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IBM recebe do governo dos EUA encomenda de supercomputador de 10 petaflops

Apelidado de Mira, máquina terá mais de 750 mil processadores e utilizará sistema de código aberto. Outros dois estão sendo construídos

IDG News Service/Nova York

08/02/2011 às 12h06

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O Laboratório Nacional Argonne, do Departamento de Energia
dos Estados Unidos, encomendou à IBM a construção do que será um dos mais
poderosos supercomputadores do mundo, anunciou a IBM nesta terça-feira (8/2).

O computador, apelidado de Mira, será capaz de executar 10
quatrilhões de cálculos por segundo, ou 10 petaflops, e será colocado em
funcionamento em 2012, afirmou a empresa. Ele será construído sobre a próxima
versão da arquitetura de supercomputação Blue Gene, chamada Blue Gene/Q.

Embora custeado pela Fundação Nacional de Ciência dos EUA, o
Laboratório Argonne permitirá que empresas, universidades e governo acessem o
computador para pesquisa e desenvolvimento de projetos de grande escala, disse
Dave Turek, chefe do grupo de “computação profunda” da IBM.

Tal músculo computacional “deverá dar origem a diversas
inovações interessantes” nos campos de química computacional, aerodinâmica,
ciência dos materiais, energias alternativas e muitas outras disciplinas,
afirmou.

Menção à China
Em seu discurso anual do Estado da União, em janeiro, o
presidente dos EUA Barack Obama enfatizou o uso de supercomputação como forma
de o país manter sua vantagem competitiva. Ele fez menção ao progresso que
outros países, notadamente a China, têm obtido na construção de seus próprios
supercomputadores.

O desempenho dos 10 petaflops ultrapassa de longe o que é
atualmente tido como o supercomputador mais poderoso do mundo, o recém-construído
Tianhe-1A, do Centro Nacional de Supercomputadores de Tianjin, na China. O
sistema alcançou desempenho de 2,67 petaflops de acordo com o último ranking
Top 500
dos maiores supercomputadores do mundo.

A potência extra poderia ser utilizada para encurtar o tempo
necessário para rodar modelos computadorizados e até para executar tarefas que
eram muito grandes mesmo para as maiores máquinas do mundo, prevê a IBM.

Um modelo de como o coração humano reage a um remédio poderia
levar até dois minutos se executado em uma máquina de 10 petaflops – nos melhores
supercomputadores atuais, o trabalho levaria dois anos. A velocidade maior
permitirá que empresas e universidades conduzam suas pesquisas para trazer
novos produtos e inovações ao mercado de forma mais rápida.

Construção tripla
Em 2012, o Mira será um dos três sistemas americanos da IBM
com 10 ou mais petaflops. A IBM também começa a produção de outro
supercomputador para o Laboratório Nacional Lawrence Livermore (LLNL, na sigla em inglês), do Departamento
de Energia – um modelo de 20 petaflops chamado Sequoia. E também constrói o
sistema Blue Waters, de 10 petaflops, para o Centro Nacional de Aplicações de
Supercomputação da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign.

O Mira terá mais de 750 mil processadores IBM PowerPC A2 de
1,6 GHz. Cada nó computacional terá um único processador e eles serão
armazenados em racks de 1.024 nós. Cada rack também terá de oito a 128 nós de
I/O – também rodando o processador A2 – que serão dedicados ao tráfego de dados
de e para os nós de computação.

Cada nó terá 8 ou 16 gigabytes de memória, agregando 750
terabytes de memória por todo o sistema. As comunicações entre os nós ocorrerão
por meio de interconexões IBM 5D Torus, capazes de tráfegos de até 40 gigabits
por segundo.

Como sistema operacional, os nós computacionais rodarão um
kernel escalável de código aberto e os nós de I/O terão uma versão modificada
do Red Hat Enterprise Linux. O sistema será basicamente refrigerado a água e consumirá
em média 60.000 Watts por rack.

A IBM não revelou o preço do Mira, embora diga que o
Laboratório Argonne o comprou com recursos de uma verba de 180 milhões de
dólares.

Embora o sistema anunciado
venha a ter capacidade de 10 petaflops, a arquitetura Blue Gene/Q deverá
ser capaz de alcançar 50 petaflops e talvez mais, disse Turek.

A IBM desenvolveu a arquitetura Blue Gene em 1993 como parte
de um esforço de desenvolvimento de 100 milhões de dólares, em parceria com o
LLNL. O esforço de pesquisa foi destinado à construção de uma arquitetura
altamente escalável para grandes supercomputadores, e que fosse ao mesmo tempo
eficiente no consumo de energia.

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