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Governo quer banda larga a 1 Mbps, mas consumidor já passou disso

Pesquisa constata que 24% dos internautas tem conexões entre 1 Mbps e 2 Mbps, superiores, portanto, à velocidade que o PNBL pretende oferecer.

Ricardo Zeef Berezin, do IDG Now!

29/06/2011 às 17h47

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Pesquisa do Comitê Gestor da Internet (CGI) constatou algo inédito: pela primeira, a velocidade de conexão entre 1 Mbps e 2 Mbps superou o acesso por linha discada, de 56 Kbps, no Brasil.

Segundo relatório divulgado na última terça-feira (28/06), referente a 2010, 24% dos domicílios do País que já têm acesso à Internet o fazem por um serviço de banda larga entre 1 Mbps e 2 Mbps, enquanto que 21% ainda não passaram de 256Kbps - categoria na qual a conexão por modem tradicional se insere. No ano anterior, esses índices estavam em 15% e 34%, respectivamente.

Portanto, os usuários de dial-up quando abandonam esse tipo de serviço, galgam degraus mais altos em vez de se contentar com a velocidade subsequente, que vai de 256 Kbps a 1 Mbps – esta caiu de 20% em 2009 para 18% em 2010. A banda entre 2 Mbps e 4 Mbps, por outro lado, também cresceu, de 5 para 9 pontos decimais – alta de 80%.

Dessa forma, quando o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) começar a ser implementado, não deverá demorar muito para ser considerado uma opção defasada em relação às demais. Em princípio, a banda oferecida seria de 600 Kbps, mas, por determinação da presidente Dilma Rousseff, ela foi majorada para 1 Mbps.

Mais de 24 mil domicílios foram entrevistados em todas as regiões do Brasil sobre infraestrutura tecnológica nos domicílios brasileiros, perfil dos usuários brasileiros de computador e Internet, uso do computador e da Internet e mobilidade e portabilidade.

Em 2010, o acesso à internet nos domicílios urbanos cresceu 15% em relação a 2009 – taxa inferior a de 2009/2008. A média anual entre 2005 e 2010 foi de 19%. Na área urbana, 31% das casas têm acesso, mas esse número é de apenas 27% se inclusa a área rural.

Leia mais: Brasil não cumprirá plano de banda larga em 2011

Vale lembrar que nos padrões internacionais 1 Mbps nem chega a ser considerado Internet rápida. Para a União Internacional de Telecomunicações (UIT), por exemplo, banda larga só começa a 2 Mbps – nos Estados Unidos, exige-se 4 Mbps. Levando-se em conta a pesquisa da CGI, apenas 14% dos domicílios estariam nesse espectro.

Por fim, um aspecto muito curioso revelado pelo estudo é que 21% dos internautas brasileiros não sabem a velocidade de conexão que contratam – ante 23% que em 2009 não souberam responder. Se essas informações também pudessem ser usadas, o cenário relativo à Internet no Brasil seria consideravelmente modificado.

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