da IBM, questionou os resultados obtidos pelo Google em entrevista ao Financial Times, quando alegou estar errado uso do termo de supremacia quântica para intitular o feito do Google, já que um computador construído para solucionar um problema específico não é o mesmo que uma máquina destinada a diversos propósitos diferentes.

Fontes: Financial Times, Estadão, Gizmodo

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