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Governo chinês usa tecnologia contra manifestações na internet

Governo usa seu firewall para impedir que os 20 anos dos protestos pela democracia na Praça da Paz Celestial sejam lembrados.

Owen Fletcher, IDG News Service

04/06/2009 às 13h40

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china_88A internet trouxe uma nova esperança aos reformistas da China desde o fim do movimento pela democracia na Praça da Paz Celestial (Tiananmen), que completa 20 anos nesta quinta-feira (04/06). Como as divergências ganharam fôlego com a tecnologia, o governo continua aumentado a restrição a sites que ameaçam as ideias do país.

Os esforços do governo chinês para censurar a internet ocorrem desde o dia 4 de junho de 1989, quando centenas de pessoas foram mortas após Pequim enviar seus soldados para dispersar manifestantes na Praça da Paz Celestial. O governo autoritário quer garantir que essa data não seja lembrada pela população. Nos últimos meses, a China bloqueou o YouTube e fechou dois blogs, o bullog.cn e o fatianxia.com.

A China bloqueia o acesso a inúmeros sites da web por meio de um sistema conhecido por "Great Firewall", apelidado de Golden Shield (Escudo Dourado). Por meio deste sistema, o governo monitora fóruns online, sites de notícias, e blogs que muitas vezes são retirados do ar pelos próprios criadores para evitar punições das autoridades. Até mesmo o site dos direitos humanos está sendo monitorado.

Conforme a população que usa internet na China cresce, as ferramentas de censura tornam-se mais eficazes. O país tinha cerca de 300 milhões de internautas no fim do ano passado - mil vezes maior comparado aos últimos 12 anos, de acordo com a Agência de Registros de Domínios.

Ultimamente o governo está um pouco mais compreensivo com algumas citações. O crescimento dos blogs e dos fóruns online, fez com que Pequim perdesse o controle do que as pessoas faziam na web. Este mês, um blogueiro foi detido por publicar um comentário sobre a corrupção na política de algumas cidades em seu blog.

Além do protesto em Tiananmen, este ano faz uma década que a China proíbe o movimento espiritual  e separatista Falun Gong, e também marca o 60º aniversário da fundação da China comunista, na qual Pequim marcou história com uma grande parada militar.

A população chinesa, incluindo as pessoas em prisão domiciliar, descobriu novas ferramentas para burlar o  escudo dourado. Com o uso de servidores proxy e do Skype, as pessoas puderam se comunicar com o mundo afora.

O Skype criptografa chamadas e mensagens instantâneas, mas a única versão disponível para os usuários chineses é uma que fica entre o Skype e um portal chinês. Essa versão filtra algumas palavras-chave e bloqueia conteúdos relevantes, disseram pesquisadores da Universidade de Toronto.

Este ano a China dobrou os esforços contra um programa usado para driblar o bloqueio de internet. O programa usado era o “FreeGate”, que começou a ter alguns problemas e ficou muito lento ao carregar sites estrangeiros, disse Bill Xia, presidente do Dynamic Internet Technology – desenvolvedora do software.

Centenas de pessoas usavam o FreeGate todos os dias, disse Xia. O programa criptografa a comunicação dos usuários e o tráfego navegado através de endereços IP (protocolos de internet) de outros países, garantindo acesso a sites bloqueados.

Os técnicos do governo chinês tiveram uma longa jornada de trabalho para conseguir identificar os códigos criptografados e então bloquear os endereços IP (Internet Protocol) de outros países, afirmou Xia. Os usuários recebiam um novo endereço de IP a cada vez que utilizavam o programa, mas este ano a China ficou mais forte e agressiva para bloquear os IPs destes programas.

Os celulares também tem contribuído com a propagação de informações online ou via SMS. Vídeos capturados dos motins no Tibete no ano passado chegaram ao mundo todo, quando foram publicados online.

A China também opera um sistema de filtragem para mensagens de texto que contenham palavras-chave de políticos, autoridades e indivíduos que organizam manifestações.

Grupos de direita têm usado os seus sites da web para prolongar a memória da repressão do protesto na Praça da Paz Celestial. Mas, com o aniversário da manifestação, os esforços de comemoração dos chineses não estão tendo muito destaque, tanto na internet quanto nas ruas.

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